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Mídias sociais como Twitter dão voz a mulheres violentadas no Irã

Mídias sociais como Twitter dão voz a mulheres violentadas no Irã

Redação

25/09/2011 - 00h00
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A morte era meu primeiro desejo", afirma a mulher, com o rosto borrado para evitar sua identificação, que fala à câmera. Ela descreve os horrores que passou quando foi presa na repressão pós-eleitoral iraniana: torturas, estupros, intimidação. Ela voltava da faculdade quando foi pega e jogada dentro de uma van. "Queria que aquilo acabasse, queria morrer", descreve com a voz embargada. O vídeo gravado pela iraniana foi colocado no Vimeo (http://bit.ly/mZbAUl) e já foi visto por mais de 75 mil pessoas, segundo o The Guardian.

Como esta mulher, de 22 anos, outras 300 jovens teriam sofrido ataques em represália aos participantes de protestos contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad à presidência, durante o pleito de 2009. Mas são raros os casos de testemunhos como este, tanto pelo medo de mais violência quanto pela forma como o estupro é visto em países como Irã - a vítima é tida como culpada pelo que lhe aconteceu.

Mas as mídias sociais parecem abrir caminho para que mulheres como a deste vídeo contem o que aconteceu. Para Hadi Ghaemi, diretor executivo da Campanha Internacional por Direitos Humanos no Irã, o testemunho da jovem bem como o compartilhamento do filme em redes como Twitter e Facebook, alimentou a campanha para que a ONU acuse Ahmadinejad de abusos contra os direitos humanos. A organização foi a responsável por postar o vídeo, um segmento de 28 minutos extraído de um depoimento de mais de uma hora e meia.

"As mídias sociais deram voz a esta mulher, para que ela contasse o que lhe aconteceu e encorajasse outras vítimas a fazer o mesmo", afirma a jornalista e ativista de DH Parvian Ardalan. Ela também diz que a jovem do vídeo é um exemplo de uma nova geração de mulheres, que entre outras coisas está disposta a mudar a atitude dos iranianos em relação às vítimas de estupro.

Essas jovens estão espalhadas em diferentes países, mas as histórias nem sempre têm um final feliz. A sudanesa Safiya Eshaq, que reportou ter sido sequestrada e estuprada por membros do serviço secreto nacional, teve de fugir do país após postar o vídeo no YouTube, e dois jornalistas já foram presos por publicar as "mentiras" da jovem. Na Líbia, uma garota que contou à mídia internacional sobre ter sido estuprada por tropas de Muamar Khadafi, depois foi chamada de prostituta na televisão local, com o apresentador Hala Misrati afirmando que uma família decente não espalharia notícias sobre o estupro de sua filha.

A iniciativa corajosa - e perigosa - das jovens abusadas vem ganhando apoio na web. O site Harassmap, por exemplo, permite que as vítimas informem o estupro anonimamente, criando um mapa dos abusos no mundo. "O serviço permite que as mulheres dividam seus sentimentos sem se identificar, ao mesmo tempo em que ajuda a realçar o problema e buscar a atenção da mídia para o assunto", afirma o cofundador do site, Engy Ghozan.

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