Quatro dias depois da intoxicação de seis agentes penitenciários, ocorrida na quinta-feira (20), decorrente de café preparado pelos próprios presos, a alimentação no presídio continua sendo feita pelos próprios detentos. A falta de medidas depois do ocorrido vem causando indignação à classe trabalhadora que atua dentro do presídio.
Com medo, e ao mesmo tempo para se precaverem de futuros envenenamentos, funcionários não estão fazendo as refeições no local, como de costume. Além disso, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) não forneceu alimentação necessária para a Capital.
Diante de revista minuciosa e de todo cuidado em não deixar entrar droga nem qualquer outra substância ou objeto no presídio considerado de segurança máxima, André Luiz Garcia Santiago, presidente do Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul (Sinsap-MS) conta que diariamente é recolhido material jogado pelo muro da unidade.
“Todos os dias tem muita coisa a ser recolhida. Anteontem, por exemplo, pegaram oito quilos de droga jogada pelo muro”, ressaltou. “Teve vez de tentarem jogar droga dentro do presídio usando uma pipa”, frisou.
Diante de promessas não cumpridas do governo do estado em aumentar o efetivo e oferecer melhores condições de trabalho à categoria, Santiago afirma que é complicado trabalhar com oito agentes para fiscalizar os cerca de 400 visitantes, mais os presos. “Ainda não tivemos nenhuma resposta oficial da Agepen sobre planejamento de reforço diante do momento crítico que vivenciamos”, ponderou.
“A vida do servidor vale quanto para o Estado? Queremos saber. Ele prometeu valorizar o servidor e até agora nada. Estamos fazendo denúncias desde o ano passado sobre a situação crítica penal do estado. As únicas ações que o governo fez, estão lentas, e/ou, barradas pela burocracia”, reclamou Santiago.
Ao ser questionado sobre tais promessas, Santiago explica que materiais como tonfas – cacetete, colete multi-ameaças não foram providenciados. “Queremos dignidade, trabalhar com segurança. Nada do que pedimos foi atendido. E ainda falam que foi relaxismo, é impossível sete ou oito agentes, que trabalham por 10, sanar a precariedade que é denunciada desde o ano passado”, desabafou o sindicalista.
São ao todo cerca de 1.338 agentes para mais de 14 mil detentos. O ideal, segundo Santiago, seriam cinco presos para cada agente. “Conforme o Conselho Nacional de Políticas Criminais e Penitenciárias (CNPCP). Mato Grosso do Sul ocupa o primeiro lugar no ranking de maior população carcerária per capita”, pontuou ele ao afirmar que as condições dos presídios são precárias, além da falta de equipamentos.
Dia 2 de maio a categoria decretou greve.