O secretário municipal de saúde de Campo Grande, Ivandro Fonseca, determinou a abertura de sindicância para apurar casos de assédio moral em servidores que trabalham nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da cidade. O edital informando a formação da comissão será publicado nesta segunda-feira (25) no Diário Oficial do Município.
A determinação foi dada depois que o médico Francis Giovani Celestino, de 31 anos, denunciou que vinha sendo coagido no trabalho em uma UPA da Capital. Ele registrou boletim de ocorrência de preservação de direito no dia 12 de janeiro relatando essa situação.
Na sexta-feira (22), doutor Francis, como era conhecido, foi encontrado morto dentro do próprio carro, que estava em uma plantação de soja, em rodovia que liga Campo Grande a Sidrolândia. O médico tinha um ferimento causado por arma de fogo e a principal suspeita da Polícia Civil é que ele tenha cometido suicídio.
O delegado que cuida do caso, Edmilson José Holler, da 6ª Delegacia de Polícia, revelou o registro da ocorrência denunciando o assédio.
"Foi uma tragédia. Era um ótimo médico, salvou muita gente nas nossas unidades. Sempre se dedicou muito e era um brilhante profissional", disse Ivandro Fonseca, em entrevista concedida neste sábado (23) à tarde ao Portal Correio do Estado.
De acordo com ele, a partir do momento que ele teve informação sobre a denúncia de assédio moral, determinou a formação de uma comissão de sindicância. "Não é orientado a nenhum servidor praticar uma situação dessa", afirmou.
APURAÇÃO
A sindicância terá 60 dias para ouvir servidores e a chefia das UPAs e averiguar a situação. O secretário não informou em qual unidade Francis trabalhava rotineiramente. "Precisamos apurar todos os fatos", ressaltou.
A comissão deve manter contato com o delegado Edmilson Holler, da 6ª Delegacia de Polícia, e o laudo final será enviado para ele e para o Ministério Público Estadual. "Estamos abertos para receber denúncias também", reforçou Fonseca.