A conclusão de sindicância criada para apurar a conduta do diplomata Eduardo Saboia em ação que trouxe o senador boliviano Roger Pinto Molina ao Brasil foi novamente adiada.
Portaria publicada hoje no Diário Oficial da União prorrogou por mais trinta dias a atuação do grupo que analisa o caso -o trio de servidores é formado pelos diplomatas Rodrigo do Amaral e Paulo Estivallet, além do auditor da Receita Federal Dionísio Carvalhedo Barbos, que preside a comissão.
O objetivo é analisar a operação que transportou o político de La Paz até Brasília. O episódio incomodou o Palácio do Planalto e provocou a saída do então chanceler Antonio Patriota.
A sindicância foi aberta no final de agosto, com prazo inicial de trinta dias, podendo ser prorrogado por igual período. Foi o que ocorreu em setembro e novamente neste mês. Na prática, não há um prazo limite para a conclusão da sindicância. De acordo com manual da Controladoria-Geral da União, "esses prazos não são fatais".
"Vencidos os prazos inicial e de prorrogação, pode a autoridade designar novamente a comissão, com os mesmos ou novos membros, e assim sucessivamente, enquanto necessário ao deslinde definitivo da questão", afirma trecho do documento.
Defensor de Saboia na sindicância, o advogado Ophir Cavalcante disse que ainda estão pendentes alguns depoimentos -como o do próprio Saboia- e a análise de pedidos feitos pela defesa de acesso a documentos sigilosos.
Ao todo, já foram colhidos depoimentos de doze pessoas, como do ex-ministro Patriota, do embaixador Marcel Biato, responsável pela embaixada em La Paz quando Molina recebeu asilo diplomático, e dos fuzileiros navais que fizeram o trajeto de carro ao lado do senador boliviano e de Saboia.
"O processo está bastante maduro. O Eduardo [Saboia] será ouvido e, se Deus quiser, se chegará a um bom termo", disse Cavalcante