Embora a fiscalização no lixão tenha sido falha — na época apenas um funcionário da Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação (Seintrha) fazia o controle do acesso de catadores. A placa livrou o órgão de indiciamento. “É a mesma coisa que acontece em inúmeras áreas do Exército. Se tem a placa que proíbe a entrada e alguém entra e morre, ela assumiu o risco de acontecer com ela essa situação, a culpa não é do Exército”, esclarece.
O delegado responsável pelas investigações, Jairo Carlos Mendes, não quis dar entrevista ao Correio do Estado.
O Ministério Público Estadual (MPE), que também investigava o caso, concluiu que a morte de Maycon não pode ser considerada homicídio doloso, mas fez pedido à 1ª Vara do Tribunal do Júri para que o caso continue sendo investigado como homicídio culposo.
Após 22 horas de buscas, no início da tarde do dia 29 de dezembro, o Corpo de Bombeiros localizou o corpo de Maykon Corrêa de Andrade, sob toneladas de entulho. Filho do meio de pais separados, uma vendedora e um pedreiro, Maykon morava com a mãe e quatro irmãos no Bairro Dom Antônio Barbosa e foi ao lixão acompanhado de um amigo, Miquéias Almeida, de 11 anos. As crianças estavam no topo de uma das montanhas de entulho do lixão, a uma altura de 50 metros, e teriam descido parte da encosta para procurar algum material reciclável, quando escorregaram e o paredão de lixo deslizou, cobrindo os dois meninos.
Miqueias Almeida, 11, que também foi soterrado, mas conseguiu escapar com vida, contou que ambos não frequentavam o local, mas tinham ido ao Lixão naquele dia, dispostos a vender os resíduos que encontrassem.
Os dois meninos conheceram-se no colégio, segundo Miqueias. O garoto que morreu havia completado em 2011 o 3º ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal Padre Tomaz Ghirardelli, no Bairro Parque Lageado. Em 2011, Maykon deixou de ir às aulas 140 vezes.