Cidades

NAS RUAS

Caminhada reúne diferentes mulheres contra o feminicídio

Além da modelo Luiza Brunet, movimentos sociais participaram da ação

Redação

01/06/2019 - 11h53

Cerca de 200 pessoas participaram na manhã deste sábado de caminhada contra o feminicídio, realizada na Avenida dos Poetas, no Parque dos Poderes, em Campo Grande. Organizado pelo governo do Estado e prefeitura, a ação tem como madrinha a modelo Luiza Brunet. Além dela, mulheres de diferentes movimentos sociais participaram da mobilização.

Militante do Coletivo de Mulheres Negras, a bacharel em serviço social, Angela Vanessa, 33 anos, lembrou que as estatísticas apontam as mulheres negras como principais vítimas de feminicídio, crime de ódio cometido por razão de gênero. De cada 100 casos registrados, 75 são contra negras. “Isto evidencia que a soma de racismo e machismo acaba por vitimar mais mulheres negras”, explicou.

Entre as mulheres indígenas, a maior dificuldade é realizar as denúncias. “Falta informação para conhecer os seus próprios direitos”, explica a assistente administrativa, Gisele Francelina, 38 anos, da etnia terena. Segundo ela, a situação tem melhorado nas aldeias com a chegada de políticas públicas específicas para esta população.

As mulheres com deficiência estão ainda mais vulneráveis a agressões. Conforme a diretora do Instituto Sul-mato-grossense para Cegos Florisvaldo Vargas (I.S.M.A.C), Telma Nantes, as deficientes visuais também fazem parte desta estatística. “As mulheres com deficiência são mais vulneráveis pela deficiência e por ser mulher. O segmento das mulheres com deficiência está apresentando para o poder público e para a sociedade a pauta pela efetivação dos nossos direitos dentro das políticas públicas. Não podemos viver na invisibilidade política. Precisamos que a sociedade nos veja”, afirmou.

Madrinha da Campanha de Combate ao Feminicídio, a modelo Luiza Brunet também participou da caminhada. “Estou impressionada com a quantidade de homens que vieram participar com a gente desta ação. Esta é uma luta de todos”.

NÚMEROS

De acordo com a subsecretaria estadual de Políticas Públicas para a Mulher, Luciana Azambuja, em quatro anos de alteração do Código Penal, foram registrados 124 casos de feminicídios no Estado, além de 160 tentativas. Em 2019, 16 mulheres foram assassinadas. Destes últimos, 12 foram cometidos no interior e quatro na Capital. As vítimas foram mulheres entre 17 e 58 anos, sendo três indígenas.

Mato Grosso do Sul abriga a primeira Casa da Mulher Brasileira inaugurada no País. Desde a abertura da unidade, 50 mil mulheres foram atendidas, 300 mil procedimentos foram encaminhados e 15 mil medidas protetivas emitidas.

DENUNCIE

A Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180 é um serviço atualmente oferecido pela Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos (MDH). É uma política pública essencial para o enfrentamento à violência contra a mulher em âmbito nacional e internacional.

 

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