Cidades

ENTREVISTA

‘A proposta é paralisar para se pensar num novo modelo de gestão de pesca’, diz biólogo

‘A proposta é paralisar para se pensar num novo modelo de gestão de pesca’, diz biólogo

CRISTINA MEDEIROS

13/04/2014 - 18h00
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O tema “paralisação da pesca” em Mato Grosso do Sul voltou à cena e, claro, sempre com a turma do contra e a do a favor. Nesta última, está o biólogo, especialista em biologia de peixes neotropicais, Thomaz Lipparelli, que já exerceu o cargo de superintendente da Pesca, no Estado. Autoridade no assunto, ele fala, nesta entrevista, porque é a favor da moratória de cinco anos para a pesca em Mato Grosso do Sul. Entre os argumentos, o de que haja tempo de se ter os estudos necessários para um novo ordenamento pesqueiro, novas estratégias, novas regulamentações da atividade.

CORREIO PERGUNTA
A pesca é um dos setores importantes da economia de MS. Há pelo menos 15 anos, o senhor é um estudioso dos rios e defende a paralisação imediata da pesca no Estado. Por quê?

Thomaz Lipparelli – A paralisação da pesca é provisória, momentânea, para que haja tempo de se ter os estudos necessários para um novo ordenamento pesqueiro, que constitui novas estratégias, novas regulamentações da atividade. Não há possibilidade de se desenvolver um novo padrão, um novo modelo de gestão em pesca se não tirarmos os atores que, atualmente, estão atuando na atividade pesqueira, principalmente aqueles mais vulneráveis, que no caso são os pescadores profissionais. Então, defendo a moratória – ou um período de paralisação – para que o órgão, o Estado, como um todo possa redefinir as estratégias das políticas de pesca para as atividades ou para o Estado de MS. Neste período, é preciso que se pense não só num modelo de gestão, mas nas alternativas de trabalho e renda para os pescadores, sobretudo aos pescadores ribeirinhos. É bem diferente: pescador profissional é uma coisa e pescador ribeirinho é outra. O profissional, quase 70% ou 80% são oriundos de cidades, pessoas que têm uma atividade profissional e exercem a atividade pesqueira como uma complementação na sua renda. Nossa preocupação é com o profissional ribeirinho. Que nesta paralisação de 5 anos tenha-se políticas voltadas a estes pescadores ribeirinhos, que se dê assistência a eles.

Se nada for feito, os ribeirinhos podem até ficar sem ter o que comer.

Podem ficar, mas neste caso, tem que se abrir a exceções. E o porquê da pesca profissional? Ela, hoje, está montada dentro de uma estrutura da década de 70. Há necessidade de se criar um novo modelo de gestão de pesca para MS.

Isso já existe em algum outro estado?

Não, MS sempre foi o expoente, sempre inovou, lançou novidades. Por exemplo: o período de defeso [no qual se protegem os peixes para a piracema] foi criado em MS e acabou sendo adotado no País como um todo. Nós temos que inovar, temos que ter, em momento de crise, a capacidade de propor soluções.

É o que está faltando.

A proposta é: paralisar para se pensar num novo modelo de gestão de pesca para Mato Grosso do Sul. Outra questão equivocada é a dos representantes dos pescadores, de que eles devem ampliar seu quadro de associados. Isso não faz bem para os próprios associados, já que se estaria ampliando o número de pescadores. Deveria ser o contrário, restringir para garantir aquilo que é necessário para manter estas populações. Mas os dirigentes dos sindicatos optaram por ampliar as suas bases em todo o Estado, e o resultado, hoje, vi na mídia, é ter mais de 8 mil pescadores. Isso é um absurdo. Nós fizemos um pente fino, abrimos mais de mil processos na Polícia Federal contra estes falsos pescadores. Nós tínhamos 1,7 mil, quando nós deixamos, cadastrados com uma carteira, que é uma autorização ambiental. Porque há uma outra questão também. Eles estão questionando novamente um assunto que já foi pauta, discutido e resolvido. O governo federal, por meio do Ministério da Pesca, oferece uma carteira de identidade profissional. A atividade da pesca é uma atividade a ser licenciada, precisa que o órgão local emita um documento chamado autorização para a pesca. Este é um ato previsto na legislação. E as pessoas exaltadas e, principalmente, aqueles que desconhecem a matéria acham que não, que é necessário ter apenas uma carteira, o que não é verdade. É preciso ter uma carteira de identidade profissional para ter direitos aos seus benefícios, previstos em lei. É preciso ter uma autorização ambiental para o exercício da atividade. Não estamos falando em mercadoria, mas numa atividade ambientalmente sustentável.

O que as autoridades no assunto não levaram em consideração, ao longo dos anos, para que a situação chegasse a este ponto? As hidrelétricas colaboraram com o problema?

As autoridades tomaram decisões equivocadas. O modelo de gestão que foi adotado é o modelo da pesca profissional industrial, que foi mantido. Este é o lado ruim. Quanto às hidrelétricas não ofereceram problemas, pelo menos não no Pantanal. Na Bacia do Rio Paraná sim, com certeza. Mas na Bacia do Rio Paraguai, na Hidrelétrica do Manso, por exemplo, foi feito um estudo detalhado e conseguiram calibrar o sistema de abertura e fechamento das comportas, para não comprometer o fluxo migratório das espécies. E o Manso é hoje uma referência internacional, graças a estes estudos, que mostram que é possível compartilhar a conservação e a exploração, mas com critérios. O grande problema em Mato Grosso do Sul é que nós não temos estudos, essa é a verdade. Nós temos um grupo de estudiosos, numa instituição pública federal que emite boletins. Mas não são estudos, são apenas opiniões técnicas daqueles que estão ali. Para o estudo, você tem que ter mapeamento maior, uma estrutura maior. Em 2005, nós criamos o Centro de Monitoramento de Recursos Pesqueiros, para atender a esta demanda que já estava efervescendo, que é a questão da moratória. O que fazer? Vamos fechar e vamos fazer o que? Vamos estudar. Então, montamos o centro, foi uma parceria entre os governos de MT, MS, com a participação de universidades públicas e privadas, de ambos os estados, e conseguimos juntar 18 pesquisadores envolvidos com a questão de monitoramento. Nós estávamos tecnicamente prontos, com decreto publicado no Diário Oficial, buscando emenda parlamentar para a construção do centro. E deixamos tudo para o atual governo. Ao que parece, não foi considerado prioritário.

A moratória de 5 anos é tempo suficiente para que se realinhe o setor, não só na recuperação de espécies, como na manutenção de estratégias para que isso não ocorra mais?

O tempo é curto, mas é suficiente para, primeiro, você capacitar os pescadores profissionais, para que eles, quando retornarem, tenham a opção de voltar ou não para a atividade pesqueira. Se voltar, será com uma nova mentalidade, com uma nova postura em relação à sua atividade, com mais informações sobre a conservação dos estoques. Isso é possível em cinco anos. Do lado do empresário da área de turismo de pesca, ele não seria afetado. Acredito que implantando o pesque e solte, onde peixe nenhum pode ser embarcado, se retirem todos os modelos de armazenamento de peixes dentro das embarcações, não há problema algum. O que se pescou se come e pronto. Assim como o pescador ribeirinho. Ele também terá sua atividade pesqueira, ele continuará pescando para o seu sustento, mas não pode comercializar. O pescador desportivo, que vai com seu próprio carro, pode continuar pescando, mas não pode embarcar pescados. Com estas medidas é suficiente. Agora, é necessário também que o governo crie uma nova política de gestão de pesca. Ele tem que se reequipar. A fiscalização é precária. Precisamos ampliar os investimentos da Polícia Militar Ambiental, capacitando mais sua equipe técnica, novos equipamentos, melhorar o grau de informação, trabalhar com inteligência, o que hoje não se consegue. Os recursos continuam sendo poucos, há uma desmotivação da tropa porque a legislação é muito flexível. O indivíduo é apreendido e, com a legislação, juridicamente, em uma semana, consegue sair e volta a praticar tudo de novo. Então, é preciso ter um arcabouço jurídico reformulado, punição mais severa para aquele que for pego praticando pesca predatória. Porque este período vai ser considerado como pesca predatória. Então, a pesca esportiva controlada, o pescador ribeirinho sabendo de suas limitações, o pescador profissional sendo capacitado, treinado e mantido o seu seguro desemprego durante este período todo, cabe só ao Estado reequipar e enfrentar o momento de crise com soluções. E como trazer soluções? Nós temos que inovar. Mas nada a ser inventado, pois já existem experiências muito boas. A minha defesa é de implantar em MS o sistema de cotas após a moratória, que será muito bem-vindo, e no mundo todo já é feito assim. Então, não há necessidade de se ampliar a atividade pesqueira se você tem limites. A moratória tem que ser vista assim, que tenha os estudos necessários para definirmos quando pode pescar, quem pode pescar, o peixe que vai poder retirar, qual equipamento será utilizado, que época será feita estas pescas. E, claro, aí tem todo o lado social, têm os programas, a questão econômica também, para quem vai vender, para que não haja atravessadores. Mais uma coisa importante, que eu acho que vale a pena colocar: se fizermos tudo isso não haverá nenhum resultado se os países limítrofes – Paraguai e Bolívia – também não cumprirem o atual acordo existente, um tratado internacional de conservação dos recursos pesqueiros da Bacia do Rio Paraguai. Porque a pesca predatória acontece no território brasileiro, mas o produto que é extraído, os peixes, eles são exportados para os países vizinhos, que exportam novamente para o Brasil, como se fosse uma produção deles.

O ministro da Pesca e Aquicultura, Eduardo Lopes, afirmou que não existe base técnica que justifique a moratória e enfatizou que esses setores, por dependerem efetivamente da preservação dos recursos pesqueiros, normalmente promovem a conservação do Pantanal e querem a paralisação. O que o senhor tem a dizer sobre a posição do órgão que representa o setor?

O ministério da Pesca está focando suas atividades no Estado, no sentido de ampliar a produção de pescado em cativeiro. Isso é muito positivo. Aliás, esta é uma das mais importantes alternativas para os nossos pescadores ribeirinhos: produzirem pescados também. As cidades que estão nesta região ou que têm a atividade da pesca profissional deveriam estar investindo nesta área também. O ministro, provavelmente, desconhece a realidade. Os estudos existem, mas são todos pulverizados nas universidades. Não existe um centro de informações: nem o governo do Estado e nem o federal têm um centro de informações dos estoques pesqueiros de MS. Eu acho que o Ministério da Pesca e o governo do Estado, junto ao Ibama, Ministério do Meio Ambiente e Ministério do Turismo, deveriam criar o Centro de Monitoramento de Recursos Pesqueiros, porque nós estamos falando de um bioma que é único no mundo todo. Estamos falando de um lugar pequeno, extremamente frágil, que tem uma atividade econômica muito importante que é a pecuária, que está substituindo os herbívoros que existiam no passado e que foram extintos na região, mas que precisa de um olhar diferenciado. Acho que a primeira coisa a ser feita é o recadastramento destes pescadores para identificar de fato quem são eles. Aí, então, projetar uma política específica para este contingente. 

1.050 m²

Campo Grande terá o primeiro templo mórmon no Carandá Bosque

Atualmente, Capital tem apenas capelas; Templo será erguido em terreno de 22,7 mil metros quadrados, com área construída de 1.050 m²

14/10/2026 18h17

Templo terá cerca de 1.050 metros quadrados de área construída

Templo terá cerca de 1.050 metros quadrados de área construída Foto: Divulgação / A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

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Campo Grande terá o primeiro templo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos. Conforme divulgado pela Primeira Presidência da igreja em seu site oficial e redes sociais, o templo será construído no bairro Carandá Bosque.

O Templo de Campo Grande foi anunciado pelo Presidente da igreja, Russell M. Nelson, na Conferência Geral  no dia 6 de Abril de 2025. Agora, foram divulgados os projetos artísticos.

O projeto prevê a construção de um templo térreo com 1.050 metros quadrados, em terreno de aproximadamente 22,7 mil metros quadrados, localizado no cruzamento da Avenida Nelly Martins, Rua Cigana e Rua Rio Negro.

A Capital já possui capelas da instituição, onde os fiéis se reúnem para os cultos regulares. Os templos têm outra finalidade religiosa e são destinados a cerimônias específicas e, até então, não há nenhum em Campo Grande.

Não há informações sobre quando a obra será iniciada.

No Instagram, um perfil criado para o novo templo divulgou o projeto junto à seguinte mensagem: "A Igreja disponibilizou a apresentação artística do Templo de Campo Grande. Somos gratos pelas bençãos que temos recebido em nossa cidade!"

Além da nova igreja em Campo Grande, também foi divulgado o projeto de um templo em Goiãnia, a ser construído em um terreno de 22,4 mil metros quadrados, no bairro Faiçalville, com 1.750 metros quadrados de construção.

O Brasil tem aproximadamente 1,5 milhão de membros da Igreja, distribuídos em mais de 2 mil congregações.

Atualmente, há 12 templos em funcionamento em todo o País, e outros 13 foram anunciados ou estão em construção.

O templo é diferente das capelas, sendo considerado a Casa do Senhor, onde os ensinamentos de Jesus Cristo são reafirmados por meio do casamento, do batismo e de outras cerimônias que permitem que as famílias sejam unidas por toda a eternidade.

Templo terá cerca de 1.050 metros quadrados de área construídaTemplo será construído em terreno no Carandá Bosque

RIOS EM ALERTA

Chuvas elevam rios de MS e Miranda fica a 24 cm do nível de emergência

Levantamento do Imasul mostra aumento no nível de rios do Estado; Rio Miranda subiu 81 centímetros em dois dias e já ultrapassou a cota de alerta.

14/10/2026 18h01

Vista aérea do Rio Miranda, em Mato Grosso do Sul; nível das águas subiu 81 centímetros em dois dias e está a apenas 24 centímetros da cota de emergência.

Vista aérea do Rio Miranda, em Mato Grosso do Sul; nível das águas subiu 81 centímetros em dois dias e está a apenas 24 centímetros da cota de emergência. Foto: Álvaro Rezende/Governo de MS.

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O nível do Rio Miranda, em Mato Grosso do Sul, subiu 81 centímetros em apenas dois dias e está a somente 24 centímetros de atingir a cota de emergência. A situação é um dos principais pontos de atenção do monitoramento realizado pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), conforme boletim divulgado às 15h desta quarta-feira (14), em meio ao período de chuvas intensas que atinge diferentes regiões do Estado.

De acordo com o levantamento elaborado pela Sala de Situação do Imasul, o Rio Miranda alcançou 6,76 metros na medição realizada às 7h desta quarta-feira, ultrapassando em 76 centímetros a cota de alerta, estabelecida em 6 metros. O nível considerado de emergência é de 7 metros.

A elevação foi registrada de maneira consecutiva. Na segunda-feira (12), o rio estava em 5,95 metros, passando para 6,49 metros na terça-feira (13) e chegando aos atuais 6,76 metros. Somente nas últimas 24 horas, a alta foi de 27 centímetros.

O avanço das águas chama a atenção pela proximidade com o nível considerado crítico. Apesar disso, o boletim não informa a ocorrência de transbordamentos, famílias desalojadas ou danos provocados pela elevação do rio.

O monitoramento ocorre em um momento de instabilidade no tempo em Mato Grosso do Sul, com previsão de novas tempestades, rajadas de vento e possibilidade de acumulados superiores a 50 milímetros de chuva em 24 horas em determinadas localidades.

A preocupação das autoridades está relacionada à possibilidade de novas alterações nos níveis dos rios, especialmente nos pontos que já ultrapassaram ou se aproximam dos limites de alerta.

Rio Dourados também sobe e se aproxima da cota de alerta

Além do Rio Miranda, outros rios de Mato Grosso do Sul também registraram aumento no nível das águas nos últimos dias. Um deles é o Rio Dourados, que atingiu 2,85 metros nesta quarta-feira (14), ficando a apenas 25 centímetros da cota de alerta, estabelecida em 3,10 metros.

Vista aérea do Rio Miranda, em Mato Grosso do Sul; nível das águas subiu 81 centímetros em dois dias e está a apenas 24 centímetros da cota de emergência.
Rio Dourados registra elevação no nível das águas e chega a 25 centímetros da cota de alerta, conforme monitoramento do Imasul nesta quarta-feira (14). Foto: Reprodução Rede Social.

O comportamento das águas apresentou oscilações ao longo da semana. Na segunda-feira, o nível estava em 2,68 metros, recuando para 2,55 metros na terça-feira. Entretanto, na medição desta quarta-feira, houve uma recuperação de 30 centímetros em relação ao dia anterior.

Apesar do crescimento, o rio permanece abaixo do limite de alerta e distante da cota de emergência, fixada em 4 metros.

Situação semelhante foi observada no Rio Pardo, na estação de Fazenda Buriti. O nível passou de 4,45 metros na segunda-feira para 4,53 metros na terça e alcançou 4,61 metros nesta quarta-feira, representando um aumento de 16 centímetros em dois dias.

A medição mais recente permanece 69 centímetros abaixo da cota de alerta, estabelecida em 5,30 metros. O limite de emergência da estação é de 6,30 metros.

No Rio Piquiri, a estação de São José do Piquiri apresentou crescimento mais discreto, passando de 1,85 para 1,89 metro no mesmo período.

Mesmo com a elevação, o nível continua próximo da média histórica de outubro, calculada em 1,95 metro, e distante das cotas de alerta e emergência, estabelecidas em 5,20 e 5,80 metros, respectivamente.

Na estação de Pousada Taquari, também localizada no Rio Piquiri, as medições avançaram de 2,35 para 2,39 metros entre segunda e quarta-feira.

O resultado permanece abaixo da média histórica de outubro, de 2,75 metros. O Imasul também identificou que a média móvel do nível nessa estação está fora dos padrões considerados normais para o período.

Rio Paraguai registra elevação em três pontos do Pantanal

Na região do Pantanal, o Rio Paraguai também apresentou aumento no nível das águas nas três estações acompanhadas pelo boletim. Apesar disso, nenhuma delas atingiu as respectivas cotas de alerta.

Em Ladário, o rio alcançou 1,27 metro nesta quarta-feira, depois de permanecer em 1,25 metro nos dois dias anteriores. O nível segue distante do limite de alerta, estabelecido em 4,50 metros, e da cota de emergência, de 4,60 metros.

Na estação de Porto Esperança, o crescimento foi gradual. A medição passou de 60 centímetros na segunda-feira para 62 centímetros na terça e chegou a 65 centímetros nesta quarta-feira.

Nesse ponto, a cota de alerta é de 5 metros, enquanto o nível de emergência está estabelecido em 5,60 metros.

Já em Porto Murtinho, o Rio Paraguai atingiu 2,83 metros, após registrar 2,82 metros nos dois dias anteriores. A estação tem limite de alerta de 6,40 metros e cota de emergência de 7 metros.

Os dados de Porto Murtinho são obtidos por meio das informações disponibilizadas pela Marinha do Brasil.

Embora os três pontos apresentem tendência de elevação, as medições permanecem significativamente abaixo dos limites utilizados para identificar possíveis situações de risco.

O acompanhamento é importante porque o comportamento do Rio Paraguai varia ao longo de seu percurso e pode apresentar diferenças entre as localidades monitoradas, especialmente em razão das características do Pantanal.

Chuva acumulada ultrapassa 80 milímetros em áreas monitoradas

Além dos níveis dos rios, o boletim divulgado pelo Imasul apresenta informações sobre os volumes de chuva registrados em estações distribuídas pelo Estado.

Em Ladário, no Pantanal, foram contabilizados 80,2 milímetros de chuva nos últimos sete dias. Desse total, 34,4 milímetros ocorreram nas últimas 96 horas e 9 milímetros nas 24 horas anteriores à medição.

Na estação de Palmeiras, no Rio Aquidauana, o acumulado semanal chegou a 71,6 milímetros. Somente nas últimas 24 horas, foram registrados 21,6 milímetros.

Já em São Francisco, no Rio Paraguai, o volume acumulado alcançou 60,4 milímetros em sete dias, sendo 37,2 milímetros registrados nas últimas 96 horas.

Em Miranda, apesar da elevação expressiva do rio, a estação meteorológica registrou apenas 9,8 milímetros de chuva nos últimos sete dias, dos quais 0,4 milímetro ocorreu nas últimas 24 horas.

A diferença entre os volumes registrados e o comportamento dos rios mostra a importância de considerar não apenas as chuvas locais, mas também as condições das áreas que contribuem para a formação e a elevação dos cursos d'água.

Isso ocorre porque a água que chega a determinado trecho de um rio pode ter origem em precipitações registradas em outras localidades de sua bacia hidrográfica.

Rio Apa

Em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, o volume de água acumulado durante a madrugada e a manhã de terça-feira provocou a elevação do Rio Apa, comprometendo a ponte localizada no Assentamento Boa Vista.

Vista aérea do Rio Miranda, em Mato Grosso do Sul; nível das águas subiu 81 centímetros em dois dias e está a apenas 24 centímetros da cota de emergência.

Ponte do Assentamento Boa Vista, em Ponta Porã, sofre danos após a elevação do nível do Rio Apa e é interditada pela Prefeitura. Foto: Reprodução.

 

Diante dos danos identificados na estrutura, a Prefeitura determinou a interrupção da passagem de veículos e pedestres como medida preventiva.

Servidores da Secretaria Municipal de Obras estiveram no local para avaliar as condições e impedir a circulação até que haja segurança para a utilização da ponte.

A situação permanece sob acompanhamento das autoridades municipais, principalmente porque as chuvas voltaram a atingir a região durante a madrugada, após um período de redução das precipitações.

Previsão de novas tempestades mantém monitoramento

A possibilidade de continuidade das chuvas nos próximos dias mantém a atenção sobre o comportamento dos rios de Mato Grosso do Sul.

Segundo as informações meteorológicas apresentadas pelo Imasul, algumas localidades podem registrar acumulados superiores a 50 milímetros em um intervalo de 24 horas, acompanhados de raios, rajadas de vento e eventual queda de granizo.

Esse cenário exige acompanhamento principalmente nos pontos que já apresentam níveis elevados, como o Rio Miranda, e naqueles que se aproximam dos limites de alerta.

Atualmente, a rede estadual reúne 14 estações de monitoramento distribuídas pelas bacias dos rios Paraguai e Paraná. Os dados são obtidos pelo Sistema Hidro, mantido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), e permitem verificar diariamente as mudanças nos níveis.

As medições também são comparadas com os limites de alerta e emergência estabelecidos para cada estação, que variam conforme as características dos locais monitorados.

No Rio Aporé, em Cassilândia, a estação está em processo de desativação e não apresentou atualização nesta quarta-feira. Para esse ponto, as cotas de referência são de 1,50 metro para alerta e 2 metros para emergência.

O acompanhamento realizado pela Sala de Situação do Imasul permite identificar antecipadamente mudanças que merecem atenção, especialmente diante da previsão de novos episódios de chuva intensa.

No caso do Rio Miranda, a próxima medição será particularmente importante para verificar se a tendência de elevação continuará e se o nível das águas poderá se aproximar ainda mais da cota de emergência.

Nem todos os rios estão subindo: Taquari e Aquidauana registram queda

Enquanto parte dos rios de Mato Grosso do Sul apresenta elevação, outros seguem em movimento contrário.

É o caso do Rio Taquari, em Coxim, que registrou queda de 21 centímetros entre segunda e quarta-feira.

No primeiro dia do levantamento, o nível estava em 4,11 metros, acima da cota de alerta, estabelecida em 4 metros. Na terça-feira, a medição caiu para exatamente 4 metros e, nesta quarta-feira, recuou novamente, chegando a 3,90 metros.

Com isso, o rio passou a ficar 10 centímetros abaixo do limite de alerta e 1,10 metro distante da cota de emergência, fixada em 5 metros.

A redução também foi observada no Rio Aquidauana, na estação localizada no distrito de Palmeiras.

Nesse ponto, o nível caiu de 3,28 metros na segunda-feira para 2,84 metros na terça e 2,77 metros nesta quarta-feira. A diferença representa uma diminuição de 51 centímetros em dois dias.

A estação possui cota de alerta de 4,50 metros e de emergência de 6,50 metros, permanecendo abaixo dos dois limites.

As diferenças entre os rios mostram que o comportamento das águas não é uniforme em Mato Grosso do Sul, mesmo durante períodos de instabilidade climática.

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