A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul informou, no final da tarde desta sexta-feira (26), que identificou o corpo de Marcelo Pereira de Barros, 59 anos, piloto da aeronave que caiu no Pantanal.
O primeiro a ter o corpo identificado foi o do cineasta Rubens Crispim Júnior.
Durante a manhã, como noticiado pelo Correio do Estado, os corpos das vítimas foram transferidos do Núcleo Regional de Medicina Legal de Aquidauana para o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), em Campo Grande.
O traslado dos corpos para a capital sul-mato-grossense ocorreu para a realização de exames complementares.
Segundo informações do IMOL, após o processo de identificação, os corpos de Marcelo Pereira de Barros e do cineasta Rubens Crispim Júnior estão liberados para os procedimentos funerários.
Já o cineasta chinês Kongjian Yu deve demorar, devido à cultura chinesa, que requer a presença de um familiar é necessária para que a perícia seja realizada. No entanto, segundo nota do Imol, o corpo será submetido a necrópsia e coleta de material com autorização da Embaixada da China no Brasil.
“A Polícia Científica reforça o compromisso de aplicar todos os recursos técnicos disponíveis para garantir respostas seguras e céleres às famílias enlutadas.”
Acidente
O avião que levava uma equipe de documentaristas à região da fazenda Barra Mansa, localizada a cerca de 100 quilômetros da área urbana de Aquidauana e onde foram filmadas as duas versões da novela Pantanal, caiu no final da tarde desta terça-feira (23), explodiu e os quatro ocupantes morreram.
De acordo com informações do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil, os corpos ficaram carbonizados devido à explosão. A tragédia ocorreu próximo da pista de pouso e a suspeita inicial é de que o piloto, Marcelo Pereira de Barros, que também seria proprietário do avião, tenha tentado arremeter instantes antes do pouso, mas a aeronave perdeu potência e acabou caindo.
Conhecido como Marcelo Pantaneiro, o piloto tinha vasta experiência no transporte aéreo de turistas pela região pantaneira. Natural de São Paulo, se dizia apaixonado pela região pantaneira e por isso tinha longo histórico em sobrevoar as áreas naturais de Aquidauana, atividade que unia sua profissão à admiração pela natureza local.
Irregularidades
O avião no qual estavam o piloto e mais três ocupantes tinha um longo histórico de irregularidades, conforme revelam investigações do setor de Operações Aéreas do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), departamento da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
O Cessna, conforme revela o site A Princezinha, de Aquidauana, á havia sido apreendido em 2019, durante a Operação Ícaro, na pista de pouso de Aquidauana. Na época, exames periciais teriam atestado que plaquetas de identificação estavam adulteradas e que o avião operava com certificado de aeronavegabilidade cancelado.
Depois de apreendido, o avião ficou sob os cuidados do DRACCO por três anos e foi devolvido ao piloto Marcelo Pantaneiro, como é conhecido, em 2022. O piloto e proprietário do avião é um dos mortos no acidente.
Cabe ressaltar que, de acordo com as informações iniciais da Agência Nacional de Aviação Civil(ANAC), o avião Cessna, prefixo PT-BAN, fabricada em 1958, não estava habilitada para fazer o serviço de táxi aéreo.
Outro caso
A tragédia desta terça-feira ocorreu oito dias depois do acidente que no dia 16 resultou na morte do pecuarista e médico Ramiro Pereira de Matos, de 67 anos. O médico pilotava sua própria aeronave, que saiu de Araçatuba e caiu próximo da divisa de Mato Grosso do Sul com Mato Grosso, no Pantanal.