Mato Grosso do Sul alcançou 77% da população total com a primeira dose de vacina contra a Covid-19 e 63% com duas doses ou dose única, entretanto, o porcentual de procura pela primeira aplicação é o mesmo desde o início do mês. O ritmo de vacinação também caiu, mesmo com 91.101 pessoas não tendo tomado nenhuma dose da vacina.
De acordo com dados do Vacinômetro do governo do Estado, há 90 dias, a média de vacinação diária era de 6.685 pessoas para primeira, segunda e terceira doses e dose única. Nos últimos 60 dias, esse número caiu para 2.870 pessoas e, em um mês, reduziu para 1.749.
Nos últimos 90 dias, foram 596.643 pessoas que receberam a primeira dose. Já em 60 dias apenas 172.114 pessoas procuraram os postos de vacinação pela primeira vez, isso mostra que 424.529 pessoas foram vacinadas no primeiro terço dos últimos três meses. Em 30 dias, o valor é ainda menor, foram 52.407 vacinados.
Segundo o titular da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Geraldo Resende, faz um tempo que a procura tem reduzido nos postos de vacinação, o que acendeu um sinal de alerta na SES.
“Faz um tempo que está tendo pouca procura, mesmo com muitas doses disponíveis. Nós temos pedido que os municípios façam a busca ativa para encontrar quem ainda não tomou a primeira dose e também para os que ainda não foram tomar a segunda", declarou Resende.
"Mato Grosso do Sul atingiu um patamar elevado da vacinação, mas precisamos aumentar a cobertura entre os jovens e também que os idosos busquem a terceira aplicação”, completou.
Por causa da baixa procura, segundo o Vacinômetro, das 4.310.395 doses que desembarcaram em Mato Grosso do Sul, foram aplicadas 3.954.395 doses, ou seja, 356 mil estão ainda nos vidros.
De acordo com o diretor de Saúde e assessor técnico do Corpo de Bombeiros na SES, coronel Marcello Fraiha, essas doses estão armazenadas na secretaria esperando pela solicitação dos municípios, já que, a partir de agora, as vacinas que chegam ao Estado são distribuídas de acordo com a necessidade de cada cidade.
“Elas estão armazenadas e saem de acordo com a necessidade. Agora caiu bastante a solicitação”, relatou Fraiha. Hoje há previsão de chegada de mais 101.790 doses da Pfizer, e, ainda segundo o coronel, o montante deverá ficar armazenado na SES.
Em entrevista ao Correio do Estado no dia 14, o médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda afirmou que, para que a queda dos números da pandemia seja ainda maior, seria importante que o Estado atingisse o porcentual de 80% da população total vacinada com as duas doses ou a dose única.
Entretanto, Mato Grosso do Sul continua com quase o mesmo porcentual de vacinados há mais de 20 dias.
“Se liberar a vacina para as crianças, a gente chega em 80% da população total com a primeira dose. Estamos aguardando o Ministério da Saúde. Temos ainda que vacinar 25% com uma dose”, afirmou o secretário sobre a elevação da cobertura vacinal do Estado.
PRIMEIRA DOSE
Em Campo Grande, são aproximadamente 57.371 pessoas que não procuraram os postos de imunização, levando em consideração a estimativa populacional por faixa etária do IBGE de 2020, já que este ano ainda não há esses dados.
Na Capital, segundo a enfermeira e aplicadora no Albano Franco Fábia da Silva de Abreu, ontem foi um dia bom, com cerca de 25 aplicações de primeiras doses. Para ela, a redução das mortes tem ajudado a incentivar que pessoas que ainda não tomaram nenhuma vacina procurem um local de imunização.
“Hoje [ontem] foram mais de 20 pessoas até agora. Teve um período que a recusa era grande, mas com vários dias sem óbito e a retomada das coisas, isso chama atenção. Não estamos sentindo mais aquela rejeição do começo, graças a Deus”, afirmou.
Mato Grosso do Sul ficou ao menos cinco dias sem registrar mortes por Covid-19, o maior período desde o início de abril do ano passado, quando o intervalo foi de sete dias.
Mesmo com esses dados, ainda há quem só procure a vacina por obrigação, como foi o caso de Rafael Amorim, 36 anos.
“Vou começar em um emprego novo e eles exigiram o comprovante de vacinação. Eles falaram que sem esse papel não entra, eu não ia tomar, não. Eu tive Covid-19, tentei tomar a vacina, mas falaram que tinha que ter um prazo e foi passando o tempo. Na minha casa ninguém se vacinou”, contou Amorim, que estava na fila do drive-thru.
Já Wilson Eodas, 43 anos, afirmou que pegou a doença em junho, chegou a ficar mal e esperou se recuperar totalmente para tomar a vacina. “Falei para o pessoal de casa que assim que eu melhorasse bem eu iria, não tinha tanta emergência, já tinha pegado o vírus mesmo. O único da casa que ainda não tinha sido vacinado era eu, mas agora eu vim”.
A recomendação dos médicos é para que pessoas que tenham tido a doença esperam 30 dias da alta médica para tomar a vacina. (Colaborou Rafaela Moreira)