Cidades

Crédito Oculto

Ação mira compra de distribuidora de combustível com dinheiro do crime

Apurações apontam indícios de ocultação patrimonial e dissimulação da origem de recursos para aquisição de distribuidora de combustíveis

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Na manhã desta quinta-feira (24), equipes da Receita Federal, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a Procuradoria Geral de SP, a Polícia Militar e a Polícia Civil deflagraram a Operação Crédito Oculto, que é um desdobramento da Carbono Oculto.

O objetivo da operação é descobrir o modus operandi de estruturas complexas de lavagem dinheiro para a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.

A operação conta com o apoio do Gaeco dos estados de Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Em Campo Grande, viaturas da Gaeco e do Batalhão de Choque foram flagradas em um prédio na frente do shopping na Avenida Afonso Pena.

A ação cumpre mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas, em sete estados: 26 delas em São Paulo e uma em cada um dos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

De acordo com o Estadão, entre os 40 alvos da Operação Crédito Oculto estão o sócio proprietário do Banco Genial Humberto Tupinambá, o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, delator do Banco Master, e o Grupo Entre, usado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para enviar US$ 12,33 milhões para financiar o filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Organização criminosa articulou estrutura complexa para lavagem de dinheiro 

Houve sobreposição de estruturas pela organização criminosa, para, inicialmente, ocultar o controle de uma empresa sucroalcooleira e, depois, a aquisição de uma distribuidora de combustíveis.

Ocultação do controle de empresa sucroalcooleira

A primeira estrutura foi criada para ocultar e dissimular os reais donos de uma usina sucroalcooleira no interior do estado de São Paulo, identificada pela operação Carbono Oculto.

Posteriormente, outro operador financeiro, titular de fintechs e outras empresas, teria utilizado a infraestrutura societária e financeira do seu grupo empresarial, não apenas para a movimentação financeira das empresas da organização criminosa, como para criar novas camadas de ocultação sobre a titularidade da usina sucroalcooleira, entre outras fraudes. 

Embora a titularidade formal da empresa sucroalcooleira estivesse distribuída entre fundos de investimento e outras empresas aparentemente independentes, os elementos reunidos indicam que a estrutura foi organizada para preservar o controle econômico dela sem que os reais beneficiários fossem revelados. 

Um dos principais achados envolve uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. Segundo os levantamentos, uma empresa ligada à sociedade de investimentos adquiriu os créditos mediante a transferência de cotas de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC). A análise financeira indicou que parcela relevante dos recursos empregados na aquisição das cotas se originou de fundos de investimento controlados pelo mesmo grupo investigado. A estrutura teria criado um fluxo financeiro circular, conferindo aparência de legitimidade à operação e dificultando a identificação dos reais beneficiários.

A ocultação da titularidade da usina sucroalcooleira, em duas etapas e por dois grupos de operadores do mercado financeiro, foi providencial não apenas para blindar a usina sucroalcooleira, mas também instrumentalizá-la para a estruturação de um novo negócio jurídico pela organização criminosa: a aquisição de uma das maiores distribuidora de combustíveis do país. 

Aquisição de distribuidora de combustíveis

 As análises econômico-financeiras apontam que a aquisição da distribuidora de combustíveis foi viabilizada por outra estrutura financeira composta por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada, organizada para distanciar os recursos ilícitos utilizados na operação e os seus verdadeiros financiadores e beneficiários econômicos.

A usina teria recepcionado em suas contas bancárias 100 milhões de reais enviados pela organização criminosa para financiar a aquisição. Seguindo modus operandi já apontado pelo Ministério Público de São Paulo, os valores passaram "em poucos minutos" por múltiplas contas gráficas de três empresas do grupo ocultadas por contas bolsões em fintechs, usadas como meras "contas de passagem", até aportarem na conta da usina sucroalcooleira. 

A usina sucroalcooleira passou a integrar a carteira de um novo fundo de investimento criado especificamente para o negócio jurídico. O valor de 100 milhões de reais foi aportado no fundo de investimento.

Depois, a fraude foi arquitetada por intermédio de um certificado de depósito bancário vinculado (CDBV). O fundo de investimento realizou a aquisição de um CDB perante um banco tradicional que, por sua vez, utilizou o dinheiro para realizar uma operação "casada" com a emissão de duas cédulas de crédito bancário para duas empresas de fachada da própria organização criminosa. Essas empresas se capitalizaram mediante o negócio jurídico simulado e foram utilizadas para ocultar e dissimular os verdadeiros beneficiários finais do negócio jurídico, ou seja, a aquisição da distribuidora de combustíveis. 

Também foram utilizados recursos para adquirir integralmente as cotas de um fundo imobiliário. Os imóveis que davam suporte econômico à operação já haviam sido previamente transferidos para empresas patrimoniais e, posteriormente, para fundos imobiliários. Dessa forma, os bens permaneciam sob o controle econômico do grupo investigado, mas deixavam de figurar diretamente em seu patrimônio pessoal, dificultando a identificação de seus reais proprietários e proporcionando blindagem patrimonial.

Segundo os elementos reunidos na investigação, a fintech, a empresa sucroalcooleira, os fundos de investimento, as holdings e as empresas-veículo desempenhavam funções complementares na estrutura. A fintech permitia a circulação e fragmentação dos recursos. A empresa sucroalcooleira recepcionava e incorporava os valores à atividade econômica formal. Já os fundos assumiam a posição econômica de financiadores de fato, as holdings realizavam as aquisições e as empresas-veículo serviam como camada adicional de separação entre a origem dos recursos e os reais beneficiários dos ativos adquiridos. 

Os fundos imobiliários foram utilizados para concentrar imóveis vinculados aos investigados. Além de fornecer garantias e suporte econômico às operações, esses veículos mantinham bens de alto valor em patrimônios segregados, fora da titularidade direta dos investigados, ampliando a blindagem patrimonial e dificultando a visualização do patrimônio efetivamente controlado pelo grupo.

Portanto, a investigação constata a construção e a interligação de múltiplas estruturas de lavagem de capitais, não apenas pela organização criminosa atuante em todo o setor de combustíveis, mas essencialmente por operadores do mercado financeiro que prestam serviços de lavagem de capitais, consistindo em verdadeiras convergências criminosas à disposição de múltiplos grupos criminosos. 

Movimentação de R$ 11,6 bilhões 

A empresa financeira empregada na aquisição simulada da empresa sucroalcooleira movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. O volume financeiro, considerado em conjunto com as demais evidências, reforça os indícios de uso de uma estrutura financeira e de investimentos para ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de capitais.

JUSTIÇA

CNJ cancela R$ 4,7 bilhões em precatórios ligados ao Master

Medida foi motivada por ação da AGU

23/09/2026 20h00

O corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, determinou nesta quarta-feira (23) o cancelamento de precatórios de usinas do setor sucroalcooleiro que negociaram os créditos com o Banco Master

O corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, determinou nesta quarta-feira (23) o cancelamento de precatórios de usinas do setor sucroalcooleiro que negociaram os créditos com o Banco Master Rovena Rosa/Agência Brasil

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O corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, determinou nesta quarta-feira (23) o cancelamento de precatórios de usinas do setor sucroalcooleiro que negociaram os créditos com o Banco Master. Os títulos são avaliados em R$ 4,7 bilhões. 

A medida foi motivada por uma ação da Advocacia-Geral da União (AGU) para cancelar decisões do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, sediado em Brasília, que determinaram o depósito do valor de 16 precatórios em uma conta judicial, sem o trânsito em julgado dos processos que reconheceram a dívida da União.

Na decisão, Benedito Gonçalves afirmou que o CNJ já determinou o cancelamento e o pagamento de diversos precatórios expedidos sem o trânsito em julgado pelos tribunais regionais federais.

"Mais de um ano depois da ordem de cancelamento, esses requisitórios continuam registrados como precatórios bloqueados, com R$ 4,7 bilhões mantidos em contas judiciais", afirmou o corregedor.

O caso dos precatórios bilionários do Master veio à tona após uma reportagem do portal Metrópoles revelar a existência de um contrato de R$ 427 milhões entre o Master e escritório da advogada Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, do TRF1. O valor seria pago em caso de sucesso nas causas referentes ao setor sucroalcooleiro.

O contrato foi encontrado pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. 

Em nota divulgada à imprensa, o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz e Ramos declarou que possui contrato formal com o Master para atuar nos processos que envolvem precatórios, mas não recebeu qualquer pagamento "a título de pró-labore ou de êxito".

"O escritório esclarece também que a taxa de êxito acordada com o banco para atuação nos casos de processos envolvendo precatórios foi de 5%, patamar inferior ao previsto no CPC e no estatuto da OAB", completou. 

O acesso da PF ao celular de Vorcaro também revelou que assessores do ex-banqueiro citaram que a advogada e o desembargador seriam da "Turma do KN", em referência ao ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Após a divulgação das conversas, o ministro declarou que nunca trocou mensagens com Vorcaro nem autorizou ninguém a falar em seu nome. 

Duplo Homicídio

Segundo suspeito de matar e carbonizar 2 mulheres morre em ação policial em MS

Luiz Carlos, conhecido como "Bob Esponja", foi baleado após, segundo a Polícia Militar, reagir à abordagem em Rochedo; outro suspeito havia sido preso horas antes em Rio Negro

23/09/2026 19h10

Polícia durante diligências em Rochedo, onde investigação sobre a morte de duas jovens teve novos desdobramentos nesta quarta-feira (23).

Polícia durante diligências em Rochedo, onde investigação sobre a morte de duas jovens teve novos desdobramentos nesta quarta-feira (23). Foto: Divulgação.

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O segundo suspeito de envolvimento no assassinato de Ellen Vitória Moreira da Cruz, de 20 anos, e Vitória Gabriely Souza Cordeiro, de 18, morreu após ser baleado durante uma abordagem policial no fim da tarde desta quarta-feira (23), em Rochedo.

Identificado como Luiz Carlos e conhecido como “Bob Esponja”, ele era procurado durante as diligências para identificar os envolvidos no duplo homicídio. Horas antes, outro homem apontado como suspeito de participação no crime havia sido preso em Rio Negro.

Segundo as primeiras informações  da Polícia Militar, equipes realizavam buscas quando localizaram Luiz Carlos em Rochedo. Conforme a versão da corporação, ele estava armado e teria reagido à abordagem.

Durante a ação, um policial efetuou um disparo. Luiz Carlos foi atingido e chegou a ser socorrido para o Hospital Municipal de Rochedo, mas não resistiu ao ferimento e teve a morte constatada na unidade de saúde.

Polícia durante diligências em Rochedo, onde investigação sobre a morte de duas jovens teve novos desdobramentos nesta quarta-feira (23).Ellen Vitória Moreira da Cruz, de 20 anos, e Vitória Gabriely Souza Cordeiro, de 18, foram encontradas mortas em uma residência em Rochedo. Foto: Divulgação/Montagem Correio do Estado.

A ocorrência representa o segundo desdobramento das buscas pelos suspeitos do assassinato das duas jovens nesta quarta-feira. Antes da localização de Luiz Carlos, outro homem investigado por possível participação no crime havia sido preso em Rio Negro.

Segundo o delegado Valmir de Moura Fé, responsável pela investigação, o primeiro suspeito preso é conhecido por envolvimento com o tráfico de drogas. Aos policiais, ele afirmou que estava na cidade para comparecer a uma audiência. Após ser localizado, o homem foi detido e levado para Rochedo.

Durante buscas na residência dele, os policiais encontraram um chinelo com marcas de cinzas. O objeto foi apreendido e deverá passar por exames periciais para verificar se existe relação entre os vestígios encontrados no calçado e o local onde os corpos das vítimas foram localizados.

Relembre o caso

Ellen Vitória Moreira da Cruz, de 20 anos, e Vitória Gabriely Souza Cordeiro, de 18, foram encontradas mortas durante a madrugada desta quarta-feira (23), dentro de uma casa na Avenida Evangelina Vieira, em Rochedo.

Os corpos estavam parcialmente carbonizados após um incêndio atingir o imóvel. Conforme as informações preliminares da investigação, as jovens foram esganadas e apresentavam ferimentos provocados por arma branca antes de o fogo ser iniciado.

Vitória Gabriely tinha golpes de faca no tórax, pescoço e costas, enquanto Ellen apresentava ferimento no pescoço e uma lesão na cabeça.

A Polícia Civil apura a participação de outras pessoas no crime e investiga, entre as possíveis linhas, eventual ligação do duplo homicídio com organizações criminosas. A motivação, porém, ainda não foi oficialmente esclarecida.

A Polícia Civil segue com as investigações para esclarecer a dinâmica e a motivação do duplo homicídio, além de determinar a participação atribuída a cada um dos suspeitos.

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