Cidades

Crise na Capital

Secretário vê cenário preocupante nas finanças

Titular da pasta de Finanças, Ricardo Vieira Dias disse que não há previsão de crescimento

Redação

25/05/2015 - 19h12

Segundo a ser ouvido na CPI da Crise, instaurada na Câmara para averiguar a situação financeira da Prefeitura, o secretário Municipal de Receita, Ricardo Vieira Dias, fez uma projeção pessimista das finanças do Executivo, pelo menos, até o final do próximo ano. Segundo ele, não há previsão de crescimento das receitas até 2016 e a meta, neste momento, é economizar.
 
“[Os anos de] 2014, 2015 e 2016, não haveria crescimento de receita, e devíamos diminuir despesas. Em 2013, não houve crescimento na cidade, e isso repercute até hoje. Eu torço, sinceramente, que a partir de julho a gente comece a dar passos mais largos para tentar crescer o ISS (Imposto Sobre Serviços). Acredito muito nisso. Mas não é o que se tem como premissa. A premissa é economizar este ano e em 2016. Não serão anos propensos a aumento de receita”, disse. 
 
Vieira Dias foi ouvido na tarde desta segunda-feira (25). Durante duas horas, ele expôs aos parlamentares os diversos fatores que contribuíram para a queda da arrecadação municipal.
 
“A Prefeitura perde R$ 800 mil por mês por conta da isenção dos ônibus que, a meu ver, refletiu pouco para o contribuinte”, exemplificou. “Quanto mais investimento tiver, mais riqueza você tem, e isso se transforma em impostos. O maior investidor de Campo Grande é o poder público”, contrapôs.
 
O secretário ainda afirmou que, neste momento, o poder público deve agir de forma coerente, ou, dentro de quatro anos, a Prefeitura poderá enfrentar uma nova crise. “Quando nós aumentamos somente o índice inflacionário [do IPTU], e não o valor venal do imóvel, por exemplo: a gente esquece que aquela melhoria no bairro vai exigir uma demanda maior do poder público. Vai ter que por escola, ônibus, mais postos de saúde. Tudo isso, com o passar dos anos, leva o município a ir para um degrau abaixo”, continuou.
 
Segundo ele, “o momento é de crise” e o ideal é reduzir despesas, mas sem deixar de investir. “O que temos que fazer, sem demagogias, é reduzir despesas, tendo em mente que despesas não podem ser confundidas com investimentos. Nesses três anos, é o que vai acontecer, e tivemos um agravante que veio de 2013. Não tem como fazer milagre”, afirmou.
 
Ele, no entanto, não prega o aumento de impostos para equilibrar as finanças da Prefeitura. “[O ideal] não é aumentar imposto, mas recuperar o que estamos deixando de receber. Não adianta apertar o contribuinte, isso não leva a nada. Você tem que dar uma educação fiscal a esse contribuinte”, sugeriu.

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