Campo Grande amanheceu sem transporte coletivo nesta terça-feira (21), após paralisação inesperada de motoristas de ônibus.
Terminais amanheceram fechados e veículos não saíram das garagens. Com isso, trabalhadores e estudantes enfrentaram dificuldades para chegar no trabalho, escola ou faculdade.
A greve prejudicou cerca de 100 mil usuários que dependem da condução diariamente.
O advogado, Rodrigo Perini, afirmou ao Correio do Estado que, conforme determina leis trabalhistas, funcionários que não comparecerem ao trabalho, por falta de locomoção, podem levar falta, de acordo com o artigo 10, V da Lei de Greves.
“A greve não pode ser total, então parte dos transportes coletivos devem continuar, pois são serviços essenciais. Então os trabalhadores não conseguem justificar as faltas por conta da greve. Portanto, devem comparecer ao trabalho, podendo ter o dia descontado como falta caso não compareça”, detalhou.
Caso o funcionário opte por solicitar corrida por aplicativo, táxi ou mototáxi, a empresa não é obrigada a assumir o valor, mas, que pode ser algo combinado entre empregador e empregado.
Como não houve aviso prévio da paralisação, os trabalhadores e empregadores podem conversar e chegar a um acordo quanto a atrasos, mas a lei não prevê abonos.
Caos
Conforme noticiado pelo Correio do Estado, Campo Grande pode ficar sem ônibus novamente nesta quarta-feira (22), caso o Consórcio Guaicurus não pague o vale, que deveria ter sido honrado nesta segunda-feira (20).
O Consórcio Guaicurus afirmou que não sabe de onde irá tirar o dinheiro para honrar o salário dos motoristas e que acionará entidades financeiras, estado, município e a justiça.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande, Demétrio Ferreira, disse que os motoristas estão resistes e que só voltarão a trabalhar quando o salário for pago.
"Se não pagar hoje, amanhã também está parado. Vamos ter problema com Ministério Público, os caras vão vir pra cima, não quero nem saber, eles vão ter que atender a categoria".
De acordo com o diretor presidente da Agências Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), Odilon de Oliveira Junior, a greve prejudica aproximadamente 100 mil usuários do transporte coletivo, que dependem da condução diariamente.
Cinco milhões de pessoas utilizam o transporte coletivo por mês em Campo Grande.