Grupo com cerca de 50 vendedores ambulantes que atua na Praça Ary Coelho teme ficar sem emprego nos próximos dias. O medo ocorre por conta do fechamento da área de lazer na região central de Campo Grande para o início das obras de revitalização, o que deve ocorrer até o dia 30 deste mês.
A prefeitura da Capital, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) procura por um novo local para abrigar esses comerciantes até que a praça seja totalmente revitalizada. Uma reunião havia sido agendada para sexta-feira (19), mas foi desmarcada pelo prefeito Nelsinho Trad (PMDB). Um encontro deve ocorrer na próxima semana para resolver a questão.
Segundo os vendedores que trabalham na praça, até o momento a prefeitura não decidiu qual será o novo espaço para as vendas. Além disso, dos 50 ambulantes, muitos não têm a carteira de autorização da Semadur para atuar na Ary Coelho. Fiscais da secretaria teriam informado aos trabalhadores que apenas quem possui a autorização poderá migrar para a nova área.
Ambulantes
Há mais de 20 anos vendendo cafezinho e chipas em Campo Grande, a ambulante Neusa Maria dos Santos Silva, 52 anos, conta que na quinta-feira (18) à tarde um fiscal da Semadur passou na praça e comunicou aos vendedores que haveria uma reunião ontem de manhã. "Eles entregaram até convite", falou. Ela vende seus produtos na praça há cerca de dois anos, desde que a antiga rodoviaria foi desativada. "Lá eu tinha minha carteirinha, e fiquei mais de 20 anos vendendo lá. Vim para cá há dois anos e já fiz o pedido de autorização, mas até agora a prefeitura não me entregou nenhum documento".
A ambulante conta que paga suas contas e sustenta a família com o dinheiro que recebe dessas vendas. O medo dela, agora, é ser retirada da praça e ficar impedida de fazer as vendas. "Me mudei da antiga rodoviária e vim para cá porque foi o ponto que a própria prefeitura me disponibilizou, eles me mandaram para cá. Agora, por não ter a carteirinha, posso ficar sem ter onde trabalhar", afirma.
Situação semelhante é vivida pelo sorveteiro Francisco Dias de Souza, 57 anos. Ele está na praça há nove meses e comprou o ponto da antiga dona, por R$ 400. "Dei entrada na prefeitura para fazer a transferência do ponto em maio deste ano e até agora eles não me deram nenhum retorno". Ele também está sem a carteirinha, mas como seu ganha pão é a venda de sorvetes na praça, teme ficar sem ter onde trabalhar. "Faço isso há anos, não posso ficar sem isso", afirmou.
O ambulante Armindo Delgado tambem vende sorvete e ocupa a praça como espaço de trabalho há dez anos. Ele tem a carteirinha da Semadur que o autoriza a fazer ponto no local e diz que não tem problema em mudar de local desde que o novo espaço tenha clientela. "Eu não me preocupo muito porque sei que eles vão arranjar um lugar novo, mas o medo é que não haja movimento suficiente de venda". Ele e seus colegas foram até a Central de Atendimento ao Cidadão na manhã de ontem para a reunião com o prefeito, mas voltaram de lá sem uma resposta.
O secretário adjunto da Semadur, João Alberto dos Santos afirma que até a segunda-feira (22) o assunto já estará resolvido e o novo local para onde os vendedores irão migrar será anunciado. Sobre a mudança de todos os ambulantes e não apenas os que possuem carteirinha, o secretário disse que a situação será analisada "caso a caso".



