Cidades

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Habilidade no futebol teria causado homicídio

Habilidade no futebol teria causado homicídio

Redação

25/03/2010 - 08h05
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Investigações da Delegacia de Atendimento à Infância e à Juventude (Deaij) apontam que Nailton Martins Lima, 16 anos, assassinado no último sábado na Escola Municipal Plínio Barbosa Martins, no Jardim Macaúbas, em Campo Grande, foi morto porque tinha habilidade no futebol. A delegacia ouviu ontem os dois autores, ambos de 17 anos e que estão apreendidos, e familiares deles. De acordo com a delegada Maria de Lourdes Souza Cano, testemunhas disseram que Nailton jogava bola muito bem e no dia do crime, ocorrido na quadra do colégio durante uma partida de futsal, ele havia sido alvo de diversas faltas. A maioria delas, cometidas por um rapaz de 19 anos. Segundo relatos de diversas pessoas ouvidas pela polícia e de um dos autores do homicídio, na última falta sofrida pelo adolescente, a bola chegou a sair da quadra. O garoto reclamou ao adversário e houve uma pequena discussão, que foi interrompida por um funcionário do colégio. Mesmo sendo a vítima da situação, Nailton chegou a pedir desculpas para o rapaz e quando percebeu que não havia resolvido, tentou sair da quadra. Enquanto os dois jogadores discutiam, o autor do tiro que matou Nailton saiu do local onde assistia à partida e foi em direção aos dois protagonistas da ‘briga’. Conforme depoimento do menor infrator à polícia, o jogador que fez a falta então disse: “Atira, atira, não tem perdão”. “Mas o adolescente (o autor) falou que mesmo que o outro não tivesse falado nada, ele iria atirar”, disse a delegada responsável pelas investigações. “Nailton morreu com a cabeça baixa. Ele abaixou para pegar o chinelo para sair”, contou Maria de Lourdes. O irmão da vítima, um menino de 14 anos, viu o homicídio e no dia do velório, havia dito que Nailton foi atingido pelo tiro ao tentar pegar a bola que havia saído das “quatro linhas”. Com os depoimentos de mais de 20 pessoas – que estavam no local do crime e moradores do bairro que colaboraram – e dos dois infratores apreendidos, ambos de 17 anos, a Deaij identificou o rapaz de 19 anos que incentivou o assassinato. Ele foi reconhecido, através de fotografia, pelas testemunhas. O jovem não está mais em Campo Grande e deve ter a prisão pedida. O rapaz é primo do garoto que escondeu o revólver calibre 38 usado no crime, que foi apreendido junto com o autor do disparo, no dia do assassinato. Os autores Segundo Maria de Lourdes, os três envolvidos no crime costumavam sair juntos e frequentavam a Escola Plínio Barbosa Martins aos sábados. Eles não eram amigos da vítima. Para a delegada, o adolescente que atirou em Nailton é uma pessoa fria e que mente com facilidade, já que no dia em que foi preso, declarou aos policiais que cometeu o homicídio porque havia sido atingido por uma bola chutada pela vítima. Também deu versões diferentes sobre a arma de fogo. Na última, disse que já tinha tido um revólver calibre 22, antes do 38, e que andava armado porque queria matar um inimigo. “Ele contou que ia armado até ao mercado que fica a meia quadra da casa dele”, revelou a delegada. O outro menor infrator, que escondeu o revólver, tentou impedir que Nailton saísse da quadra e antes do jogo mentiu o nome dele e do irmão ao professor responsável pela partida. Ambos adolescentes têm antecedentes criminais. A vítima não tinha nenhuma passagem pela polícia.

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