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Anúncio de uma tragédia na Capital; leia o artigo

Anúncio de uma tragédia na Capital; leia o artigo

Redação

08/02/2013 - 00h01
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Nos últimos dias, a imprensa nacional e internacional, não deixa de comentar, diariamente, a tragédia ocorrida em Santa Maria, RS, em uma casa de shows, onde mais de duzentos jovens perderam a vida e quase uma centena ainda permanece hospitalizada. Ainda não se sabe quantos enfrentarão sequelas permanentes, sejam emocionais ou físicas.

A partir dessa tragédia, todos os órgãos de fiscalização despertaram para a necessidade da permanente vigilância sobre os alvarás dos locais públicos de diversão.
Várias outras tragédias semelhantes já ocorreram pelo mundo, inclusive em
hospitais.

Trabalho na Santa Casa de Campo Grande e conheço este hospital palmo a palmo. São 7 andares e 2 subsolos. Gostaria que a sociedade campo-grandense, através de seus representantes, fizesse uma visita ao local para constatar as irregularidades que aqui nomeio, e o faço como cidadã que não se permite a omissão, em uma situação tão grave e em um local de tanta importância para nós que aqui residimos e para todo o estado, além de países vizinhos.

Por dia, ali circulam mais de 1.500 pessoas, entre funcionários administrativos, acompanhantes de pacientes, visitantes, alunos de diversos cursos e profissionais da saúde, sem contar os enfermos
internados.

Em caso de um simples apagão as luzes de emergência não se acenderão, pois não existem. A luz não se restabelecerá de imediato, exceto em áreas críticas, como Pronto Socorro, CTI e Centro Cirúrgico. Não há sinalização no piso ou teto. As principais áreas de circulação e muitos corredores foram fechados, tendo sido transformados em salas para escritórios, departamentos e até para depósito de material, que obstruem o transito por estes locais.

Em caso de incêndio, será o caos. Várias portas corta-fogo, da parte anterior do prédio, já foram retiradas para facilitar o trânsito nas escadarias, pois os elevadores já não atendem as necessidades do movimento de pessoas. As outras 3 escadas de emergência, nos extremos laterais do prédio, apresentam algumas portas com fechamento inadequado e até com cadeados.

E o que pensar da pediatria que funciona no último andar, com grades em todas as janelas? No caso da retirada destas crianças através de uma escada externa do Corpo de Bombeiros, como isto poderia ser feito? Quanto tempo se levaria para a retirada destas grades?

E os extintores que não são recarregados e repostos? Alguns estão fora do local há meses. E o estudo feito pelo Corpo de Bombeiros, entregue à direção do hospital há vários anos mostrando todas as correções a serem feitas, e que até agora nada de mudança foi percebida? Não existe nenhum treinamento contra incêndio, nem para os funcionários e nem para as pessoas que frequentam temporariamente o local, ou mesmo nas principais entradas, um mapa do hospital, sinalizando as principais saídas de emergência.

Será que só as casas noturnas merecem fiscalização? Espero que, com muita urgência e responsabilidade, todas estas precauções originadas pela tragédia de Santa Maria cheguem à Santa Casa de Campo Grande, o maior hospital do Estado. Só a sociedade, principal usuária da Santa Casa, poderá exigir prioridade para o enfrentamento dessa situação calamitosa e que todas as regras sejam cumpridas. Faça a sua parte.  

médica [email protected]

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