Empreendimento já teve diferentes prazos para início das obras e inauguração, mudou de endereço e chegou a receber alvará, mas construção segue sem se concretizar na Capital.
Anunciado como um novo polo de compras, lazer e serviços para uma das regiões mais populosas de Campo Grande, o Shopping Cidade Morena atravessa anos de anúncios, mudanças no projeto e adiamentos sem que a estrutura prometida tenha se consolidado no terreno da Avenida Gury Marques.
A história do empreendimento atual remonta, oficialmente, a fevereiro de 2017. Naquele ano, representantes do grupo paulista Ícone Costa Hirota (ICH) apresentaram à Prefeitura de Campo Grande um projeto inicialmente batizado de Plaza Moreninhas, com capacidade para 124 lojas e previsão de construção em quatro etapas.
O plano era instalar o centro comercial na Moreninha II. Na apresentação feita ao então prefeito Marquinhos Trad, os responsáveis afirmaram que os projetos de arquitetura e marketing já estavam desenvolvidos e que o empreendimento se encontrava na fase de obtenção das licenças e demais documentos.
Na ocasião, o lançamento oficial estava previsto para o segundo semestre de 2017. Depois disso, seriam necessários 42 meses para a execução das etapas até a inauguração. O cronograma, porém, não se concretizou.
Projeto mudou de endereço
Com o passar dos anos, o empreendimento sofreu uma alteração importante. O shopping deixou de ser planejado para o terreno originalmente escolhido na região das Moreninhas e foi transferido para uma área na região do Bairro Centro Oeste, na Avenida Gury Marques, nas proximidades da Avenida dos Cafezais.
O próprio projeto também cresceu e passou a ser divulgado como Shopping Cidade Morena.
Em 2020, o empreendimento voltou a ganhar visibilidade. Outdoors instalados na região anunciavam a chegada do centro comercial, enquanto o terreno permanecia sem obras.
Naquele momento, a proposta divulgada previa um terreno de aproximadamente 63 mil metros quadrados e estrutura significativamente maior do que aquela apresentada à Prefeitura três anos antes.
A mudança de terreno exigiu ainda uma nova etapa de projetos e licenciamentos. Em 2021, registros relacionados ao licenciamento ambiental já apontavam a implantação no novo endereço.
Segundo explicação dada posteriormente por representantes do empreendimento, a localização na Gury Marques foi escolhida principalmente pela maior visibilidade e possibilidade de atender não apenas as Moreninhas, mas bairros de toda a região sul da Capital.
Promessa de inauguração em 2025
Uma nova expectativa surgiu no começo de 2023. Naquele momento, a administração do Shopping Cidade Morena informou que as negociações comerciais haviam começado em outubro de 2022 e que cerca de 20 lojas já estavam confirmadas.
A previsão anunciada era ambiciosa: iniciar a construção nos meses seguintes e inaugurar o empreendimento no primeiro semestre de 2025.
O projeto apresentado naquele período previa aproximadamente 150 operações, entre lojas âncoras, megalojas, restaurantes, fast-foods e lojas satélites.
Também estavam previstos cinema, praça de alimentação com 1,5 mil lugares, estacionamento com cerca de 860 vagas, espaço de eventos e áreas de entretenimento.

Projeção mostra como deverá ficar o Shopping Cidade Morena, previsto para a Avenida Gury Marques, em Campo Grande. Foto: Reprodução Instagram Shopping Cidade Morena.
A construção, entretanto, continuava dependendo das autorizações necessárias.
Alvará chegou em 2023
Um dos principais entraves burocráticos parecia ter sido superado em 2023. Em julho daquele ano, o projeto recebeu alvará de construção da Prefeitura de Campo Grande.
A autorização permitia que a empresa avançasse para a implantação efetiva do empreendimento.
Em setembro, a expectativa divulgada era de que as obras começassem ainda no segundo semestre daquele ano.
A ICH chegou a informar que apresentaria, dentro dos três meses seguintes, um cronograma detalhado para a execução da construção.
Isso também não aconteceu dentro do período inicialmente anunciado.
Em janeiro de 2024, meses depois da autorização, o terreno continuava sem um canteiro de obras efetivamente instalado.
À época, a Prefeitura informou que documentos como o alvará de construção e a licença prévia ambiental haviam sido emitidos e que, do ponto de vista dessas autorizações, os trabalhos poderiam começar.
Datas foram novamente adiadas
Em março de 2024, a empresa apresentou outra estimativa. O início da construção ocorreria dentro de nove a 12 meses, entre o segundo semestre daquele ano e o começo de 2025.
A previsão de inauguração também mudou: passou para o segundo semestre de 2026.
Poucos meses depois, em agosto, veio outro adiamento.
A ICH atribuiu a postergação a dificuldades para obter liberações necessárias e informou que projetos complementares de elétrica, hidráulica, exaustão e sistema de ar-condicionado estavam sendo contratados.
O início das obras foi então projetado para o fim de 2024, com a possibilidade de avançar para 2025 caso os projetos exigissem mais tempo.
No entanto, em novembro daquele ano, na área havia vegetação e um outdoor anunciando as “futuras instalações” do empreendimento. Naquele momento, havia ainda uma nova questão burocrática.
A então Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano informou que o licenciamento ambiental havia vencido e que um novo pedido havia sido protocolado em 7 de outubro de 2024.
O alvará de construção, por sua vez, havia sido renovado.
A empresa informou que pretendia apresentar o cronograma oficial na segunda quinzena de janeiro de 2025 e apontou que o começo dos trabalhos dependeria também do encerramento do período de chuvas.
Terreno chegou a ser cercado
No fim de dezembro de 2024, o terreno apresentou uma das primeiras mudanças visíveis dos últimos anos.
A área foi cercada e recebeu uma placa da construtora Maksoud Rahe, apontada como uma das empresas envolvidas na construção.
À época, o investimento previsto foi estimado em cerca de R$ 300 milhões, com expectativa de geração de aproximadamente 2 mil empregos diretos.
Ainda assim, a colocação da estrutura de isolamento não significava, por si só, que a construção do prédio havia começado.
A última previsão pública localizada para o cronograma apontava conclusão no último trimestre de 2026.
O prazo havia sido divulgado em 2024, quando a expectativa ainda era de início das obras entre o fim daquele ano e o começo de 2025.
Atualmente, o site oficial do Shopping Cidade Morena continua ativo e apresenta o endereço do empreendimento como Avenida Gury Marques, 7.176, em Campo Grande.
A página utiliza a expressão “construção em andamento” e mantém aberta a captação de interessados em instalar lojas no futuro centro comercial.
A ficha atualmente divulgada pelo empreendimento prevê 19,4 mil metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL) na abertura, com possibilidade de expansão para 28,1 mil metros quadrados.
Outro Cidade Morena também ficou no papel
O nome Shopping Cidade Morena, porém, já havia aparecido em Campo Grande antes do empreendimento da região sul, em um projeto completamente diferente.
Em 2011, um grupo empresarial anunciou a construção de um shopping com o mesmo nome no quadrilátero formado pela Avenida Calógeras e pelas ruas Cândido Mariano, Dom Aquino e 14 de Julho, na região central.
O projeto previa aproximadamente 300 lojas, 85 mil metros quadrados de área construída e 1,3 mil vagas de estacionamento.
Naquele momento, a previsão era começar as obras ainda em 2011 e inaugurar o shopping no início de 2013.
O empreendimento nunca foi construído. Anos depois, o terreno passou a funcionar como estacionamento.
Apesar do nome idêntico, não se trata do mesmo empreendimento atualmente projetado para a Avenida Gury Marques.
O atual shopping está ligado ao projeto apresentado pelo grupo Ícone Costa Hirota à Prefeitura em 2017, inicialmente denominado Plaza Moreninhas.
Região aguarda empreendimento
A expectativa em torno do Shopping Cidade Morena está diretamente relacionada ao tamanho da população atendida na região sul de Campo Grande.
Desde a apresentação inicial, o projeto é defendido pelos responsáveis como uma alternativa para criar um polo estruturado de comércio, alimentação, serviços e entretenimento distante dos principais centros comerciais já existentes na Capital.
No site oficial, os responsáveis estimam uma área de influência de aproximadamente 250 mil moradores e destacam a distância de cerca de 10 quilômetros até a região central como um dos fatores que justificariam a implantação do empreendimento. Os números são estimativas apresentadas pelo próprio shopping.
Enquanto a construção não avança, moradores da região seguem na expectativa pela concretização do empreendimento.
Além de ampliar as opções de comércio e serviços, o Shopping Cidade Morena é projetado para oferecer espaços de lazer, entretenimento e convivência, com cinema, praça de alimentação e outras operações.
Para uma região distante dos principais shoppings de Campo Grande, a abertura representaria também uma nova alternativa de lazer mais próxima de casa, reduzindo a necessidade de deslocamento para outras áreas da Capital.
Entre apresentação de projetos, mudança de terreno, licenciamento, alvará, renovação de documentos e sucessivas previsões para início dos trabalhos, passaram-se quase dez anos desde a apresentação oficial do Plaza Moreninhas, em 2017.
Agora, em 2026, o empreendimento chega justamente ao período que já foi anunciado como prazo para sua conclusão.
A concretização do projeto, entretanto, depende do avanço efetivo das obras e de um cronograma atualizado dos responsáveis pelo Shopping Cidade Morena.
O que dizem os envolvidos
O Correio do Estado procurou a Prefeitura de Campo Grande para obter informações atualizadas sobre a situação dos alvarás, licenciamentos e eventuais pendências relacionadas ao empreendimento.
A reportagem também entrou em contato com a empresa responsável pelo Shopping Cidade Morena para questionar o estágio atual do projeto, os motivos dos sucessivos adiamentos e a nova previsão para o início e a conclusão das obras.
Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.