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Dólar barato abre janela para vinho importado e viagem ao exterior

Dólar barato abre janela para vinho importado e viagem ao exterior

Redação

12/01/2011 - 18h39
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O dólar caiu para R$ 1,65 no último dia 3 (o primeiro de negociações de 2011) e continua abaixo de R$ 1,70, apesar das medidas do Banco Central para segurar o recuo da moeda. Na terça-feira (11), a divisa recuou 0,06% e encerrou o dia valendo R$ 1,687. Há pouco, era negociada com queda de 0,47%, a R$ 1,679.

Baixa como está, a cotação da moeda americana abre a janela para que consumidores tenham acesso a produtos que nunca imaginaram ver em suas casas, segundo especialistas ouvidos pelo R7.

Turismo

De um ano para cá a procura dos brasileiros por viagens para o exterior cresceu cerca de 25%, principalmente para os Estados Unidos (Miami, Orlando, Nova York), Europa (França, Portugal e Itália) e Argentina, diz Valéria Pereira, da agência de viagens Rede G. Segundo ela, um pacote de quatro noites em Nova York atualmente pode ser encontrado por US$ 1.785 – o que, no câmbio de hoje (R$ 1,68), sairia por R$ 2,998. Em janeiro do ano passado, a viagem ao exterior já era um bom negócio, com o dólar a R$ 1,73 à época.

O valor a ser pago em reais é o da cotação do dia da compra do pacote, e pode ser dividido em até dez vezes.

Consumo

Para o supervisor de vendas da importadora de vinhos Decanter, Maicon Piskn, o dólar baixo atrai novos consumidores à medida que a redução no custo é repassada para o produto. Segundo ele, a preferência atual dos novos clientes é pelo vinho do Chile e da Argentina.

- O consumidor novo é atraído pelo preço, e chega sem muita informação, justamente procurando conhecer o produto.
O dólar baixo tem favorecido também a ponta da produção, com a importação de equipamentos, a fim de melhorar a qualidade do produto nacional.

Piskn destaca que o preço dos produtos mais procurados pelos novos consumidores, atualmente, varia entre R$ 60 e R$ 80.

Educação

O professor de finanças Luiz Jurandir, da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade), lembra que com o dólar mais baixo, cursos de especialização e pós-graduação no exterior e os gastos para o aluno se manter fora do país (alimentação, alojamento e transporte, por exemplo) passam a caber melhor no bolso.

A responsável pela Acoi (Assessoria de Cooperação Interinstitucional e Internacional) do Mackenzie, Cláudia Forte, destaca, por sua vez, que a questão financeira não é o fator de maior influência. Segundo ela, o planejamento do aluno “e a cultura que se cria em se investir em uma experiência acadêmica internacional” é que realmente pesam na hora de fazer um curso fora do país.

Mesmo em tempos de dólar mais perto dos R$ 2, diz Cláudia, ainda há procura por cursos - como intercâmbios de graduação de um semestre ou um ano, cursos de extensão nas férias, mini-MBAs e pós-graduação - no exterior.

- Há a cultura em se fazer esse tipo de investimento e, portanto, muitos alunos economizam para isso.

A demanda por intercâmbios principalmente por parte dos alunos de graduação em arquitetura e direito é grande, segundo a universidade. Os principais destinos procurados pelos alunos são Europa – em particular Portugal, França, Italia e Espanha – e Estados Unidos.

Cuidados

O presidente da ABC (Associação Brasileira do Consumidor), Marcelo Segredo, vê no dólar barato um bom momento para que o consumidor consiga finalmente comprar aquele vinho ou aquele chocolate que só via nas vitrines. Mas a oportunidade, segundo ele, infelizmente chegou na hora errada.

- Para quem tem reserva financeira, é oportunidade para adquirir aquele produto importado com que tanto vinha sonhando, um vinho, um azeite ou um chocolate. O dólar baixo, no entanto, acaba estimulando o consumo em um período crítico: o primeiro trimestre em geral é marcado por demissões de funcionários temporários, despesas com impostos e escola das crianças.

Ele também lembra que a compra de produtos importados impõe cuidados específicos.

- É preciso cuidados, como verificar a procedência do produto; no caso de aparelhos eletrônicos, o consumidor precisar ver onde há assistência técnica – em alguns casos, nem há assistência em São Paulo. Também é preciso checar o revendedor. Muitos produtos importados são vendidos pela internet, e em geral não há um endereço nem um telefone da revenda, apenas um e-mail. O consumidor fica vulnerável.

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