Cidades

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A galope

A galope

Redação

22/01/2010 - 08h06
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Nos tempos idos, um dia os sábios criaram a frase que segundo a qual o castigo vem sempre a cavalo. Baseavam-se, certamente, na velocidade equina, uma vez que naquelas épocas não existiam os poderosos e velozes veículos de hoje. Portanto, o cavalo era o que existia de mais rápido, respaldando de verdade o muito antigo dito popular. Pois bem. A nossa egrégia Câmara Municipal acabou de sentir os efeitos práticos desse quase provérbio popular: mal deu entrada, no Judiciário, com pedido de liminar contra a suposta redução do duodécimo do Legislativo, já levou o seu castigo. O juiz Ricardo Galbiati, da Vara da Fazenda Pública, negou, de pronto, a solicitação. Argumentando, de forma correta, que não se pode decidir nenhum pedido do tipo que se fez, com base em não mais do que meras suposições e puras especulações. “O que há, claramente, é impetração de segurança contra uma lei em tese”. A argumentação do procurador-geral da Câmara de Campo Grande apresenta, como justificativa, a suposição de que o duodécimo será menor. E que, por isso mesmo, os recursos a ser disponibilizados serão insuficientes para administrar a Casa de Leis. A redução de recursos é, na verdade, simples dedução do que prescreve a Emenda Constitucional 58, que criou milhares de vagas a mais em todos os legislativos brasileiros, numa decisão que causou polêmica. No caso específico de Campo Grande, se um Legislativo com 21 vereadores pouco ou quase nada faz, qual a verdadeira necessidade de se aumentar esse número para 28 edis? Na época da votação da PEC 58, os presidentes municipais de legislativos não disseram sequer uma palavra de protesto contra a emenda constitucional. Silenciaram-se, mesmo sabendo que ela previa o aumento do número de vereadores e a redução do percentual a ser repassado pelas prefeituras para manter funcionando as gigantescas (e pouco necessárias casas de lei). A PEC não estipula a redução do “quantum” a ser repassado às Câmaras. Certamente sabendo que, ano após ano, o montante só aumenta, de forma considerável. E que, portanto, mesmo caindo o percentual, dificilmente cairá o montante de recursos, em função até mesmo do crescimento das receitas municipais. Ano passado, a presidência da Câmara Municipal de Campo Grande devolveu ao prefeito Trad Filho cerca de R$ 3 milhões que teriam sobrado dos repasses mensais da prefeitura, acumulados ao longo do ano e que não foram gastos, porque não havia despesas. Sinal claro de que não há como se falar em falta de dinheiro, para sustentar novos vereadores no futuro e, muito menos, para a atual composição. No caso do Legislativo campo-grandense, o castigo não apenas veio a cavalo, como veio a galope.

PROPOSTA NA MESA

Prefeitura de Corumbá avalia criação de grupo para consultar imposto territorial rural

Em 2025, o ITR arrecadado em Corumbá foi de cerca de R$ 25 milhões

12/03/2026 17h00

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Em um movimento para aprimorar a transparência e engajamento da sociedade na gestão fundiária e tributária, foi entregue ao prefeito de Corumbá, Doutor Gabriel, a proposta que cria uma comissão consultiva para avaliar o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).

A comissão servirá como um canal permanente de diálogo entre os produtores rurais e o poder público para garantir que a integridade na base de cálculo do imposto. O foco é favorecer medidas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do Pantanal.

Em 2025, o ITR arrecadado em Corumbá foi de cerca de R$ 25 milhões. O alinhamento para que essa comissão possa ser criada ocorreu a partir de discussão realizada durante a 27ª Feira Internacional Agropecuária e Cultural do Pantanal (Feapan), realizada em outubro de 2025.

Com a presença do Sindicato Rural, o objetivo é subsidiar informações no processo de levantamento do Valor da Terra Nua (VTN), dado que serve de base para o ITR, para que não haja distorções que ignorem as peculiaridades geográficas do Pantanal.

Com a proposta oficialmente apresentada, a Prefeitura de Corumbá agora passa a tramitar com a análise do pedido. Ainda não há prazo definido para deliberação.

Participaram da entrega da proposta, o Sindicato Rural de Corumbá em trabalho conjunto com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Sustentável, por meio da Secretaria Executiva de Produção Rural. 

Diálogo e segurança jurídica no campo

A proposta desta Comissão Consultiva representa a transparência da formatação do imposto, bem como um aumento da participação da sociedade.

A comissão terá representantes da Prefeitura de Corumbá (Finanças, Desenvolvimento Econômico, Procuradoria Jurídica), Sindicato Rural de Corumbá, alguma cooperativa agrícola interessada, profissional técnico da área agronômica ou ambiental, representante da Receita Federal.

Impacto na economia do Pantanal

Corumbá detém um dos maiores rebanhos bovinos do Brasil e o setor da pecuária é um importante fomentador da economia pantaneira. Esse avanço em andamento construído em parceria busca aprimorar três pontos:

  • justiça fiscal: diferenciação técnica entre pastagens nativas, áreas formadas e zonas de reserva ambiental;
  • redução de contenciosos: favorecer a economia e a geração de riqueza a partir da produção do campo;
  • investimento local: garantir que o recurso arrecadado (que pode ficar 100% no município via convênio com a Receita Federal) seja aplicado para aprimorar estruturas de Corumbá.

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Ministério Público

MP investiga plano de saúde por punir médicos que indicaram cirurgia para paciente idosa

De acordo com a cooperativa, os médicos indicaram uma cirurgia que não possuía cobertura pelo plano

12/03/2026 16h45

UNIMED tem 15 dias para apresentar esclarecimentos ao MP

UNIMED tem 15 dias para apresentar esclarecimentos ao MP FOTO: Gerson Olivera/Correio do Estado

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O Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu uma investigação para apurar se a cooperativa UNIMED puniu de forma indevida médicos que indicaram um procedimento considerado necessário para uma paciente idosa. 

A investigação começou após a paciente de 82 anos, que possui várias comorbidades, ser indicada a realizar um procedimento médico cardíaco após avaliação clínica e cardiovascular. 

Os dois médicos teriam recomendado que a idosa realizasse a Troca Valvar Aórtica por via Transcateter (TAVI), um procedimento minimamente invasivo usado para tratar problemas graves na válvula do coração. 

Segundo os profissionais, essa era a alternativa mais segura, já que a cirurgia tradicional apresentava alto risco de mortalidade para a paciente. 

Após a indicação médica, a operadora do plano de saúde negou a cobertura do procedimento, alegando que o TAVI não estaria incluído no rol mínimo de procedimentos obrigatórios definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). 

Diante da negativa da UNIMED, a família da paciente recorreu à Justiça, que concedeu uma liminar autorizando a realização do procedimento, que foi realizado com sucesso. 

No entanto, mais tarde, os dois médicos que indicaram a cirurgia foram alvo de processo administrativo disciplinar dentro da própria cooperativa médica, acusados de solicitar um procedimento que não estaria coberto pelo plano. 

Como resultado, receberam advertência confidencial. Em um dos casos, uma médica cardiologista ainda foi punida com a determinação de ressarcir o valor total da cirurgia, que ultrapassou R$ 140 mil. 

Os médicos afirmaram que agiram de acordo com o Código de Ética Médica e que informaram à paciente e à família sobre todas as opções de tratamento, riscos e custos envolvidos. 

Eles também argumentaram que não incentivaram a judicialização do caso e que a decisão de acionar à Justiça foi tomada exclusivamente pela família após a negativa da UNIMED. 

Também questionaram a forma como o processo disciplinar aconteceu, alegando haver tratamento desigual, já que ambos participaram da indicação do procedimento, mas receberam punições diferentes. 

Em decisão, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que os procedimentos indicados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) não devem ser vistos como limitação absoluta, servindo como referência mínima e não pode impedir um tratamento necessário quando há prescrição médica fundamentada e comprovação científica da eficácia do tratamento.

Assim, regras internas de cooperativas não podem se sobrepor a garantias constitucionais de proteção à saúde e aos direitos do consumidor. 

Com a abertura do Inquérito Civil, a Promotoria de Justiça do Consumidor quer verificar se houve prática abusiva por parte da operadora, especialmente em relação à punição dos médicos. 

A investigação busca, ainda, avaliar se regras internas da operadora podem ter sido usadas de forma indevida para restringir tratamentos médicos ou penalizar profissionais que agiram com base em critérios técnicos.

A empresa foi notificada e deverá apresentar esclarecimentos ao Ministério Público em até 15 dias. 


 

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