Cidades

RECONHECIMENRO

Águas Guariroba é eleita melhor empresa de saneamento do Brasil para trabalhar

É a terceira vez consecutiva que a empresa fica na frente no ranking Lugares Incríveis para Trabalhar 2022, na premiação do Portal Uol

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A Águas Guariroba foi eleita, pelo 3º ano consecutivo, como a melhor empresa de saneamento para se trabalhar em 2022. 

A premiação - realizada pelo portal UOL e Fundação Instituto de Administração (FIA) – foi divulgada na última sexta-feira (9). 

Com este resultado, a Águas Guariroba se mantém no topo do ranking “Lugares Incríveis para Trabalhar”, neste ano.

Essa premiação destaca as empresas brasileiras com os mais altos níveis de satisfação entre os seus colaboradores. 

Este ano a Águas Guariroba também foi premiada como “Mais Incrível em Carreira”, que, neste caso, representa a percepção de crescimento e desenvolvimento profissional por parte dos colaboradores.

A Águas Guariroba concorreu com mais 418 empresas de todo o Brasil, que passaram pela pesquisa de clima organizacional respondida por seus colaboradores. 

Ao todo, cerca de 188 mil trabalhadores responderam perguntas sobre a atuação do CEO e a satisfação dos funcionários com os serviços de Recursos Humanos.

O diretor-presidente da Águas Guariroba, Themis de Oliveira, informou que um dos pilares que norteiam as relações da empresa e seus colaboradores é a inclusão, o respeito e a democratização das oportunidades de crescimento. 

“Cultivamos e apoiamos o desenvolvimento profissional e pessoal de cada colaborador para ao fim sermos, sem falsa modéstia, um celeiro de talentos” avaliou o diretor-presidente.

Para a coordenadora de gestão de pessoas da Águas Guariroba, Eleine da Rocha Barbosa, a percepção de futuro, de construir uma carreira dentro na empresa, vem do clima desenvolvido para o trabalho. 

“As pessoas querem compartilhar histórias e lugares sobre onde se sentem acolhidas e felizes. Eu vejo que a empresa investe muito no desenvolvimento das pessoas, em promover um clima agradável de trabalho, ter liberdade de se expressar e crescer profissionalmente. O conjunto da obra gera essa energia boa e esse movimento de sempre estar dando boas referências da empresa”, analisou Eleine da Rocha Barbosa.

“Falar em carreira é lembrar dos colaboradores que acompanham a empresa e hoje alcançaram posições de liderança na Águas Guariroba. Se a concessionária hoje é reconhecida pelo quesito de carreira, é porque cada colaborador enxerga este potencial de crescimento dentro da empresa”, afirma Gabriel Buim, diretor-executivo da Águas Guariroba.

Um dos destaques da concessionária está na gestão de um plano de carreira estruturado baseado em trilhas de desenvolvimento, considerados pilares a serem seguidos na trajetória profissional, desde cargos de entrada até a alta liderança, como explica gerente de Gestão de Pessoas da Aegea, Caroline Pardo Moura. 

Aegea é a empresa que controla a Águas Guariroba.

“Valorizamos e respeitamos muito as trilhas desejadas, com a qual o colaborador se identifica mais, e é onde observamos transições de carreira. Temos ciclos de feedback que nos proporcionam ferramentas para identificar essas necessidades, tanto da companhia, quanto do colaborador”, explica Caroline Pardo Moura, Gerente de Recursos Humanos da Aegea.

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GUERRA DE FACÇÕES

Comando Vermelho avança em MS: o que está por trás da guerra com o PCC

Disputa pelo controle do tráfico e de territórios espalha mortes e ameaças pelo interior de Mato Grosso do Sul; Três Lagoas está entre os focos de tensão.

14/10/2026 19h02

Pichações com a sigla do Comando Vermelho foram encontradas em residência alvo de operação policial em Sidrolândia, em meio à disputa entre facções criminosas em MS.

Pichações com a sigla do Comando Vermelho foram encontradas em residência alvo de operação policial em Sidrolândia, em meio à disputa entre facções criminosas em MS. Foto: Divulgação/Polícia Civil.

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A disputa pelo controle do tráfico de drogas em Mato Grosso do Sul deixou de se concentrar nas regiões próximas às fronteiras internacionais e passou a atingir municípios do interior, transformando cidades antes consideradas pontos de passagem de entorpecentes em territórios disputados por organizações criminosas.

Por trás da expansão do Comando Vermelho (CV), facção originária do Rio de Janeiro, está uma ofensiva investigada pelas forças de segurança para conquistar espaços historicamente ocupados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), controlar corredores de distribuição de drogas e ampliar sua influência sobre o comércio ilegal de entorpecentes.

O avanço, identificado pelas autoridades principalmente a partir da região norte, próxima à divisa com Mato Grosso, alcançou municípios do leste, como Três Lagoas, e se estendeu para outras regiões do Estado.

A movimentação é acompanhada por homicídios, tentativas de execução, ameaças, recrutamento de jovens e operações policiais contra suspeitos de integrar os dois grupos criminosos.

A estratégia investigada pela polícia vai além da eliminação de integrantes da facção rival.

Os ataques contra pessoas suspeitas de manter vínculos com o PCC também funcionariam como demonstração de força, numa tentativa de enfraquecer redes locais de distribuição de drogas e intimidar quem mantém relações com a organização concorrente.

A disputa entre as organizações criminosas também envolve o controle dos pontos de venda de drogas e das redes de distribuição de entorpecentes.

Ao conquistar espaço em determinada região, as facções buscam ampliar sua influência sobre o comércio ilegal, enfraquecer grupos rivais e controlar o abastecimento de drogas nos territórios onde atuam.

Os reflexos da disputa já ultrapassam os limites do próprio crime organizado. Em Três Lagoas, moradores relatam receber ligações de pessoas que se apresentam como integrantes de facções criminosas, mencionam homicídios recentes, oferecem suposta proteção e, em alguns casos, exigem pagamentos.

As abordagens acrescentam uma nova preocupação ao cenário de violência, especialmente porque os interlocutores demonstram conhecer informações pessoais dos destinatários.

A identidade dos responsáveis pelas ligações, porém, não foi confirmada. Também não está descartada a possibilidade de criminosos utilizarem o nome do PCC ou do Comando Vermelho para aplicar golpes e extorquir moradores.

Procurada pelo Correio do Estado, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que mantém o enfrentamento ao crime organizado como prioridade e acompanha continuamente os indicadores de violência, incluindo possíveis conexões entre homicídios e a atuação de organizações criminosas.

A pasta ressaltou, entretanto, que a identificação de áreas sob influência ou disputa entre facções exige análise permanente e não pode ser estabelecida apenas pela ocorrência de crimes em determinada localidade.

Mato Grosso do Sul virou peça estratégica na guerra pelo tráfico

A localização geográfica ajuda a explicar o interesse das organizações criminosas pelo território sul-mato-grossense. O Estado faz fronteira com Paraguai e Bolívia, dois países ligados às cadeias de produção e fornecimento de drogas destinadas ao mercado brasileiro, especialmente maconha e cocaína.

As cargas que entram pelas regiões de Ponta Porã, na fronteira paraguaia, e Corumbá, próxima à Bolívia, podem seguir por diferentes corredores rodoviários em direção a outras unidades da Federação.

Nesse mapa, o interesse das facções não se limita aos municípios fronteiriços. Cidades do interior funcionam como possíveis pontos de passagem, armazenamento, redistribuição e comercialização de entorpecentes, o que amplia o valor estratégico dessas localidades para o crime organizado.

Três Lagoas, por exemplo, ocupa posição importante no leste de Mato Grosso do Sul por sua ligação com o interior paulista.

Diferentemente de Ponta Porã e Corumbá, o município não é uma porta de entrada internacional de drogas, mas integra uma região estratégica para a circulação de cargas e o acesso ao mercado consumidor de São Paulo.

A expansão do Comando Vermelho também tem relação com a proximidade de Mato Grosso, onde a organização possui presença significativa.

Durante coletiva de imprensa realizada em 25 de setembro, o diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), delegado Ivan Barreira, explicou que o avanço do Comando Vermelho começou a ser identificado no norte de Mato Grosso do Sul, na região de Coxim, passou por Costa Rica e Três Lagoas e, posteriormente, alcançou municípios do sul do Estado. A declaração foi divulgada à época pelo Correio do Estado.

O movimento se intensificou a partir de 2025, período marcado pelo aumento das hostilidades entre o CV e o PCC, conforme informações reunidas pelas autoridades de segurança.

A disputa, portanto, envolve duas frentes interligadas: o domínio das rotas utilizadas no transporte de grandes carregamentos e o controle dos pontos locais de venda, que representam fontes permanentes de arrecadação para as organizações criminosas.

Três Lagoas se tornou um dos principais focos de tensão

No leste do Estado, Três Lagoas reúne episódios que ajudam a compreender a dimensão da ofensiva. A cidade registrou uma sequência de ataques investigados no contexto da rivalidade entre Comando Vermelho e PCC, inclusive com suspeitas de ordens transmitidas de dentro do sistema penitenciário de outro estado.

Em maio deste ano, três ataques ocorridos em um intervalo de poucos dias passaram a integrar investigações sobre a atuação de integrantes do Comando Vermelho na cidade.

As apurações apontaram que dois homens presos na Penitenciária Central de Cuiabá, em Mato Grosso, continuariam exercendo influência sobre criminosos em liberdade e determinando homicídios em território sul-mato-grossense.

Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva, apontados pela Polícia Civil como lideranças da organização, foram associados a pelo menos três ataques em Três Lagoas.

Em agosto, os dois foram transferidos para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, numa tentativa de interromper a comunicação com integrantes do grupo.

O episódio mostrou que a disputa não depende necessariamente da presença física dos mandantes nas cidades atingidas. Conforme a investigação, determinações transmitidas à distância podem ser executadas por pessoas recrutadas ou deslocadas para regiões específicas.

Outro caso foi registrado em agosto, quando um jovem procurou a Polícia Civil de Três Lagoas e relatou ter escapado de uma tentativa de homicídio depois de recusar um convite feito por pessoas que se apresentaram como integrantes do Comando Vermelho.

Segundo o relato da vítima, as mensagens começaram no dia 11 de agosto. Depois da recusa, o rapaz teria sido atraído para fora de casa, durante a madrugada, e surpreendido por dois homens em uma motocicleta, que efetuaram disparos em sua direção.

A Polícia Civil passou a investigar a autoria do atentado e a possível relação entre as mensagens e os tiros.

A violência voltou a ganhar destaque em 1º de setembro, quando um atirador entrou em um bar no Bairro Novo Oeste e abriu fogo contra os clientes. Edilson Dyego de Jesus Lima, de 19 anos, morreu, enquanto outras quatro pessoas ficaram feridas.

O suspeito, identificado como Nadson Santos Sampaio, conhecido como "Soldado", foi preso em Santa Fé do Sul, no interior paulista, em 4 de setembro.

Ele é investigado por possível ligação com o Comando Vermelho e por envolvimento em outros episódios violentos em municípios como Paranaíba e Aparecida do Taboado.

A circulação de investigados por diferentes cidades reforça a hipótese policial de que parte dos ataques é praticada por executores que se deslocam entre municípios e estados, em vez de atuar exclusivamente no local onde vivem.

Ameaças em nome de facções ampliam medo em Três Lagoas

Além dos homicídios e atentados investigados pela polícia, moradores de Três Lagoas relatam situações de intimidação envolvendo pessoas que se apresentam como integrantes de organizações criminosas.

As abordagens incluem ameaças, ofertas de suposta proteção e até exigências de pagamento, aumentando o clima de insegurança no município.

Uma moradora de Três Lagoas, que preferiu não se identificar por medo de represálias, contou ao Correio do Estado que recebeu uma ligação de uma mulher que se apresentou como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Durante a conversa, a interlocutora demonstrou conhecer seu nome e fez perguntas sobre um estabelecimento comercial com o qual ela teria ligação.

Segundo a entrevistada, a mulher mencionou as mortes registradas recentemente na cidade e afirmou que a organização criminosa passaria a controlar a região. Em seguida, perguntou se ela desejava receber proteção e se conhecia outra pessoa.

A moradora relatou que respondeu negativamente às perguntas e, diante da recusa, passou a ser ameaçada.

"Eu disse que não. Aí ela falou: 'Então você quer problema, blz', e desligou", contou.

O episódio provocou preocupação principalmente porque a pessoa responsável pela ligação demonstrou conhecer informações pessoais da entrevistada, além de utilizar referências à violência recente no município para dar credibilidade à ameaça.

Outro relato recebido pela reportagem indica que um homem também teria sido alvo de uma ligação semelhante em Três Lagoas.

Segundo as informações obtidas, os responsáveis pelo contato demonstraram conhecer o nome do morador, os nomes de seus pais e até seu endereço residencial.

Durante a ligação, os interlocutores teriam mencionado o assassinato de um homem na cidade e exigido o pagamento de uma espécie de taxa. A justificativa apresentada seria a morte de um suposto integrante da organização criminosa, que teria deixado o grupo desfalcado.

A cobrança, conforme o relato, teria sido apresentada como uma obrigação imposta ao morador, associada à perda de um integrante do grupo. A identidade dos responsáveis pelo contato e a eventual ligação deles com alguma facção não foram confirmadas.

Os dois episódios revelam diferentes formas de intimidação relatadas no município.

Enquanto uma moradora afirma ter sido ameaçada depois de recusar uma suposta oferta de proteção, o segundo caso envolve uma possível tentativa de extorsão justificada pela morte de um homem apontado pelos interlocutores como integrante de uma organização criminosa.

Entretanto, é necessário distinguir ameaças efetivamente realizadas por facções de possíveis golpes praticados por terceiros que utilizam o nome dessas organizações para assustar moradores e obter dinheiro.

Até o momento, não há confirmação sobre a autoria das ligações ou elementos suficientes para afirmar que as abordagens fazem parte de uma orientação estabelecida pelo PCC ou pelo Comando Vermelho em Três Lagoas.

A possibilidade de golpe, contudo, não diminui a gravidade das situações relatadas. O uso de informações pessoais, referências a homicídios e ameaças para exigir dinheiro pode caracterizar crime, independentemente de os responsáveis integrarem ou não uma facção.

Em meio à sequência de episódios violentos registrados na cidade, as ligações contribuem para ampliar a sensação de insegurança entre moradores, que passam a conviver não apenas com o temor dos confrontos entre organizações criminosas, mas também com a possibilidade de serem diretamente ameaçados por pessoas que afirmam agir em nome desses grupos.

Ataques a rivais fazem parte da disputa por território

A violência investigada em Mato Grosso do Sul apresenta características recorrentes. Entre elas estão a utilização de motocicletas para a execução de atentados, a escolha de pessoas suspeitas de ligação com facções rivais e o emprego de múltiplos disparos, inclusive em locais onde outras pessoas podem ser atingidas.

Para os investigadores, as mortes não representam necessariamente episódios isolados. Parte dos crimes estaria relacionada a ações de retaliação e tentativas de enfraquecer a presença da organização adversária em bairros e municípios estratégicos.

Em setembro, durante uma ofensiva contra o crime organizado, o delegado Roberto Guimarães, da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), chamou atenção para a violência dos ataques e para o risco imposto a pessoas sem relação com a disputa.

Segundo o delegado, os criminosos efetuam disparos mesmo diante da possibilidade de atingir terceiros, comportamento que amplia as consequências dos confrontos para a população.

Outro elemento identificado pelas autoridades é o recrutamento de adolescentes e jovens. A Polícia Civil aponta que dinheiro, armas, ostentação nas redes sociais e a promessa de reconhecimento dentro das organizações são utilizados para atrair novos participantes.

A utilização de pessoas cada vez mais jovens permite ampliar a estrutura criminosa, ao mesmo tempo em que expõe adolescentes a atividades violentas e ao risco de morte.

Sidrolândia, Maracaju e Rio Brilhante entraram na rota da violência

A expansão da disputa também ficou evidente em municípios próximos às regiões central e sul do Estado.

Em Sidrolândia, a Polícia Civil investiga pelo menos 13 ocorrências de homicídios consumados e tentativas de homicídio relacionadas à rivalidade entre Comando Vermelho e PCC desde junho deste ano.

Um dos casos ocorreu no distrito de Capão Seco, onde Tobias Felipe Ribeiro de Carvalho foi morto em circunstâncias investigadas como possível "tribunal do crime". Outros ataques, registrados nos meses seguintes, passaram a ser associados à sequência de represálias entre grupos rivais.

No fim de agosto, Alessandro dos Santos, conhecido como "Costela", foi baleado no Bairro Cascatinha II e morreu após ser socorrido.

Horas depois, Cleiderson Chaves da Rocha, de 22 anos, foi executado dentro de uma residência. A polícia investiga a hipótese de que o segundo assassinato tenha sido uma retaliação.

Em setembro, o Garras também identificou Paulo Ricardo Bueno, conhecido como "Terrível" ou "Pierre CV", como um dos suspeitos de atuar em atentados na região de Sidrolândia, Rio Brilhante e Maracaju.

De acordo com o Departamento de Polícia Especializada, ele era investigado por participação em quatro homicídios em Sidrolândia, além de outros crimes em Rio Brilhante. O suspeito morreu durante uma abordagem policial no Bairro Aero Rancho, em Campo Grande, em 24 de setembro.

Na mesma ofensiva, policiais civis localizaram quatro pessoas que, segundo a investigação, seriam submetidas a um julgamento clandestino e posteriormente executadas em Rio Brilhante. As vítimas foram resgatadas, e a operação resultou em prisões e apreensões.

A sequência de crimes chegou a outro momento crítico na sexta-feira (9), quando quatro suspeitos de integrar o Comando Vermelho morreram durante uma operação conjunta do Batalhão de Choque e do Garras, em Sidrolândia.

Conforme a versão apresentada pela Polícia Militar, os investigados reagiram à abordagem e atiraram contra as equipes. Foram apreendidas quatro armas de fogo e uma motocicleta apontada como possivelmente utilizada em atentados.

Entre os mortos estava Vanessa Thiel de Almeida, de 19 anos, apontada pela investigação como responsável por atividades logísticas do grupo, incluindo a obtenção de armas e a organização de deslocamentos.

A polícia relaciona os suspeitos a crimes praticados em diferentes municípios, entre eles Maracaju e Rio Brilhante. O grupo teria utilizado residências alugadas para permanecer temporariamente nas cidades onde os ataques eram planejados.

Triplo homicídio mostrou que pessoas fora da disputa também estão expostas

Outro episódio de grande repercussão ocorreu em 19 de setembro, no distrito de Nova Casa Verde, em Nova Andradina.

Daniel Matos Alves, de 32 anos, Eliane Franco, de 37, e Raissa Franco, de 21, foram assassinados durante um ataque a tiros dentro de uma residência. Um adolescente de 14 anos também ficou ferido.

A investigação da Polícia Civil apontou indícios de que o crime teria sido ordenado por integrantes do Comando Vermelho. Quatro pessoas foram presas pouco depois do episódio, e a polícia passou a investigar a função de cada uma na organização do ataque.

A ocorrência evidenciou um dos aspectos mais preocupantes da disputa: a possibilidade de pessoas que não são os alvos principais também acabarem feridas ou mortas durante ações de grupos criminosos.

Facção também tenta conquistar apoio por meio de festas infantis

A disputa por influência sobre comunidades não estaria restrita aos ataques contra organizações rivais. Investigações recentes da Polícia Civil indicam que o Comando Vermelho também estaria utilizando eventos comunitários e distribuição de benefícios como estratégia para conquistar a simpatia da população.

Na segunda-feira (12), forças de segurança impediram a realização de uma festa de Dia das Crianças em Pedro Gomes, no norte de Mato Grosso do Sul, que, segundo a investigação, seria organizada e financiada pela facção.

Duas mulheres foram presas durante a operação, realizada no campo de futebol do Bairro São Luís, onde era preparada uma estrutura para distribuir alimentos às crianças.

As apurações apontaram que ações semelhantes estavam previstas para Sonora e Coxim. Em Sonora, outra intervenção policial resultou na prisão de duas mulheres e na apreensão de aproximadamente 200 brinquedos, além de doces que seriam distribuídos durante as comemorações.

Segundo a Polícia Civil, a estratégia consistiria em apresentar a organização criminosa como uma espécie de protetora das comunidades, criando vínculos com moradores e buscando legitimar sua presença nos bairros.

A investigação aponta que essas iniciativas podem contribuir para normalizar a atuação das facções e dificultar a aproximação da população com as forças de segurança.

Os episódios acrescentam outra dimensão à disputa territorial: além de tentar controlar as atividades criminosas, a organização também buscaria construir uma rede de influência social nas localidades onde pretende se estabelecer.

Mais de 100 mortes podem estar ligadas à guerra entre facções

O agravamento do conflito também aparece nos indicadores de violência de Mato Grosso do Sul.

Levantamento divulgado pelo Correio do Estado em 22 de setembro, com base em dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), apontou 405 homicídios registrados entre janeiro e 20 de setembro de 2026. O total já superava os 332 contabilizados entre janeiro e o fim de setembro de 2025.

A comparação envolve períodos de duração diferente e, por isso, exige cautela na avaliação da evolução percentual dos crimes. Também é importante destacar que nem todos os homicídios registrados no Estado estão relacionados à disputa entre facções.

Em avaliação apresentada em setembro, o promotor de Justiça Felipe Almeida Marques, coordenador da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), estimou que mais de 100 pessoas já poderiam ter sido mortas em decorrência dos confrontos entre Comando Vermelho e PCC somente neste ano.

O promotor ressaltou, entretanto, que não havia uma contagem exata das vítimas diretamente relacionadas à guerra entre as organizações.

As investigações conduzidas pelo Ministério Público também identificaram publicações em redes sociais com fotografias de pessoas apontadas como integrantes do PCC e supostamente ameaçadas de morte.

Pelo menos 24 pessoas apareceriam nesse material, de acordo com as informações divulgadas à época.

A exposição pública de possíveis alvos acrescenta uma dimensão de intimidação à violência, embora a autoria das publicações e a ligação entre as ameaças e eventuais ataques precisem ser demonstradas em cada investigação.

Questionada sobre os indicadores de criminalidade, a Sejusp informou que os dados oficiais sobre homicídios estão disponíveis para consulta pública na plataforma "Estatísticas On-line", com atualização diária.

A secretaria ressaltou que comparações entre diferentes anos devem considerar períodos equivalentes e a data de referência dos registros.

O posicionamento encaminhado à reportagem não apresentou uma contagem específica de mortes comprovadamente relacionadas à rivalidade entre as facções.

Polícia tenta interromper avanço e atingir lideranças

O crescimento da violência levou as forças de segurança estaduais e federais a intensificarem operações contra estruturas ligadas ao crime organizado.

Em junho, a Polícia Civil deflagrou a segunda fase da Operação Leviatã, voltada ao enfrentamento da expansão do Comando Vermelho na região norte de Mato Grosso do Sul.

Foram expedidos mandados contra investigados em Coxim e Rondonópolis, em Mato Grosso, com duas mortes registradas durante uma das ações policiais.

Mais recentemente, em 8 de outubro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Kathárisma para combater uma organização criminosa investigada por atuação principalmente no norte do Estado.

A operação foi associada ao PCC em apuração jornalística, embora o comunicado oficial da Polícia Federal não tenha identificado nominalmente a facção investigada.

A ofensiva envolveu o cumprimento de 24 mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão em Sonora, Pedro Gomes, Coxim, Aquidauana, Terenos, Corumbá, Anastácio e Campo Grande.

Na Capital, três mandados de busca e apreensão foram cumpridos em unidades prisionais, sendo dois na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira e um no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho.

As autoridades investigam não apenas os responsáveis diretos pelos crimes, mas também lideranças, mecanismos de comunicação, movimentações financeiras e estruturas responsáveis por manter as organizações em funcionamento.

No caso do Comando Vermelho, a Polícia Civil aponta que parte das determinações para os ataques praticados em Mato Grosso do Sul tem origem fora do Estado.

Por isso, a estratégia de repressão também envolve a integração com forças policiais de outras unidades da Federação e o isolamento de lideranças identificadas dentro de presídios.

O que diz a Sejusp sobre o avanço das facções

Procurada pelo Correio do Estado para esclarecer as medidas adotadas diante da disputa entre Comando Vermelho e PCC, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que o enfrentamento à criminalidade permanece entre as prioridades do Governo de Mato Grosso do Sul.

De acordo com a pasta, as ações incluem prevenção da violência, investigação de homicídios, responsabilização dos autores e desarticulação das estruturas criminosas.

O objetivo é preservar vidas, proteger a população e direcionar os recursos de segurança pública conforme as necessidades identificadas em cada região.

A secretaria explicou que o planejamento das operações considera indicadores criminais, informações de inteligência e características dos fatos registrados.

"As prioridades territoriais são definidas com base nos indicadores criminais, nas informações de inteligência e nas características dos fatos registrados", informou a Sejusp.

Conforme o posicionamento oficial, municípios localizados em regiões de fronteira internacional e de divisa interestadual recebem atenção específica, assim como localidades que apresentam indicadores relevantes de violência.

A pasta, entretanto, fez uma ressalva sobre a identificação de territórios dominados ou disputados pelas organizações criminosas.

"A identificação de possíveis áreas de influência ou disputa entre organizações criminosas exige análise permanente e não deve ser confundida com a simples ocorrência de crimes em determinada localidade", destacou.

A manifestação indica que, embora determinadas cidades concentrem investigações sobre crimes relacionados às facções, a ocorrência de homicídios e atentados não representa, isoladamente, comprovação de domínio territorial por uma organização criminosa.

A Sejusp também informou que o enfrentamento ao crime organizado envolve atuação integrada das forças estaduais, com utilização de inteligência, análise criminal, policiamento orientado por indicadores e investigação de possíveis conexões entre diferentes ocorrências.

A cooperação com instituições federais e forças de segurança de outras unidades da Federação também integra as estratégias de combate às organizações criminosas.

Sobre a possibilidade de lideranças continuarem determinando crimes mesmo após serem presas, o Governo do Estado informou que eventuais denúncias de ordens para homicídios, ameaças ou outras atividades ilícitas transmitidas a partir do sistema penitenciário são objeto de apuração pelos órgãos competentes.

A secretaria ressaltou que não divulga informações que possam comprometer investigações em andamento, procedimentos de inteligência ou a segurança das pessoas envolvidas nas operações.

"A Secretaria não antecipa detalhes de planejamento operacional cuja divulgação possa comprometer a atuação policial", afirmou.

O posicionamento não confirmou a autoria das ligações de ameaça e cobrança por suposta proteção relatadas em Três Lagoas, nem apresentou uma delimitação oficial dos territórios que estariam sob influência do Comando Vermelho ou do PCC.

O que está em jogo na disputa por Mato Grosso do Sul

Embora os episódios de maior repercussão envolvam homicídios e confrontos armados, o objetivo central da expansão investigada pelas autoridades está relacionado ao controle econômico e territorial das atividades criminosas.

O domínio de cidades localizadas em corredores de distribuição permite às organizações ampliar sua influência sobre diferentes etapas do tráfico, desde o transporte de grandes carregamentos até a comercialização de entorpecentes nos municípios.

Para conquistar esses espaços, o Comando Vermelho estaria tentando avançar sobre regiões onde o PCC já possui presença consolidada. A reação dos grupos rivais alimenta uma sucessão de ataques e retaliações, ampliando a violência em municípios do interior.

Três Lagoas sintetiza parte desse cenário. A cidade reúne investigações sobre ordens de homicídios transmitidas de dentro de presídios, denúncias de aliciamento, ataques em estabelecimentos comerciais e relatos recentes de ameaças atribuídas a organizações criminosas.

Os depoimentos recebidos pelo Correio do Estado acrescentam uma dimensão humana à disputa. A intimidação já não aparece apenas nos ataques armados, mas também em ligações que utilizam informações pessoais, referências a assassinatos e o nome de facções para provocar medo entre moradores.

A existência de uma ofensiva criminosa é apontada pelas forças de segurança, mas isso não significa que cada episódio violento ou mensagem intimidatória registrada no município tenha sido comprovadamente praticado pelo Comando Vermelho ou pelo PCC.

Enquanto as investigações procuram identificar mandantes, executores e financiadores dos ataques, a disputa provoca efeitos que ultrapassam o mercado ilegal de drogas.

O medo de circular pelas ruas, de receber ameaças ou de ser atingido por um atentado transforma o conflito entre organizações criminosas em um problema de segurança pública para toda a população.

O desafio das autoridades é impedir que a tentativa de expansão territorial se converta em domínio permanente de bairros, rotas e atividades ilegais.

Para os moradores das cidades atingidas, porém, a preocupação é mais imediata: não permitir que a guerra entre facções passe a determinar as regras da vida cotidiana.

Leia a nota da Sejusp na íntegra:

O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), mantém o enfrentamento à criminalidade como prioridade, com ações voltadas à prevenção da violência, à investigação dos homicídios, à responsabilização dos autores e à desarticulação das estruturas criminosas.

O objetivo é preservar vidas, proteger a população e direcionar os recursos de segurança pública de acordo com as necessidades identificadas em cada região, além de acompanhar continuamente os indicadores de criminalidade e as informações produzidas pelas forças de segurança, com atenção às diferentes dinâmicas criminais identificadas no território estadual, inclusive às possíveis relações entre homicídios e a atuação de organizações criminosas. 

As prioridades territoriais são definidas com base nos indicadores criminais, nas informações de inteligência e nas características dos fatos registrados.

Regiões de fronteira e de divisa interestadual, assim como municípios que apresentam indicadores relevantes de violência, recebem atenção específica no planejamento das ações de segurança pública.

A identificação de possíveis áreas de influência ou disputa entre organizações criminosas exige análise permanente e não deve ser confundida com a simples ocorrência de crimes em determinada localidade.

Os dados oficiais sobre homicídios em Mato Grosso do Sul são públicos e podem ser consultados no site da Sejusp-MS, por meio do link “Estatísticas On-line”.

As informações são atualizadas diariamente, permitindo o acompanhamento dos registros e a consulta aos indicadores disponíveis.

Para comparações entre 2025 e 2026, recomenda-se utilizar períodos equivalentes e observar a data de referência dos dados. A disponibilização de recortes específicos por município ou natureza criminal deve considerar a base estatística correspondente e os critérios de consolidação adotados.

O enfrentamento ao crime organizado envolve atuação integrada das forças estaduais de segurança, com emprego de inteligência, análise criminal, policiamento orientado por indicadores e investigação para identificação dos responsáveis pelos crimes e de eventuais conexões entre ocorrências.

A cooperação com instituições federais e de outras unidades da Federação também integra as estratégias de enfrentamento às atividades criminosas, respeitadas as competências legais de cada órgão.

Em relação à atuação de integrantes de organizações criminosas a partir do sistema penitenciário, eventuais informações sobre ordens para a prática de crimes, ameaças ou atividades ilícitas são objeto de apuração pelos órgãos competentes.

A divulgação de detalhes sobre investigações, inteligência, procedimentos de segurança e eventuais operações deve observar os limites necessários à preservação da eficácia das ações e da segurança das pessoas envolvidas.

A Secretaria não antecipa detalhes de planejamento operacional cuja divulgação possa comprometer a atuação policial.

Atenciosamente, 

Assessoria de Comunicação 

Sejusp-MS

1.050 m²

Campo Grande terá o primeiro templo mórmon no Carandá Bosque

Atualmente, Capital tem apenas capelas; Templo será erguido em terreno de 22,7 mil metros quadrados, com área construída de 1.050 m²

14/10/2026 18h17

Templo terá cerca de 1.050 metros quadrados de área construída

Templo terá cerca de 1.050 metros quadrados de área construída Foto: Divulgação / A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

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Campo Grande terá o primeiro templo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos. Conforme divulgado pela Primeira Presidência da igreja em seu site oficial e redes sociais, o templo será construído no bairro Carandá Bosque.

O Templo de Campo Grande foi anunciado pelo Presidente da igreja, Russell M. Nelson, na Conferência Geral  no dia 6 de Abril de 2025. Agora, foram divulgados os projetos artísticos.

O projeto prevê a construção de um templo térreo com 1.050 metros quadrados, em terreno de aproximadamente 22,7 mil metros quadrados, localizado no cruzamento da Avenida Nelly Martins, Rua Cigana e Rua Rio Negro.

A Capital já possui capelas da instituição, onde os fiéis se reúnem para os cultos regulares. Os templos têm outra finalidade religiosa e são destinados a cerimônias específicas e, até então, não há nenhum em Campo Grande.

Não há informações sobre quando a obra será iniciada.

No Instagram, um perfil criado para o novo templo divulgou o projeto junto à seguinte mensagem: "A Igreja disponibilizou a apresentação artística do Templo de Campo Grande. Somos gratos pelas bençãos que temos recebido em nossa cidade!"

Além da nova igreja em Campo Grande, também foi divulgado o projeto de um templo em Goiãnia, a ser construído em um terreno de 22,4 mil metros quadrados, no bairro Faiçalville, com 1.750 metros quadrados de construção.

O Brasil tem aproximadamente 1,5 milhão de membros da Igreja, distribuídos em mais de 2 mil congregações.

Atualmente, há 12 templos em funcionamento em todo o País, e outros 13 foram anunciados ou estão em construção.

O templo é diferente das capelas, sendo considerado a Casa do Senhor, onde os ensinamentos de Jesus Cristo são reafirmados por meio do casamento, do batismo e de outras cerimônias que permitem que as famílias sejam unidas por toda a eternidade.

Templo terá cerca de 1.050 metros quadrados de área construídaTemplo será construído em terreno no Carandá Bosque

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