Cidades

PONTA PORÃ

TJ aumenta penas de delegados do 'balcão' desmantelado em delegacia do interior de MS

Acusados sabiam e tinham vantagens em esquemas onde escrivães e policiais vendiam drogas apreendidas

Delegados, bem como outros policiais, ligados ao esquema que montou um "balcão de negócios" em delegacia do interior de Mato Grosso do Sul em 2022, tiveram suas penas ampliadas na última semana, porém, cabe apontar que o processo junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) ainda cabe recurso. 

Passados mais de dois anos desde a operação do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado, batizada de "Codicia", os nomes de Patrick Linares e Rodrigo Blonkowski voltaram à borbulhar na mídia cerca de 30 meses após serem alvos do Gaeco. 

Vale lembrar que, em 25 de abril de 2022 a "Operação Codicia" buscava desmantelar esse esquema que envolvia desde cobrança de propina por parte dos policiais, para liberação de veículos à vítimas, até mesmo venda das drogas que eram apreendidas pela 2ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã. 

Em celebração, o Ministério Público detalha o esquema, dizendo que os agentes de segurança transformaram a "maior delegacia civil de Ponta Porã" como um verdadeiro balcão de negócio, lembrando que a unidade chegou a suspender atendimento ao público na operação durante as buscas e prisão de boa parte do efetivo. 

A sentença de primeiro grau foi reformada há uma semana, por desembargadores da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que acataram recurso ministerial para condenar à prisão dois delegados que passaram pela chefia de delegacias de Ponta Porã.

Enquanto um dos delegados já acumulava duas determinações de perda de cargo e passa, agora, a ter uma pena de mais de 15 anos - ambos com regime fechado -, o outro detentor do cargo mais alto investigado pela "Codicia" tem prisão definida de oito anos e cinco meses. 

Relembre

Sendo outros dois policiais foram sentenciados a 4 anos e 3 meses de reclusão, as apuerações do Gaeco convenceram o Judiciário não só das práticas criminosas, como a "vista grossa" à corrupção generalizada dos comandados, além de considerar "pior ainda" os delegados saírem beneficiados diretamente no esquema. 

Pelo menos desde maio de 2021 -, quando alguns policiais civis da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã cobraram "pix" para só depois fazer a restituição de uma carreta às respecitvas vítimas - as investigações se debruçaram sobre a possibilidade de esquema na unidade. 

Durante 10 meses as investigações apontaram para essas ações criminosas, que envolviam tanto policiais aponsentados como da ativa, usando a delegacia para obter vantagens patrimoniais indevidas, principalmente na gestão de veículos apreendidos. 

Importante ressaltar que a região de atuação da 2ª DP é uma das principais portas de entrada para o tráfico de entorpecentes no Brasil, devido a facilidade de entrada e saída entre Ponta Porã e a cidade paraguaia de Pedro Juan Cabalejo.

Quanto ao tráfico de drogas que acontecia na delegacia, as investigações mostram que os entorpecentes eram retirados do depósito da delegacia por um escrivão, depois repassada para outros policiais comparsas para ser comercializada.
**(matéria editada posteriormente para atualização)

 

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