O que era apenas para ser um teste, parece que acabou virando rotina e a prefeitura continua utilizando material de qualidade duvidosa para tapar os buracos das ruas de Campo Grande. Além disso, funcionários usam os pés como instrumento de trabalho e pisam, literalmente, na massa fria.
Conforme divulgado pelo Jornal Correio do Estado, no dia 7 de julho deste ano, as Ruas Arthur Jorge, Rio Grande do Sul e a Avenida Hiroshima foram as primeiras a receberem a massa asfáltica fria, que tem a mesma composição do produto tradicional, com asfalto, pedra e pedrisco, mas não precisa utilizar rolo compressor.
Na ocasião, a técnica não foi vista com bons olhos por especialista, que reforçou a opinião de que todo trabalho de pavimentação ou tapa-buraco necessita de compactação feita com maquinário apropriado.
Sobre o asfalto frio, o especialista afirmou, na época, que é mais barato, porém, de menor qualidade que o tradicional, chamado de CBQU. Ainda sobre a técnica em usar os pés no lugar de maquinário, o engenheiro destacou que em 30 anos de experiência nunca ouviu falar sobre trabalho que possa ser feito usando os pés ou outros carros como compactador.
Ao ser questionada sobre o procedimento, assessoria de comunicação da prefeitura respondeu as mesmas informações do mês de julho, que “está testando o procedimento chamado (asfalto frio) em algumas ruas para verificar a viabilidade de usar esse material no serviço de tapa-buraco realizado nas sete regiões urbanas de Campo Grande”.
NOVO FLAGRA
Na tarde de hoje leitor flagrou operários em carro descaracterizado fazendo o conserto na Avenida Ernesto Geisel. Ontem, o mesmo veículo trabalhava na Rua Paulo Coelho Machado. Por sinal, o carro da imagem é o mesmo visto na imagem do dia 7 de julho, data em que foi publicada a primeira matéria sobre o assunto.
Pelo segundo dia consecutivo a reportagem tentou contato pelo telefone celular do titular da Secretaria de Infraestrutura, Transporte e Habitação de Campo Grande (Seinthra), Amilton Cândido de Oliveira, sem êxito.
No flagrante de ontem é possível ver o morador questionando os trabalhadores que retiram massa asfáltica da caçamba de uma picape, que tem placas de Belo Horizonte (MG). Eles se recusam a dizer para qual empresa prestam serviço.
Depois de jogar a massa sobre o buraco, a dupla usa os pés e depois uma ferramente para compactar o material. Em seguida, retiram os cones que sinalizam o trabalho e vão embora. Na imagem não é possível ver se alguma máquina termina de fechar o buraco.
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