Cidades

Planta Exótica

Prefeitura inicia erradicação da murta em área urbana em MS

A remoção ocorre porque a planta exótica é hospedeira da bactéria que afeta a citricultura

Laura Brasil

31/01/2026 - 12h22

Com a lei que determina a erradicação da murta (Murraya paniculata), a Prefeitura Municipal de Sidrolândia iniciou a retirada, em área urbana, da planta considerada um risco para a citricultura.

Sancionada pelo governador Eduardo Riedel a Lei nº 6.293, de 22 de agosto de 2024, que proíbe o plantio, o comércio e o transporte da murta em Mato Grosso do Sul.

A murta (Murraya paniculata) é uma espécie de planta exótica, conhecida popularmente como dama-da-noite, que possui folhas verdes e flores brancas ou rosa-claro.

A planta é conhecida por exalar uma fragrância fresca e aromática. Apesar de parecer inofensiva, é hospedeira da bactéria causadora da doença dos citros denominada huanglongbing (HLB), considerada uma das doenças mais graves e destrutivas da citricultura mundial, uma vez que ataca todos os tipos de citros e, até o momento, não possui tratamento curativo para as plantas doentes.

Divulgação: Prefeitura Municipal de Sidrolândia

Retirada

No município, localizado a 70 quilômetros de Campo Grande, a retirada está sendo executada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Sedema), pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Semaa) e pela Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), em parceria com a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro). As equipes iniciaram os trabalhos de remoção da murta (Murraya paniculata) em áreas públicas.

Por meio das redes sociais, a Prefeitura de Sidrolândia tem orientado a população sobre os riscos que a planta exótica representa para a citricultura.

Com o enrijecimento da legislação, gigantes do setor encontraram em Mato Grosso do Sul segurança para instalar fábricas e realizar o plantio, transformando o Estado no chamado “vale dos citros”.

A medida atende à Lei Municipal nº 2.309, de 2025, que, em consonância com a legislação estadual, trata da proibição da planta.

Divulgação: Prefeitura Municipal de Sidrolândia

Entenda

A legislação foi instituída como medida de defesa fitossanitária da citricultura, considerando que a murta é planta hospedeira de pragas que afetam diretamente a produção de citros, especialmente o HLB (greening), uma das doenças mais severas da citricultura.

A atuação do município ocorre de forma integrada e complementar às ações do Governo do Estado, seguindo as orientações técnicas da Iagro, conforme previsto na legislação vigente.

Vale da citricultura

Os produtores iniciaram a transferência da produção para Mato Grosso do Sul após terem tido as plantações afetadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

Para se ter ideia, o greening afetou quase 80% da produção na região conhecida como Cinturão Citrícola, em São Paulo, no ano de 2024.

O Triângulo Mineiro, que também faz parte do cinturão, embora tenha registrado uma incidência de casos menor que a de São Paulo, precisou ser monitorado, conforme levantamento da Fundecitrus.

Com isso, a Cutrale, que possui sede em Araraquara (SP), transferiu parte de sua produção para terras sul-mato-grossenses, com um investimento de R$ 500 milhões no plantio de 5 mil hectares em uma fazenda Aracoara, localizada entre Sidrolândia e Campo Grande.

Cabe ressaltar que a empresa já possuía pomares na região e, a depender da proporção da produção, uma indústria de processamento de suco de laranja no Estado pode ser viabilizada.

A expectativa, segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), é que, até abril de 2026, a fazenda da Cutrale tenha 4,8 mil hectares plantados, com estimativa de produção, em oito anos, de 8 milhões de caixas de laranja por ano.

A quarta a anunciar a vinda foi a Citrosuco, que possui sede em Matão (SP), com investimentos anunciados de R$ 2,1 bilhões.

Outros grupos, como o Junqueira Rodas, sediado em Monte Azul (SP), também estão investindo na plantação de laranja, enxergando o potencial de Mato Grosso do Sul, especialmente pela legislação firme no combate ao causador da doença huanglongbing (HBL), conhecida como greening dos citros.

O Grupo Junqueira Rodas, que, em abril de 2024, apresentou um projeto de plantio de 1,5 mil hectares nos municípios de Paranaíba e mais 2,5 mil Naviraí, ou seja, um total de R$ 400 milhões. 

E o mais recente anúncio foi da empresa Cambuhy Agropecuária (Grupo Moreira Salles), que confirmou o investimento de R$ 1,2 bilhão no Estado, que é considerado o “novo cinturão citrícola” do Brasil.

 

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