Irregularidades valeram à Santa Casa de Campo Grande autuação pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBM), após o princípio de incêndio ocorrido no início da semana, quando pacientes do Prontomed precisaram ser evacuados da área de atendimento. Cinco dias antes, o hospital tentou desqualificar, em matéria veiculada em seu site, com o título “Segundo Bombeiros, Santa Casa atende requisitos de segurança”, reportagem do Correio do Estado publicada alguns dias antes, em que apontava que o estabelecimento estava há seis anos sem alvará.
Apesar de, depois do princípio de incêndio, o Corpo de Bombeiros ter passado a se recusar a falar sobre o assunto, o Correio do Estado questionou diretamente a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). A secretaria informou que, em razão do incidente registrado na segunda-feira (11), uma equipe técnica de bombeiros realizou vistoria na Santa Casa.
Conforme a Sejusp revelou, em decorrência da vistoria, “a instituição foi notificada e autuada pelo Corpo de Bombeiros Militar”. A equipe técnica também solicitou a apresentação de atestado de conformidade elétrica de todo o complexo do hospital, com a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e laudo.
Ainda de acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o estabelecimento também será obrigado a cumprir notificações anteriores emitidas pelos militares. Após atender a todos os itens da notificação, o hospital deverá solicitar uma nova vistoria no local.
Durante a fiscalização, houve reunião dos bombeiros com o diretor administrativo da unidade de saúde, Kelson Alves Granja, a fim de definir os procedimentos técnicos para aprovação da atualização do Processo de Segurança contra Incêndio e Pânico do hospital.
TENTATIVA
Em seu site, usando o nome do comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Joilson Alves do Amaral, o hospital alegou que tudo estava regular no estabelecimento, afirmando que o comando do CBM havia informado que a Santa Casa “possui todos os requisitos de segurança instalados e em funcionamento” e que a certificação aguarda “apenas questões burocráticas” – sem mencionar quais seriam as questões burocráticas pendentes.
E foi mais além, dizendo que “segundo o coronel, a Diretoria de Atividades Técnicas do CBM registra que o hospital cumpriu as exigências básicas de segurança, necessárias para a análise da certificação, e aguarda apenas a realização de questões burocráticas relacionadas ao processo”. O texto institucional divulgou que o coronel Joilson teria afirmado que “as providências de segurança realizadas nos prédios da Santa Casa já são suficientes para que não se fale em multa ou interdição do local. A certificação depende, agora, apenas de questões burocráticas no âmbito do projeto técnico”.
Na mesma matéria, o presidente da Santa Casa de Campo Grande, Dr. Esacheu Nascimento, informou que o importante é que as determinações dos bombeiros tenham sido seguidas nos prazos determinados. “Não podemos nos importar com matérias maldosas ou desinformantes, o importante é que já realizamos as alterações físicas solicitadas pela corporação e estamos aguardando o trâmite burocrático. A segurança tem prioridade sobre falácias”.
Porém, o princípio de incêndio e as exigências feitas agora pelos bombeiros, inclusive, cobrando o cumprimento de notificações anteriores, conflitam totalmente com as alegações do hospital.
VERDADE À TONA
No início da noite de segunda-feira (11), um princípio de incêndio atingiu a Santa Casa e, por conta da fumaça, pacientes que aguardavam atendimento no Prontomed precisaram ser retirados do local. Pessoas foram afastadas mesmo com soros, macas e cadeiras de rodas, e o atendimento foi suspenso. O Corpo de Bombeiros foi acionado e, ao chegar ao local, as chamas já haviam sido debeladas pela própria equipe do hospital, com o uso de extintores.
A assessoria de imprensa do estabelecimento hospitalar informou que houve curto-circuito em um aparelho de ar condicionado split, na sala de engenharia, e parte da fiação e plásticos queimaram, provocando a fumaça e um forte cheiro. Por precaução, foi suspenso o atendimento no Prontomed e solicitada a remoção dos pacientes para a frente da unidade até o trabalho dos bombeiros.