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GRANDES EVENTOS

Caos na organização de megashow pode gerar enxurrada de ações

Milhares de fãs da banda ficaram presos na BR-262 e perderam evento; mau planejamento pode gerar onda de processos

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Após milhares de fãs terem perdido o show da banda americana Guns N’ Roses na noite de quinta-feira, Campo Grande teve expostos problemas na mobilidade urbana para receber eventos desse porte e mau planejamento na logística viária deve acumular diversos processos judiciais contra as empresas organizadoras e os órgãos públicos. Essa situação pode gerar uma enxurrada de ações judiciais.

Com estimativa aproximada de 40 mil pessoas, já era esperado pelas autoridades um fluxo intenso de veículos na BR-262, o único acesso ao Autódromo Internacional Orlando Moura.

Tanto que, dias antes do evento, ocorreu uma reunião entre todas as forças de trânsito municipais, estaduais e federais, justamente para alinhar o planejamento viário para a região. Contudo, as coisas saíram do controle.

Em dias normais, o deslocamento de carro do centro de Campo Grande até o autódromo é de aproximadamente 30 minutos, mas, na quinta-feira, o tempo estimado do trajeto chegou a ultrapassar cinco horas.

Para conseguir chegar a tempo no local, muitos tiveram que descer do veículo em que estavam e percorrer dezenas de quilômetros a pé ou de moto por aplicativo. 

Para piorar, milhares não conseguiram chegar e perderam a oportunidade de assistir de perto uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, o que resultou em inúmeros relatos nas redes sociais.

O professor do curso de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Sandro Oliveira explica que os casos enfrentados pelo público na noite de quinta-feira devem ser analisados sob a ótica do Direito do Consumidor e do Direito Administrativo.

Para ele, a situação trata-se de falha na prestação de serviço, o que atrai a responsabilidade objetiva da organização do evento.

“Quem não conseguiu assistir ao show pode pleitear restituição do ingresso, além de danos morais e materiais. Já nos casos envolvendo problemas de trânsito e logística urbana, é possível também a responsabilização do Estado, desde que demonstrado que houve falha no planejamento ou na execução do serviço público”, disse.

Vale destacar que a Secretaria Executiva de Orientação e Defesa do Consumidor de Mato Grosso do Sul (Procon-MS) iniciou procedimento de investigação preliminar para averiguar eventuais responsabilidades da empresa promotora do evento.

Depois de notificada, a organizadora terá 20 dias para apresentar um posicionamento.

O advogado André Borges disse que a situação foi grave, prejudicando inclusive a imagem da cidade para aqueles que vieram de fora apenas para assistir ao show. Além disso, destacou que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) pode apurar de quem foi a falha.

“Existe um único órgão que pode investigar amplamente de quem foi a falha, que é o Ministério Público, a quem cabe, essencialmente, a defesa da ordem jurídica e que representa todos, especialmente os consumidores lesados”, afirmou o especialista jurídico.

MOBILIDADE

Para o arquiteto e urbanista Fayez José Rizk, o evento foi um fracasso e algumas lições devem servir de exemplo para o futuro. Em especial, o especialista afirma que a mobilidade urbana deve ser levada mais a sério pelas autoridades públicas nas organizações e que o insucesso da logística era esperado.

“Mobilidade urbana não é só trânsito. Dito de maneira diferente, trânsito não se confunde com mobilidade urbana, é apenas um componente. Mas esse é um conceito desconhecido pela maioria das autoridades, e a realidade é que nem a prefeitura, a quem cabe a planejar, operar e fiscalizar essa mobilidade, tem realmente um departamento de mobilidade urbana. Aliás, nem o Estado tem, diga-se de passagem”, pontuou.

Um outro especialista na área de Arquitetura e Urbanismo, o profissional Ângelo Arruda afirma que Campo Grande tem capacidade para receber eventos deste porte, mas tudo requer planejamento prévio e boa execução.

De acordo com ele, o maior desafio estrutural da Capital para episódios como este é o estacionamento.

A solução de Arruda era ter limitado uma área específica da cidade distante do local do show para acomodar os carros e transportar o público por meio de ônibus particulares.

Por fim, o especialista disse que o lugar ideal para receber eventos neste formato é o Estádio Universitário Pedro Pedrossian, o Morenão, mas que está impossibilitado em função das obras inacabadas e da situação de abandono.

VERSÕES

A Polícia Rodoviária Federal (PRF), principal responsável pelo planejamento viário e fiscalização no dia do evento, indicou que o congestionamento quilométrico no único acesso ao Autódromo Internacional Orlando Moura foi causado por culpa das decisões da organização do show.

Conforme a instituição, estavam previstas múltiplas vias de acesso aos estacionamentos, com entradas simultâneas de veículos e fluxo contínuo, mas teria acontecido o contrário na quinta-feira, destacando quatro pontos para que a situação saísse do controle e resultasse no aumento do congestionamento.

São eles: houve apenas uma via efetiva de acesso aos estacionamentos, com entrada de veículos de forma individualizada; controle de acesso com leitura de QR code na entrada, medida previamente desaconselhada pela PRF, por provocar filas; não havia sinalização adequada para orientar os condutores; e a abertura dos estacionamentos ocorreu com atraso em relação ao horário divulgado.

Por sua vez, a organização colocou a culpa do caos nos órgãos públicos, já que “a organização privada não possui competência legal para intervenção em rodovias federais ou no sistema viário urbano”, trouxe nota enviada pela assessoria de imprensa horas depois do ocorrido.

A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), que também participou do debate envolvendo as forças viárias, limitou-se a dizer que “todas as forças de trânsito atuaram de forma conjunta ao longo da operação, buscando garantir a segurança viária e a melhor fluidez possível diante do elevado número de veículos concentrados em um mesmo horário”.

Por último, o Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) explicou que os agentes da instituição apenas apoiaram a ação coordenada pela PRF e, por isso, não se posicionariam oficialmente sobre o caso.

RELATOS

O caos na entrada do show prejudicou pessoas como Renata Nascimento, de 44 anos, que saiu de casa com sua filha e marido em direção ao autódromo às 17h30min, cerca de três horas antes do horário previsto para começar a exibição do Guns N’ Roses. Porém, de acordo com o relato dela ao Correio do Estado, o trânsito não permitiu que o show dos sonhos da família se concretizasse.

“Nós ficamos seis horas naquele trânsito horrível. Quase na metade, a gente ainda tinha um pouco de esperança que ia andar um pouco mais, e a gente só vendo o pessoal descendo a pé, largando os carros. A gente ficou bem chateado quando era mais ou menos meia-noite, nós estávamos perto da entrada do condomínio Terras do Golfe, foi aí que a gente parou e falou assim: ‘Bom, não vai adiantar a gente prosseguir’”, comentou.

Ela conta que sua filha Eduarda, de 14 anos, e seu marido Nelson, de 45 anos, estavam muito empolgados para acompanhar a exibição. A fim de receber os cerca de R$ 2 mil que gastou nos três ingressos, Renata afirma que vai acionar o Procon-MS na segunda-feira e espera receber o ressarcimento integral.

Outro relato que a reportagem recebeu foi sobre a situação de quem foi contratado pela empresa organizadora para trabalhar no evento como freelancer.

De acordo com a fonte, foram 120 pessoas contratadas e foi prometida condução para ir e voltar do autódromo, com começo do trabalho às 14h e término próximo da meia-noite.

“Ficamos horas sem água e não foi oferecida alimentação. Disseram que poderíamos usar apenas um banheiro químico, em condições precárias, depois liberaram outros, mas, ainda assim, em situação ruim.

Fomos contratadas para validar ingressos, mas muitas pessoas tiveram que assumir outras funções”, contou.

“Por volta da meia-noite paramos de trabalhar, já exaustos. Fomos orientados a aguardar o transporte de volta, mas o ônibus simplesmente não apareceu. Disseram que o motorista teria ido embora por causa do trânsito. A partir daí, começaram a improvisar. Falaram que estavam tentando vans, que nunca chegavam”, completou a fonte.

O relato ainda conta que muitos dos freelancers tiveram de pedir carona para desconhecidos durante a madrugada para conseguirem chegar em casa, resultando em quase 18 horas de trabalho para receber cerca de R$ 170 pelo serviço.

No fim, alguns pediram aumento para a contratante, que apenas disse que não era responsável pela situação e que os atrasos foram de apenas alguns minutos.

*Saiba

A fila quilométrica de veículos que começava ainda dentro de Campo Grande fez muitas pessoas abandonarem os seus carros, vans e ônibus e optarem por seguir a pé até o Autódromo, ou mesmo de moto por aplicativo.

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Investigação

Fábricas de cigarros ilegais foram fechadas em MS e outros 17 estados

Pesquisa aponta que 10% do mercado de tabaco irregular no Brasil pertencem a fábricas clandestinas que se utilizam de mão de obra paraguaia

13/05/2026 08h08

DIVULGAÇÃO/BANCO MUNDIAL/ONU

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Além de ser rota de entrada para os cigarros paraguaios, Mato Grosso do Sul também abriga fábrica clandestina de cigarros ilegais. Além do Estado, levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) aponta que, desde 2007, 75 locais já foram fechados em fiscalizações.

Divulgado recentemente, o Mapa do Contrabando, feito pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf), aponta, com base em dados da Abifumo, que mais de 75 fábricas e 100 depósitos clandestinos de cigarros foram fechados em fiscalizações pelo Brasil, além da apreensão de 57 máquinas de produção no período de 2007 a 2025.

Ainda conforme a publicação, as fábricas clandestinas foram flagradas em: Mato Grosso do Sul, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

“Tivemos várias operações que flagraram fábricas clandestinas de marcas paraguaias funcionando no território brasileiro. Eles usam as marcas paraguaias, o fumo de lá, maquinário, e até mão de obra de paraguaios, que muitas vezes trabalham em regime análogo à escravidão. Mas esses cigarros também são falsificações dos vendidos lá e já teve relato de facções envolvidas nessas fábricas”, afirmou o presidente do Idesf, Luciano Barros.

De acordo com Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), o crescimento do consumo desse tipo de produto incentivou a criação de um mercado paralelo, com a vinda de maquinário e de fumo do Paraguai para que os cigarros fossem feitos no País, o que reduz o custo para estados mais distantes da fronteira.

A instalação dessas fábricas clandestinas, que falsificam inclusive as marcas paraguaias que entram ilegalmente no País, segundo ele, contribuiu para que este mercado chegasse a movimentar R$ 10,3 bilhões em um ano.

“No ano passado esse mercado de cigarro paraguaio movimentou R$ 10,3 bilhões, e 10% desse valor vêm das fábricas clandestinas e das fábricas de devedores contumazes”, contou o presidente do Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade ao Correio do Estado.

Segundo Vismona, os devedores contumazes são fábricas devidamente registradas no País, mas que não pagam os impostos, mesmo podendo operar, o que, na visão do setor, causa um favorecimento das marcas.

Na visão do presidente do Fórum, a atuação contra esses grupos deve ser feita sobre duas óticas, a da oferta e a da demanda.

“A oferta pode ser reduzida com articulação das forças policiais para atuar na repressão ao contrabando de cigarros. Esses grupos estão atuando como máfias, estão se infiltrando no País, instalando-se em depósitos, criando um meio de distribuição. Deve haver uma atuação integrada, com troca de informações das forças para fazer um mapeamento permanente desde a fronteira até o ponto de venda. Para isso, é preciso [ter] recursos financeiros e humanos e tecnologia”, analisa Vismona.

“O caso da demanda é o preço, diminuir o imposto aumenta a atração e afasta a demanda por essas marcas ilegais. Acredito que deveria haver um equilíbrio tributário, porque aumentar muito os impostos impacta no preço e isso leva a um aumento da atratividade do cigarro contrabandeado, o que leva a aumentar o lucro ilegal”, completou o presidente do FNCP.

DOF

Na publicação do Mapa do Contrabando, entre as fontes utilizadas, o Idesf ouviu o tenente-coronel Wilmar Fernandes, diretor do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) de Mato Grosso do Sul. Na visão dele, o contrabando de cigarros hoje é feito por uma rede do crime organizado.

“Há caminhões que provêm de furto ou roubo para o transporte, há casos também de aliciamento de agentes públicos para fazer vista grossa e não fazer fiscalização, e eles colocam uma rede de pessoas para avisar onde estão os policiais. É muito bem estruturado. Tem o batedor, o olheiro, o chefe da vila, que entrega a marmita, passa o rádio e telefone para as pessoas que atuam no crime. Toda essa estrutura é para tentar fazer com que a carga saia em segurança e não seja apreendida. Em geral, a maior dificuldade é sair daqui”, disse o tenente-coronel na publicação.

“Sabemos da atuação do CV [Comando Vermelho] e PCC [Primeiro Comando da Capital], porque os produtos que saem daqui [MS] estão sendo vendidos principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Além destas, também tem as Orcrim [organizações criminosas] daqui, que não são intituladas facções, elas têm o seu próprio mercado”, completa Fernandes.

* Saiba

Matéria do Correio do Estado publicada ontem trouxe levantamento que aponta o contrabando de cigarros como tão lucrativo quanto o tráfico de cocaína.

Enquanto o mercado de cigarro-s ilegais movimenta R$ 10,3 bilhões por ano, o tráfico chega a R$ 15 bilhões.

Corrupção

Máfia do Asfalto sumiu com milhões em Campo Grande, diz MP

Operação do Gecoc prendeu 7 pessoas, entre elas, o ex-secretário de Infraestrutura Rudi Fiorese e seu braço direito, Mehdi Talayeh

13/05/2026 08h00

Marcelo Victor/Correio do Estado

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O Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), descobriu um esquema de corrupção milionário na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), que envolvia contratos de tapa-buraco de Campo Grande e resultou na prisão de dois servidores da prefeitura e um ex-titular da Sisep. O esquema que envolvia empresa e servidores funcionava como uma verdadeira “máfia”.

A Operação Buraco Sem Fim, deflagrada ontem, cumpriu 7 mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão, todos na Capital.

De acordo com o MPMS, a ação visa desarticular um esquema de desvio de dinheiro público que estava sendo realizado em contratos de infraestrutura em Campo Grande.

“A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas no Município de Campo Grande, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos”, explica o órgão, em nota.

Entre os presos está Rudi Fiorese, que foi secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande de 2017 a 2023 e atualmente exercia a função de diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), até ser exonerado do cargo horas depois de a operação vir à tona.

Durante o cumprimento das ordens judiciais de busca e apreensão, foram encontrados valores altos em dinheiro vivo, totalizando pelo menos R$ 429 mil. Só no endereço de um servidor havia R$ 186 mil em espécie.

Em outro imóvel, havia R$ 233 mil, também em espécie. Esse dinheiro estaria na casa do ex-secretário Rudi Fiorese, segundo apuração da reportagem.

Ainda de acordo com o MPMS, um levantamento indicou que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada acumulou contratos e aditivos que somam o montante de R$ 113.702.491,02. 

Apuração do Correio do Estado apontou que a empresa alvo da operação é a Construtora Rial, que mantém contratos ativos com a prefeitura até hoje.

Conforme consta no portal da Transparência do Executivo municipal, a empresa é responsável pelo tapa-buraco de quatro das sete regiões da cidade: Anhanduizinho; Bandeira; Imbirussu; e Segredo. Somando o valor original desses contratos e seus aditivos, a parceria atual entre a empresa e a Sisep soma R$ 114.608.571,16.

Vale destacar que o mais recente dos contratos, que abrange a região Bandeira, foi assinado em janeiro deste ano pelo valor de R$ 6.979.892,07 e recebeu um aditivo de R$ 2.057.672,18 apenas 40 dias depois de ter sido celebrado.

Além do ex-secretário, também foram presos os servidores Mehdi Talayeh, engenheiro que atuava com cargo comissionado de assessor executivo da Sisep, e Edivaldo Aquino Pereira, coordenador do serviço de tapa-buraco da secretaria. Ambos foram exonerados no fim da tarde de ontem pela prefeita Adriane Lopes (PP).

Os outros dois servidores presos, Fernando de Souza Oliveira e Erick Antônio Valadão Ferreira de Paula, ainda não foram exonerados de suas funções na Sisep.

Os empresários Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono da Construtora Rial, e Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, pai do sócio da empresa, também foram presos.

VERSÃO

Em nota enviada à reportagem, a Prefeitura de Campo Grande disse que os contratos investigados são da gestão passada e confirmou que os servidores serão exonerados, para que possam apresentar suas defesas sem estar exercendo suas funções na Sisep.

“A Sisep acompanha os trabalhos do Gecoc, de modo a colaborar com a lisura, a transparência e o esclarecimento dos fatos. Os servidores investigados estão sendo exonerados das funções a partir da data de hoje para que apresentem suas defesas. Outras medidas que se fizerem necessárias serão adotadas no âmbito administrativo, para que os serviços de manutenção não sejam paralisados ou comprometidos em função dos acontecimentos”, trouxe note do Executivo municipal.

SEMELHANÇA

Esta não é a primeira vez que os contratos de tapa-buraco são alvo de investigação policial. Em 2015, um vídeo repercutiu na cidade após um funcionário da Selco Engenharia, empresa que prestava serviço de tapa-buraco na época, ser flagrado tapando um buraco inexistente na Capital.

Essa denúncia deu origem a uma força-tarefa que apurou os contratos de tapa-buracos vigentes na época.
No mesmo ano, os contratos foram alvo da Operação Lama Asfáltica, em um dos desdobramentos do MPMS.

A série de investigações resultou em uma ação civil pública por improbidade administrativa, que apurou irregularidades em contratos de tapa-buracos firmados pela Prefeitura de Campo Grande entre 2010 e 2015, concluindo que houve superfaturamento estimado de R$ 6,6 milhões.

Em novembro do ano passado, o ex-prefeito Nelson Trad, empresários, ex-secretários e servidores foram condenados pela prática criminosa, com penalidades que incluem suspensão dos direitos políticos por até 14 anos, multas que chegam a R$ 1,5 milhão, perda da função pública e proibição de contratar com o poder público.

Além desta, a Operação Buraco Sem Fim se assemelha à Operação Cascalhos de Areia, deflagrada em junho de 2023, após ser constatada a “atuação de possível organização criminosa estabelecida para a prática de crimes de peculato, corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro, relativos a contratos para manutenção de vias não pavimentadas e locação de maquinário de veículos junto ao Município, que ultrapassavam o valor de R$ 300 milhões”.

Excetuados Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, todos os presos ontem já haviam sido alvo da Cascalhos de Areia.
 

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