Outubro é um mês de lembranças dolorosas para a recepcionista Ana Cristina Pimentel da Silva. É quando ela revive com mais intensidade os dias de agonia e de desespero que passou durante o sequestro da filha Eloá Cristina, 15 anos, assassinada após ser mantida refém pelo ex-namorado durante cem horas, em 2008.
— É um mês triste para mim. Fico lembrando de tudo que aconteceu. Vai ficar marcado na minha vida para sempre. Sinto como se tivesse acontecido ontem. A saudade é grande.
Ana Cristina conta que nem mesmo a condenação de Lindemberg Alves Ferreira, em fevereiro deste ano, foi capaz de atenuar o sofrimento da família. Após quatro dias de julgamento, a Justiça estabeleceu pena de 98 anos e dez meses de prisão pela morte de Eloá e por outros 11 delitos dos quais ele era acusado.
— Eu sei que ele vai pagar um pouco pelo que fez. Espero que, quando sair de lá, não faça mais essas coisas. Mas a condenação não melhora nada, não. A dor de perder um filho é muito grande. Não tem reparação. Eu perdi minha mãe e meu pai, mas não foi igual a perder minha filha. É diferente.
A mãe de Eloá garante não ter mágoas de Lindemberg. Emocionada, relembra o quanto ficou abalada ao descobriu que a adolescente havia sido agredida pelo ex-namorado durante o sequestro.
— Rancor, rancor, não tenho no meu coração. Eu tenho é tristeza pelo que ele fez com minha filha, porque ela não merecia. Outra coisa que me deixou muito triste foi que Eloá estava cheia de hematomas. E isso acabou comigo.