Uma das medidas adotadas para conter o avanço da pandemia da Covid-19 foi a alteração da metodologia de ensino nas escolas, as aulas foram suspensas e os professores passaram a adotar o ensino remoto. Com isso, toda a comunidade escolar precisou se adaptar a uma nova rotina de estudos, com o uso de telas e os colegas distantes.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) são exatos 1,38 bilhão de crianças e adolescentes no mundo. Uma parcela desse grupo passou a usar ferramentas de ensino à distância (EAD).
De acordo com a psicóloga Marluce Bueno, o atual momento ainda requer grandes desafios, principalmente por fatores emocionais provocados pelo isolamento social.
“Ninguém esperava ficar em isolamento social, uma vez que somos seres sociais, isso consequentemente nos traz medo, principalmente em crianças e jovens, muitos deles não têm a compreensão do que realmente está acontecendo, tendo em vista o inusitado que é a reclusão total”, pontuou.
As aulas na Rede Estadual de Ensino (REE) e Rede Municipal de Ensino (Reme) de Campo Grande, foram suspensas no dia 23 de março de 2020, ou seja, os alunos completarão 1 ano e 3 meses afastados de seus colegas de sala.
Adaptar-se a uma nova rotina não é tão simples, a especialista explica que o isolamento pode desencadear problemas como ansiedade, sono desregulado e outros transtornos psicológicos.
“O isolamento social pode causar impactos relacionados à ansiedade, sono desregulado e outros transtornos. O contexto do ensino remoto provoca em alguns alunos uma sensação de estarem o tempo todo ligados ou simplesmente entendem que estão de férias e começam a procrastinar, e isso também traz prejuízos”, explicou a psicóloga.
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Marluce destaca que a ausência dos colegas e a falta de interação com a comunidade escolar afeta diretamente a estabilidade emocional de crianças e adolescentes.
“O ensino remoto é modelo que estamos nos adaptando, saber que os colegas estão distantes, isso nos faz muita falta. O contato direto é muito importante para a socialização. Essas alterações podem causar mudanças emocionais, que podem principalmente ser provocadas pelo isolamento social, ocasionando danos no processo de aprendizagem”.
No início do semana, a Rede Municipal de Ensino (Reme) anunciou que as aulas não voltarão a ser presenciais em Mato Grosso do Sul até que as equipes técnicas das áreas de saúde e ciência apontem que existe biossegurança em relação a Covid-19.
A psicóloga orienta que é necessário adotar algumas medidas para que crianças e adolescentes passem por esse período de forma segura e sem sofrer com a ansiedade.
“Para lidar da melhor forma com o ensino remoto é necessário ter rotina, ver quais são as tarefas diárias a serem realizadas, e assim passar por momentos de estudos, convivência com a família e até mesmo momento de descanso são necessários, estabelecendo normas”, pontuou Bueno.
Recentemente, tanto a Rede Estadual de Ensino como a Rede Municipal de Ensino de Campo Grandea, confirmaram que as aulas presenciais em Mato Grosso do Sul serão retomadas no dia 19 de julho, quando se inicia o segundo semestre deste ano letivo.
Um dos pontos que foram determinantes para o retorno das aulas presenciais foi o fato de que boa parte dos professores já estará vacinada com ao menos uma dose.
Em Campo Grande, o grupo recebeu doses da Astrazeneca, que após 20 dias da primeira aplicação já garante uma imunidade de 70% contra a Covid-19.