Cidades

ENTREVISTA

"É preciso criar equilíbrio no uso e trabalhar com a tecnologia em favor da escola", diz diretora

Para Silvia Tavares, mídia tecnológica é ferramenta pedagógica importante

Redação

11/01/2015 - 18h00

Todo início de ano, a maioria das famílias se vê às voltas com a escolha da instituição educacional para os filhos. E eles sabem que para uma decisão desta importância é preciso levar em conta muitos fatores. Para colaborar na diminuição das dúvidas destes pais, entrevistamos a diretora pedagógica Silvia Tavares Farina, de Campo Grande, que fala sobre temas como idade escolar, métodos de ensino existentes, mudança de escola e adaptação, ensino em tempo integral e, claro, o uso da tecnologia diária como ferramenta pedagógica.

CORREIO PERGUNTA –Qual é a idade certa para matricular a criança na escola? 
SILVIA TAVARES FARINA –  Eu me arrisco a dizer que não existe uma idade certa e, sim, a família encontrar uma  escola que transmita segurança, confiança, conforto e uma proposta  pedagógica que vá ao encontro de suas necessidades e crenças. Está posto na sociedade o espaço da mulher no mercado de trabalho, uma luta que nos custou séculos, que ainda não está concluída e, com certeza, nunca estará, pois tudo muda o tempo todo. Portanto, cabe à família tomar a decisão da escola que mais próxima estiver daquilo que ela elenca como prioridade para os cuidados e a educação da criança/filho(a). Observando tudo isso, acrescido à questão financeira, o trajeto que terão de percorrer e tantas outras questões que se farão presentes na escolha. É valido lembrar que, a partir daí, a dica é: participar das reu­niões propostas pela instituição, manter diálogo frequente com a escola, conhecer os combinados para o bom relacionamento família/escola e, acima de tudo, transmitir para a criança a segurança necessária em relação à escolha feita.
A partir da escolha, a criança criará vínculos e passará a gostar do espaço, sentindo-se  bem ali, pois nos primeiros anos de vida o afeto e a atenção são imprescindíveis para o desenvolvimento da criança. 

Quais são os principais métodos de ensino? Como escolher o melhor para a criança?

Para responder à primeira pergunta da entrevista, fiz questão de registrar a importância de a família procurar conhecer a proposta pedagógica da instituição, para, a partir daí, refletir, analisar e observar se a mesma vai ao  encontro de suas necessidades e crenças. Os pais conhecem os seus filhos e, quando conhecem como a escola trabalha, já conseguem imaginar se eles ficarão ou não felizes na instituição. Digo isso, porque escolher uma metodologia de ensino não é uma tarefa simples, pois precisa haver sintonia entre os envolvidos no processo diário. Até a década de 80, muito pouco se falava em relação às escolhas de métodos (não que eu me lembre). A partir dessa época,  novas perspectivas vão sendo descortinadas e surgem “novidades” para a escolha do método adotado pela escola.

Não tenho como dizer sobre  os principais métodos, tendo em vista que a escolha do método pela escola é feita a partir da sua missão e da sua visão de mundo. Como sugestão, além de pesquisar o projeto pedagógico, devem observar se tais conceitos expostos na proposta estão explícitos nas atividades, nos eventos propostos. Procurando cruzar todas essas informações, a probabilidade de uma decisão de sucesso é praticamente certa.  

Mas posso dizer que diversas escolas, hoje, baseiam-se na teoria interacionista, por ser, na opinião de muitos estudiosos, a que mais se ajusta à realidade/perfil da criança do século 21. A abordagem do ensino é pautada no desenvolvimento social, o aprendizado acontece pela compreensão do ser humano  em contato com a sociedade. Os alunos são motivados a realizar trabalhos em grupo e o desenvolvimento é, acima de tudo, focado na linguagem, raciocíno-lógico, situações-problema, etc. A tendência é o aluno colocar a “mão na massa”. Não devemos nos esquecer das escolas conteudistas, que se preocupam com os conteúdos, sem às vezes dar a devida importância à individualidade do aluno ou ao desenvolvimento do raciocínio lógico. São aquelas instituições que preparam o aluno desde cedo para seguir regras rígidas e se preparar para o tão “sonhado” vestibular/ Enem.

Como preparar a criança ou o jovem (adolescente) para a mudança de escola?

É inegável que o desconhecido gera medo ou insegurança, mas a mudança pode ser um rico momento para  novas oportunidades – sendo trabalhada por meio do diálogo, tudo vai se resolvendo. O que não auxilia é a família ficar demonstrando excesso de fragilidade e insegurança para a criança ou adolescente, em relação à mudança prevista. Na escola, são criados vínculos com a comunidade, o que de certa forma dificulta a mudança. Uma boa dose de otimismo por parte dos pais pode gerar o desejo de conhecer o “novo”.  

Se o desejo é que a criança fale bem inglês, deve-se colocá-la em uma escola bilíngue? 

O processo para a escolha da escola bilíngue deve ser o mesmo processo utilizado para a escola monolíngue: conhecer sua filosofia, seus valores e suas finalidades educativas, para ver se existe a compatibilidade de ideias e ações. Após esse momento, é ter a certeza da proficiência dos coordenadores e professores no idioma e número de horas em que a criança ficará em contato com o outro idioma. 

Há pais que desejam optar pelo ensino em período integral, mas se culpam. O que fazer a respeito? 

É incontestável a participação valorosa, hoje, da mulher, mãe, no mercado de trabalho.  A necessidade de a criança frequentar a escola em tempo integral é real, e tudo vai depender da forma como serão conduzidas suas atividades diárias. Muitas são as escolas que oferecem o período integral, uma excelente opção para os pais, que conseguem por meio da escola dar o suporte que os filhos precisam para conseguirem se organizar nos estudos e serem cuidados por pessoas especializadas para isso. 

Como deve ser o processo de adaptação de alunos novos em uma escola? E se a criança continuar chorando depois? 

O papel da escola é estar sempre aberta para acolher o aluno independentemente da sua idade, principalmente em seus primeiros momentos na escola. Mesmo quando ele já estuda na instituição, mas está mudando de etapa (série/ano), precisamos fazer com que se sinta acolhido, cuidado e seguro. Cada instituição tem a sua maneira de planejar o período de adaptação, e esse planejamento vem permeado por ações que contemplam a sua proposta pedagógica, direcionando a sua prática. É importante que a família esteja consciente de que a realidade que a criança vai conhecer não é a mesma que tem em casa ou mesmo em outra escola. Surgirão novos espaços, novos amigos, novas rotinas, novos educadores e ela precisará de um tempo para processar todas essas mudanças. Nesse período, os laços entre escola e família devem se estreitar ainda mais. Confiança e vontade de acolher a criança devem ser o foco do momento. Reduzir o tempo de permanência na escola nos primeiros dias é uma alternativa  que tende a contribuir. Se permanecer o choro, vejo como sendo importante a mudança de atitudes tanto por parte da escola como por parte da família, procurando saber o que está gerando tanto desconforto. 

Qual o primeiro passo que pais de filhos com necessidades específicas devem tomar para iniciar os filhos na Educação Fundamental? 

Conhecer a escola e como ela compreende a inclusão das crianças com necessidades específicas. Somente o espaço físico adequado não assegura uma boa permanência da criança na instituição e o seu desenvolvimento. É interessante que toda a comunidade escolar tenha disponibilidade para atender o aluno. Do porteiro ao diretor, todos fazem parte do processo. Outro fator importante é a abertura da instituição para atender os profissionais que trabalham com o aluno no contraturno: psicóloga, fisioterapeuta, fono, terapeuta ocupacional, psicopedagogo, etc. 

Como chegar ao equilíbrio da boa convivência entre alunos e professores, para que episódios como os que são divulgados de violência não ocorram?

Por meio do diálogo, do ambiente acolhedor, do respeito, das reflexões e das regras (combinadas) que são construídos a partir da chegada do aluno na escola desde a creche. Içami Tiba (autor de livros sobre limites) diz que “não existe pecado onde não existe lei” e que a criança, o adolescente, o jovem e até mesmo o adulto precisa ter claro o que é permitido e o que não é permitido naquele ambiente. Essa parceria de confiança entre escola e família é uma ótima ponte para que essa prática se fortaleça durante o ano letivo.

A utilização da tecnologia nas escolas, hoje, é um fato. Como fazer para que esta relação pedagógica frutifique sem que haja exageros por parte dos alunos? 

Vou exemplificar usando um ditado que sempre cito para meus alunos: “Nem tanto ao mar, nem tanto à terra”. Simplificando,  tudo que é em excesso faz mal, é preciso criar um ponto de equilíbrio entre o uso da mídia tecnológica e o conteúdo escolar, trabalhar com ela em nosso favor e não contra nós. A tecnologia está cada vez mais avançada, presente no dia a dia das pessoas e é útil para a sociedade. Quanta coisa nós, educadores, já fizemos com ela. Não podemos negar a mídia, é o conhecimento social da criança. Na minha época, o meu conhecimento social era brincar de boneca,  mexer com fogãozinho e assistir à TV. A questão, hoje, é criar o equilíbrio e lidar com tudo isso como aliado e não como algo que venha a destruir a harmonia da escola, usar como ferramenta pedagógica. É possível baixar um documentário e discutir com os alunos; criar programas; montar um grupo no WhattsApp; basta criarmos regras. Penso que tudo passa pelos combinados, pelo uso correto, pelo bom senso, pelo discernimento. Desta forma, só temos a ganhar!

IFRIT

Advogado de Hoffman diz que traficantes eram apenas informantes

Material da Polícia Federal traz imagens do ex-delegado da Denar em comemorações, churrascos e até karaokê com um dos supostos chefes do tráfico em Ponta Porã

06/11/2026 12h25

PF e MPMS suspeitam do envolvimento do delegado Hoffman no desvio de drogas em MS

PF e MPMS suspeitam do envolvimento do delegado Hoffman no desvio de drogas em MS Gerson Oliveira

Continue Lendo...

PREVIDÊNCIA

Justiça derruba liminar e libera ao Master R$ 1,4 milhão retido pelo IMPCG

Decisão do TJMS desfaz bloqueio de consignados usado pela prefeitura para tentar recuperar investimento

06/11/2026 12h15

TJMS revogou autorização para reter parcelas de consignados que o IMPCG pretendia usar na recuperação de investimento no Banco Master

TJMS revogou autorização para reter parcelas de consignados que o IMPCG pretendia usar na recuperação de investimento no Banco Master Marcelo Victor

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).