Da redação
O primeiro jogo não teve nenhuma graça. Vitória fácil por 3 a 0 sobre a quase amadora Argélia (25/11, 25/11 e 25/10), em menos de uma hora, no sábado. O segundo, sim, será muita mais difícil para as meninas do vôlei. Na madrugada de segunda-feira (2h30 MS), a rival será a Rússia. Elas não gostam de tocar no assunto, mas a lembrança é inevitável. Há quatro anos, em Atenas, as russas impuseram uma das mais sofridas derrotas ao esporte brasileiro na história olímpica.
A irritação no semblante de Mari, que errou ataque e deu às rivais o último ponto naquela partida, é evidente ao falar do tema. Suas respostas às perguntas dos jornalistas não deixavam dúvidas: o dia 26 de agosto de 2004 ainda a incomoda. "Já passou, vocês da imprensa lembram do jogo, mas nós não", declarou a ponteira, de 24 anos, antes de cutucar algumas colegas daquele grupo. "Vocês (imprensa) deveriam jogar a responsabilidade em quem tinha experiência, não em mim, que caí de pára-quedas." As mais experientes eram Fernanda Venturini e Virna. Mari realmente era novata.
É impossível esquecer aquela semifinal. O Brasil teve sete match points para se garantir na final. Não os aproveitou e acabou perdendo o duelo. Voltou para o País sem medalha. O contexto, agora, é diferente. O momento das brasileiras, atuais campeãs do Grand Prix, é melhor. As russas vêm de derrota para a Itália por 3 a 1 e passaram por reformulação. Nos cinco confrontos que as duas equipes tiveram após Atenas, as brasileiras venceram quatro vezes e perderam apenas uma.
A preocupação com as russas, porém, é grande. Com a parte psicológica também. A comissão técnica exibiu, ao elenco, alguns vídeos com partidas das adversárias e, no sábado, diante da Argélia, o time treinou jogadas visando ao confronto de amanhã. "Sacamos (contra a Argélia) em função do que vamos precisar fazer contra a Rússia", comentou o técnico José Roberto Guimarães. (informações do Estadão)