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Primeiro dia de comércio fechado diminui circulação no Centro da Capital

A maioria dos que estavam no local foram por necessidade: "antes uma pessoa em casa viva, do que arriscar sua vida e voltar num caixão", disse um pedestre

Gabrielle Tavares

22/03/2021 - 13h03

Neste primeiro dia (22) de restrições para o comércio da Capital, o Centro da cidade amanheceu atípico para uma segunda-feira. Poucos pedestres circulavam nas ruas e apenas fachadas de farmácias e estabelecimento que comercializavam comida estavam abertas.

Nas ruas, entretanto, a ciruculação de carros não foi tão afetada. O movimento de veículos estava grande, se comparado a primeira vez que o comércio foi paralisado, em março de 2020.

O aposentado Luis Augusto dos Santos Costa, de 69 anos, foi até o local para realizar um depósito, "não estou perambulando à toa, não", afirmou. Ele alegou que aprova o "fecha tudo" estabelecido pela prefeitura para diminuir o contágio da Covid-19.

"Tem que aprovar, a pandemia está solta, esse negocio só está piorando dia após dia. Pode ver que após as festas de dezembro, festa disso, festa daquilo, e aglomeração, a pandemia se espalhou, e se não tomar essa medida vai se espalhar mais ainda".

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Ele disse que está fazendo sua parte no combate ao vírus. "Eu sou aposentado e tenho condições de ficar em casa, o pior é quem realmente precisa trabalhar e acaba levando essa doença par adentro de casa, matando um pai, matando uma avó. Infelizmente se não tomarem uma medida constrangedora não vai adiantar. Antes uma pessoa em casa viva, do que arriscar sua vida e voltar num caixão", ressaltou Costa.

No grupo de pessoas que precisam se arriscar está Igor Monteiro, de 28 anos, que é entregador. De máscara, ele aguardava os pacotes que precisaria entregar na manhã. Ele concorda com as restrições, mas se solidariza com os comerciantes que dependem da renda para viver. 

"Foi bom por um lado né, para ver se abaixa um pouco dos casos e para ver se o povo pega consciência. Mas tem gente que depende também do comércio para trabalhar e ter uma renda para levar para casa, então também não posso concordar 100% com o lockdown", disse.

Monteiro relatou que, como trabalha nas ruas, se preocupa em se higienizar antes de voltar para casa, mesmo assim sua esposa contraiu a doença. "A minha esposa pegou, mas graças a Deus deu tudo certo e ela conseguiu vencer". 

Contou ainda que os novos números os assusta. "Demais, acho que todo mundo né, já não tem leito pra ninguém, e quem não tem condição tem que vim trabalhar".

Ao contrário do que o entregador pensa, nem todo mundo se preocupa. O aposentado José Vilela, de 77 anos,  relatou não sentir medo, mesmo sendo do grupo de risco. "Por mim não usava nem máscara, não me assusto de jeito nenhum. Eu costumo dizer que estou fazendo hora extra já, então se eu morrer hoje, eu vivi o que tinha que viver".

Ele se mostrou contrário ao fechamento do comércio. "Sou contra o Bolsonaro (sem partido), mas nisso sou a favor dele. Como é que vai andar a economia do país se fechar tudo?! Como que o pobre vai comer se ele não trabalhar?! Esse auxilio não vale nada", reforçou.

RESTRIÇÕES

O decreto que antecipa feriados municipais e descreve os serviços que podem ou não funcionar no decorrer desta semana em Campo Grande foi republicado no domingo (21). Alguns artigos foram complementados, enquanto outros ficaram mais claros, especialmente quanto aos serviços essenciais.

Serviços de saúde de urgência e emergência, transporte, alimentação por delivery, farmácias e drogarias, serviços funerários e algumas atividades industriais estão isentas do toque de recolher e das demais restrições.

Foi acrescentado dispositivo que autoriza funcionamento normal dos setores de fiscalização, limpeza pública, saúde, assistência social, guarda e vigilância patrimonial, a critério dos secretários.

O artigo foi esmiuçado, deixando claro que a regra também vale para hipermercados, mercados, mercearias, minimercados e estabelecimentos congêneres, hortifrutigranjeiros, açougues e centrais de abastecimentos. O consumo de bebidas e alimentos nesses locais continua vedado.

A norma cita pela primeira vez o ramo de lojas de conveniência, autorizando o funcionamento exclusivamente por delivery.

Para o setor da construção civil, está permitida carga e descarga de materiais, mas os serviços autorizados são apenas de manutenções e reparos exclusivamente em caráter emergencial.

Na assistência à saúde, embora o decreto de sexta-feira já deixasse subentendido, foram acrescentados os serviços de psicologia, fonoaudiologia e enfermagem como autorizados a funcionar.

Bancos foram autorizados a operar atividades internas, sem atendimento ao público.

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