O governo de Reinaldo Azambuja (PSDB) até a última solenidade de posse, ontem à noite, no Palácio da Cultura, ainda não sabia quanto de dinheiro o ex-governo de André Puccinelli (PMDB) havia deixado no caixa, informou o secretário de Fazenda, Márcio Monteiro.
“Ontem [anteontem, dia 31], estive lá na secretaria e ainda estavam pagando contas. Só vou saber disso [situação financeira do Estado] amanhã [hoje]”, afirmou Monteiro, cuja missão principal, segundo ele, é “tocar a secretaria de Fazenda com o máximo de transparência”.
O secretário dispunha ontem de poucas informações sobre sua pasta, uma das mais importantes do governo estadual, pois é aquela que mexe com o dinheiro o qual paga servidores e banca o custeio de obras, por exemplo.
Monteiro disse que fica sabendo hoje, também, o que o Estado deixou de arrecadar com impostos nos últimos oito anos por conta da inadimplência do empresariado. “Vamos acionar nossa procuradoria para fazer um levantamento”, afirmou o secretário.
Quanto à receita estadual para este ano, presumida por Puccinelli, em R$ 13,7 bilhões, Monteiro foi cauteloso. “Os sinais da economia não demonstram isso. O governo federal já acenou que vai impor medidas austeras e os estados e municípios dependem do rendimento da economia nacional, daí a preocupação. Mas vamos esforçar para atingir estes R$ 13,7 bilhões”, afirmou Monteiro.
COBRANÇA
O novo secretário elogiou a atual equipe da Fazenda. “Reconheço a eficácia do pessoal, o vigor da inteligência fiscal”. Contudo, Márcio Monteiro disse que uma das metas é fomentar mais o sistema de arrecadação estadual.
Hoje, o Estado arrecada em torno de R$ 600 milhões mensais. Monteiro, a exemplo do governador, queixou-se também do plano de cargos e carreira [norma que regula os reajustes salariais] aplicado no fim do governo de Puccinelli.
“O ex-governador disse que o impacto na folha seria de R$ 5 milhões, agora soubemos que o valor supera a casa dos R$ 20 milhões. Queremos saber o motivo de o ex-governador falar 5 se na realidade são 20”, questionou Monteiro, que prometeu tratar do assunto com assessores já no início de sua gestão.