Da redação
Muitas horas na fila, gás de pimenta, bombas de efeito moral, aflição, correria e pânico. A torcida do Flamengo passou por tudo isso para garantir seu ingresso no Maracanã para a "decisão" deste domingo, às 16 horas, contra o Grêmio. Agora, ela quer a recompensa: uma vitória para voltar a soltar o grito de campeão brasileiro e fazer uma festa que não tem prazo para acabar. Afinal, são 17 anos de espera - a última conquista do clube em Campeonatos Brasileiros foi em 1992, sob a regência do maestro Júnior.
Assim que sair do vestiário e pisar no gramado, o time do Flamengo verá que o cenário para a conquista está armado: estádio lotado, colorido em vermelho e preto, com mais de 90 mil bandeirinhas, 100 mil balões e chuva de papel picado. "Para mim, esse título não tem preço", disse o meia Petkovic, de 37 anos, um dos responsáveis pela ascensão da equipe e que pode anunciar sua aposentadoria se conseguir erguer a taça.
No Flamengo, o sentimento é muito extremado: ou é euforia excessiva ou depressão profunda, ou é o melhor time do mundo ou o pior. Por isso, a equipe sabe que um tropeço pode jogar fora um trabalho de uma temporada. A responsabilidade do elenco é proporcional à paixão da torcida pelo clube.
Ciente disso, o time saiu do Rio de Janeiro na quarta-feira, a fim de evitar o clima de oba-oba e trabalhar com tranquilidade, com alimentação e sono controlados. Refugiou-se na Granja Comary, em Teresópolis, tudo para não repetir o fiasco de 15 dias atrás, quando empatou com o Goiás, diante de um Maracanã lotado, deixou de alcançar a primeira posição e frustrou a todos
Se a ideia era buscar a paz na região serrana, o tiro saiu pela culatra. A equipe não encontrou sossego durante os treinamentos. A estada do Flamengo na cidade foi marcada pela histeria incessante dos torcedores nos quatro dias de atividade.
"A torcida está ansiosa como a gente. São 17 anos de jejum", destacou o técnico Andrade. Ele pode se consagrar como o primeiro profissional do mundo da bola no País a se tornar hexacampeão do Campeonato Brasileiro - faturou cinco títulos na época de jogador. Uma façanha e tanto. "Isso me orgulha".
Uma partida como essa é pródiga em fabricar heróis. O atacante Adriano já é ídolo da torcida, mas não se dá por satisfeito. Sonha fazer o gol do título e alcançar a artilharia isolada da competição. A proximidade do título brasileiro, que seria o quinto do Flamengo (pois a CBF não reconhece o de 1987), mexe até com os atletas mais experientes.
"Estou ansioso e tenso para o jogo começar logo", disse o Imperador, recuperado de queimadura no pé esquerdo. Numa reação incrível no segundo turno, o Flamengo superou os principais rivais, muitas vezes fora de casa, e os matemáticos, que, em outubro, apontavam o clube com apenas 1% de chance ser campeão. Nas últimas 15 rodadas, a equipe venceu dez vezes e só perdeu duas. "Se Deus quiser, vai dar tudo certo", profetizou Adriano.
(informações do Estadão)