Diante do crescimento nos atendimentos por síndromes respiratórias, Campo Grande já registra 93,1% de ocupação dos leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) destinados ao tratamento de coronavírus.
Das 29 vagas para UTIs Covid-19 habilitadas no sistema público de saúde, 27 estavam em uso ontem. Conforme a Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau), a taxa global de internação está em 94% na Capital, com 486 leitos clínicos públicos preenchidos, dos 504 oferecidos.
Conforme o presidente do Programa de Saúde e Segurança da Economia (Prosseguir), Eduardo Riedel, o Estado não vai adotar, neste momento, medidas restritivas para conter o avanço do coronavírus e da H3N2.
“Nosso objetivo é medir, monitorar, acompanhar e tomar as decisões em função dos números e da realidade, e não iremos tomar nenhuma medida de restrição ou fechamento de qualquer atividade que seja”, afirmou.
O governo descartou, ainda, a exigência do passaporte vacinal, haja vista que “o aumento exponencial de Covid-19 não tem se traduzido em aumento proporcional de internação”, completou Riedel.
Referência no atendimento de casos de Covid-19, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) tinha ontem apenas dois leitos vagos na UTI destinada ao tratamento de Covid-19.
“Nós já temos uma ala inteira de enfermaria com 45 leitos praticamente preenchidos, além de duas ilhas do centro de terapia intensiva [CTI] que tínhamos reservado completamente cheias”, disse o diretor-presidente do HRMS, Livio Leite.
O HRMS deve reservar nos próximos dias mais 30 leitos de enfermaria para o tratamento do coronavírus.
Conforme Leite, apesar de o aumento de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAGS) estar diretamente ligado às festas de fim de ano, a nova onda de contágio deve ser menos agressiva por conta do avanço da vacinação contra a Covid-19.
LINHA DE FRENTE
Pelo menos, 48 profissionais de saúde estão afastados de suas funções na Capital, em decorrência do contágio por gripe ou coronavírus, conforme levantamento do Correio do Estado. O HRMS tem 18 funcionários diagnosticados com coronavírus.
De acordo com o diretor-presidente da instituição, Livio Leite, na última semana, entre os dias 2 e 8 de janeiro, houve um aumento significativo no atendimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAGS).
Apenas na Santa Casa, de 1° a 10 de janeiro de 2022, 45 funcionários fizeram testes para Covid-19, sendo 24 positivos. Já para influenza, foram realizadas até esta segunda-feira 21 coletas, sendo seis positivas.
Por ora, a instituição tem seis pacientes em isolamento, aguardando confirmação do resultado para Covid-19 ou influenza.
Em nota, a Santa Casa afirmou que não enfrenta problemas para preencher as escalas de atendimento, “mas, quando isso ocorre, o hospital consegue resolver quando há uma baixa demanda, fazendo o remanejamento de profissionais de outros setores, sem que essa ausência influencie na rotina assistencial dos pacientes”.
Conforme o presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS), Marcelo Santana, já é possível notar o aumento de casos de síndromes gripais nos profissionais de saúde por conta da epidemia de H3N2 e alta circulação viral da Covid-19.
“O que percebemos é que pela efetividade das vacinas, a gravidade dos quadros está menor. Quem chega a ser internado em sua maioria não foi vacinado ou apresenta muitas comorbidades”, disse.
A Unimed Campo Grande informa que, com a explosão de atendimentos no Pronto Atendimento de Síndrome Respiratória do Hospital Unimed Campo Grande, a cooperativa dobrou o número de profissionais para dar assistência aos pacientes.
Na sexta-feira (7), o diretor-presidente da instituição, Maurício Simões Corrêa, em alerta à população, afirmou que o número de consultas saltou de 50 atendimentos por dia em dezembro, para 300 atendimentos diários na primeira semana de janeiro, o que representa um aumento de 500%.
O tempo de espera por atendimento é de quatro a seis horas no hospital. Conforme a Unimed, a maioria dos casos de síndrome respiratória são leves. A taxa de ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) está em 46%.
O titular da SES, Geraldo Resende, pontuou que o número de casos de gripe e coronavírus deve aumentar nas próximas semanas. “Estamos trabalhando em diretrizes para reverter essa situação e intensificar a testagem”, disse.
CASOS
Dados do boletim epidemiológico apontam que o Estado registrou mais 1.306 casos positivos para coronavírus ontem, sendo 1.033 na Capital. A média móvel está em 702,9 casos por dia, nos últimos sete dias. Em 10 dias de janeiro, a SES confirmou cinco mortes por Covid-19 em MS.
Desde o início da pandemia, 9.743 sul-mato-grossenses morreram por Covid-19. A SES registrou, mais 175 casos de influenza em MS. Não houve registro de novas mortes pela doença. Desde o dia 21 de dezembro, foram registradas 12 mortes por H3N2 no Estado.