Os irmãos Philip e Peter Specht tinham uma missão: levar um milhão de torcedores alemães ao Brasil numa bandeira. Não conseguiram um milhão, mas 12 mil, sim.
A bandeira alemã de 22m², impressa com as fotos dos milhares de fãs, esteve em todos os estádios onde a Alemanha jogou nesta Copa, e estará no Maracanã neste domingo (13), para a final contra a Argentina.
"Nós queríamos achar uma forma legal de homenagear nossa seleção durante a Copa", diz Philip, 27, que teve a ideia de produzir a bandeira. "Na Copa de 2006 [realizada na Alemanha], a gente assistiu a muitos jogos na Fan Fest de Berlim, que tem capacidade para 1 milhão de pessoas, aí pensei: 'Não seria legal se todas elas pudessem ir ao Brasil com a gente?", conta ele.
Os irmãos ficaram surpresos de saber que, no fim das contas, poucos conterrâneos vieram de fato. Cerca de 8 mil estarão no Rio para a final contra a Argentina, segundo estimativa do consulado alemão no Rio; os argentinos presentes na cidade para a final foram estimados em 100 mil, de acordo com a prefeitura e o consulado da Argentina.
Os irmãos Specht atribuem a baixa frequência alemã à distância. "Não é uma coisa simples chegar aqui. Se vier, tem que pedir férias, e não faz tanto sentido vir se você não tem ingresso", opina Peter, 24.
A produção da bandeira teve custo zero, pois todos os envolvidos trabalharam de graça: um amigo webdesigner criou a página para onde os torcedores enviavam suas fotos (http://www.1miofans.de/home), outro amigo que, convenientemente, trabalha com produção de bandeiras, a imprimiu. Aos irmãos, coube a tarefa de divulgar a ação.
Começaram pelas redes sociais e, aos poucos, a mídia foi se interessando. "Demos algumas entrevistas sobre o assunto. Até criamos uma versão pequena da bandeira, como um modelo, e levamos a um programa de TV alemão. Tudo isso ajudou a espalhar a notícia", conta Peter.
Se deram um prazo para imprimir a bandeira: a data em que os grupos de times já estivessem escolhidos.
Entre as pessoas representadas, conhecem apenas aquelas de que já eram amigos. A única estranha com quem tiveram contato foi uma senhora cujo marido acabara de morrer.
"Ela nos mandou um e-mail muito emocionante contando que seu marido teria gostado muito de vir ao Brasil ver a Alemanha jogar, e que assim ele estaria representado", diz Philip.
Ao desfraldar a bandeira no Mineirão, no jogo contra o Brasil, encontraram um torcedor alemão que dizia ter mandado sua foto.
"Ele ficou muito empolgado, gritou 'ei, eu estou aí!', e ficou um tempão procurando sua foto, mas é claro que não achou. Eu mesmo demorei dias para me encontrar na bandeira!", conta Peter, rindo.