Cidades

ARBITRÁRIA

Alunos são coagidos por seguranças ao venderem salgados na UFMS

Comércio no campus sem autorização é considerado ilegal

Redação

27/03/2019 - 17h25

Mudanças na estrutura de comercialização de alimentos no campus de Campo Grande da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) resultou em confusão na manhã desta quarta-feira. Alunos que vendiam salgados durante o intervalo  das aulas foram coagidos pelos seguranças da instituição. Houve bate-boca e o alimento foi pisoteado na tentativa de apreensão. A ação foi considerada arbitrária pelos estudantes.

Aluno do curso de ciências sociais, Haricson Freitas, 19 anos, foi um dos alvos da ação. Segundo ele, a venda de salgados por parte dos alunos surgiu depois do fechamento da cantina da unidade 6, há cerca de dois anos. “Com as reformas realizadas na UFMS, os quiosques que tínhamos ficaram mais afastados e, para não pedermos nossos intervalos, de 10-15 minutos, nos deslocando e pegando fila, alguns acadêmicos dos cursos que têm aula na unidade 6 resolveram organizar lanches coletivos para o pessoal poder comer ali”. É cobrada uma taxa simbólica pelos salgados, variando de R$ 1 a R$ 3, preço menor dos que os itens vendidos nos quiosques. “Com esse caixa, vamos repondo diariamente”, explica o aluno.  

Conforme o relato do aluno, os lanches começaram a ser promovidos após o feriado de Carnaval. Hoje, ao realizar a venda, eles foram abordados pelos seguranças da Rondai, empresa terceirizada responsável pela segurança da instituição, alegando que eles precisavam participar de licitação para comercializar os salgados. “Eu disse que conhecia a regra, todavia essa não era a situação e pedi pra ele chamar o supervisor dele que eu me explicava. Passando alguns minutos, chegou já o camburão da segurança, dois seguranças terceirizados, um segurança da UFMS e o técnico administrativo da segurança”, relata Haricson.

Em alguns casos, a venda de salgados e bombons ajuda a complementar a renda de alguns alunos. Diante da confusão, alguns estudantes questionaram o número restrito de bolsas fornecidas pelas instituição. Em sua página oficial do Twitter, a universidade afirmou que em 2019 disponibilizou 200 bolsas provenientes de recursos próprios. O número se equipara a oferta de bolsas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).  A instituição conta com 20.538 alunos. 

Depois da confusão, alunos e professores procuraram a administração da UFMS para relatar o fato. A instituição ficou de apurar a situação. Os pertences dos alunos, um recipiente de plástico e um garrafa de café foram devolvidos, no entanto, ele não foi ressarcido do prejuízo pela perda dos salgados.
Em nota, a UFMS  afirmou que repudia todo e qualquer ato de violência e que planeja a implantação de mais lanchonetes no campus.

RESTAURANTE 

Alimentar-se na UFMS tem sido um problema não só pelas poucas opções de lanchonete. A qualidade da comida fornecida pelo Restaurante Universitário também é alvo de críticas. No último sábado, alguns alunos que se alimentaram no local relataram problemas intestinais. Denúncia foi registrada na Ouvidoria da instituição. 

A empresa Nutrir Refeições LTDA é responsável por administrar o restaurante desde fevereiro deste ano. No ano passado, o contrato com a empresa Industrial Foods foi rescindido justamente por denúncias em relação a qualidade da comida servida aos estudantes. As refeições no RU custam entre R$ 2,50 e R$ 6,00 para estudantes de graduação e pós-graduação. 

Confira na íntegra a nota da UFMS:

“A UFMS repudia todo e qualquer ato de violência na Instituição. Em relação ao ocorrido, imediatamente, iniciou-se a apuração dos fatos pela Pró-reitoria de Assuntos Estudantis. Até que a apuração seja concluída, o profissional terceirizado foi afastado da Unidade. A UFMS esclarece que o comércio ambulante é vedado dentro das instituições federais.”

Temos a acrescentar que com o objetivo de fortalecer a integração e o bem-estar da comunidade universitária, a UFMS está promovendo a modernização e a criação de novas áreas de convivência em toda a Universidade. Um novo processo de licitação está andamento. Na Cidade Universitária, espera-se com a nova licitação instalar cantinas nas proximidades da Unidade 6 e dos prédios da Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo e Geografia (Faeng), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (Famez) e da Secretaria Especial de Educação a Distância e Formação de Professores (Sedfor).

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