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IDENTIDADE REGIONAL

Ampliação do museu Dom Bosco coloca MS em destaque nacional

Reitor-mor salesiano visitou o espaço reconhecido pelo acervo

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Com 68 anos de fundação, o museu das Culturas Dom Bosco será ampliado ainda este ano, a fim de expor acervos raros e que colocam Mato Grosso do Sul em destaque na região Centro-Oeste e no cenário nacional. 

O reconhecimento se comprova por uma premiação recente, o espaço entrou para o hall da fama depois de receber durante cinco anos seguidos, o 'Certificado de Excelência da TripAdvisor', o maior site de viagens brasileiro com informações e opiniões de conteúdos relacionados ao turismo. 

Nesta sexta-feira (26),  o reitor-mor da missão salesiana,  Pe. Ángel Fernández Artime, participou de uma apresentação cultural que apresentou alguns dos principais projetos culturais da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), entre eles o museu.

Na avaliação do magnifício reitor da UCDB, Ricardo Carlos, o espaço é considerado um patrimônio do Estado e da capital, Campo Grande. "Observamos que os turistas de outros países, principalmente, demonstram interesse em conhecer o museu e se encantam com a riqueza e preservação dos acervos. Nosso objetivo é despertar no público local o mesmo interesse de visitação, a fim de que a sociedade reconheça as particularidades das etnias e culturas que formaram o Estado", observa.

A diretora-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), Mara Caseiro, lembra que o acervo do museu Dom Bosco é um dos mais completos do país, e contribui para a formação dos estudantes dos ensinos fundamental e médio. "Aqui temos uma fonte de informação, história e cultura do povo sul-mato-grossense e a Fundação de Cultura se coloca à disposição para colaborar nos projetos idealizados pela UCDB", comenta. 

REFERÊNCIA NACIONAL 

O coordenador geral do Museu, Dirceu Mauricio Van Lonkhuijzen, esclarece que o espaço de Ciências Naturais será privilegiado com a ampliação do prédio e atenderá uma demanda da população campo-grandense. 

"Algumas pesquisas com o público visitante demonstraram a preferência da população por visitar este setor, contemplada por animais empalhados, fósseis, minerais e conchas. É um acervo que ficou no imaginário dos cidadãos, pois até hoje nos perguntam sobre a exposição de borboletas que é uma das mais ricas do Brasil e conta com espécies já extintas", detalha. 

Lonkhuijzen destaca outro setor que foi reformulado e adequado para o novo patamar da museologia global. "Nossa sala de Ciências Humanas foi reformulada para o novo padrão de museologia, e conta com uma gestão participativa, principalmente, das comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul. Acredito que é outra fonte de informação que alcançará um destaque expressivo e se tornará referência entre os museus brasileiros", conclui. 

HISTÓRICO

O Museu passou por várias fases e ocupou diferentes espaços nestes 68 anos de funcionamento. O primeiro deles foi nas instalações do Colégio Dom Bosco, sob a direção do filólogo Angelo Jaime Venturelli, época em que suas coleções etnográficas tiveram um considerável enriquecimento. Para se ter uma idéia, a coleção bororo sob a guarda do Museu é hoje a maior e mais completa do mundo.

Em 1978 seu rico acervo foi transferido para a Rua Barão do Rio Branco, onde permaneceu por mais de 20 anos sob a direção do naturalista João Falco (SDB). Durante sua gestão, Padre Falco promoveu algumas intervenções no espaço físico visando criar condições para melhor expor o acervo já existente e todo o material que conseguia adquirir, utilizando o bom relacionamento que tinha com os meios científicos e acadêmicos. Seu maior interesse sempre foi pelas Ciências Naturais, fato que o levou a formar, organizar e ampliar os acervos de Mineralogia, Paleontologia e Zoologia.

Pela extensa coleção de objetos de cultura material indígena, o Museu Dom Bosco também ficou conhecido pela população sul-mato-grossense como Museu do Índio. Com a morte de Padre Falco, a partir de 1996 o Museu passou a ser gerido pela Universidade Católica Dom Bosco. 

Essa gestão impôs a necessidade de redefinir objetivos e adequar o espaço físico à democratização da cultura, perspectiva fundamental de um museu dinâmico capaz de promover o desenvolvimento social, conservar e proteger seu patrimônio cultural. 

*Com informações do arquivo documental  MCD

 

HOMICÍDIO

Tiroteio em festival deixa um morto e outro ferido no interior do Estado

Disparos aconteceram em praça pública após encerramento do show da cantora Naiara Azevedo durante Festival Gastronômico

02/05/2026 09h15

Jovem Sul News

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Na madruga deste sábado (02), duas pessoas foram vítimas de um tiroteio em meio a Praça de Eventos de Chapadão do Sul, durante o Festival Gastronômico 2026. Um homem, que era alvo dos disparos morreu no local e o segundo foi atingido por bala perdida e está internado.

O evento gastronômico estava em seu segundo dia e o crime aconteceu logo após o encerramento do show da cantora Naiara Azevedo, por volta da 1h. De acordo com as informações, Mateus Almeida Costa, de 27 anos, recebeu quatro tiros, na cabeça, no pescoço e no tórax, além de um disparo de raspão na região das costelas.

O tiro de raspão atingiu nas costas da segunda vítima, identificada por J.A.C.A., de 21 anos.

Segundo informações de sites locais, a motivação foi um desentendimento próximo aos banheiros do evento, em que o atirador sacou a arma e disparou contra Mateus. A equipe policial que estava no local devido ao festival teria ouvido os tiros e foi até o local, onde a vítima já estava caída.

Logo após ser socorrido a vítima não resistiu aos ferimentos e morreu. Já o segundo homem teria sido levado até a ambulância da Cruz Vermelha que estava no local e foi encaminhado para o hospital, em que segue internado.

De acordo com a Polícia Civil foram coletados depoimento de testemunhas que estavam no local, além da segunda vítima. Conforme o depoimento, o homem não teria qualquer vínculo com os envolvidos, ou com a motivação do crime.

Ainda na praça, a polícia teria colhido provas materiais, incluindo estojo de munição e outras informações. E em nota informou que a investigação do caso está em andamento e que há divergência entre as versões apresentadas e as imagens de segurança do local.

O caso foi registrado como homicídio qualificado e ainda não há nenhum suspeito identificado.

Entrevista

"Quando ampliamos o acesso, conseguimos proteger mais mulheres"

Delegado responsável pelo interior de MS falou sobre implantação da Delegacia de Atendimento à Mulher Virtual, que será lançada no Estado e promete levar atendimento a locais mais distantes

02/05/2026 08h00

Jairo Carlos Mendes

Jairo Carlos Mendes Arquivo Pessoal

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Com o objetivo de levar atendimentos a todas as localidades de Mato Grosso do Sul, o governo do Estado pretende colocar em funcionamento a partir deste mês o projeto da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) Virtual. Para falar sobre a ferramenta, o delegado Jairo Carlos Mendes, diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI)da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) é o entrevistado da semana.

Segundo o delegado, a ferramenta deve ser iniciada ainda neste mês, com expectativa de consolidação como serviço permanente ao longo do segundo semestre.

O diretor também falou sobre os desafios das fronteiras de Mato Grosso do Sul e de outros projetos futuros. Confira a entrevista.

Quais são hoje os principais desafios das delegacias do interior de Mato Grosso do Sul?

O Departamento de Polícia do Interior tem desafios bastante particulares. Mato Grosso do Sul possui uma extensa faixa de fronteira com o Paraguai e a Bolívia, superior a 1.500 quilômetros, o que impõe uma dinâmica muito complexa para a segurança pública.

Essa realidade favorece o trânsito de criminosos, o escoamento de drogas, armas e outros ilícitos, exigindo da Polícia Civil uma atuação permanente, integrada e muito bem planejada.

Além da fronteira, temos o desafio territorial. O interior do Estado é formado por municípios muito distantes entre si, com realidades distintas e demandas próprias.

Nosso compromisso é garantir que a população receba um atendimento policial eficiente, presente e padronizado, independentemente do tamanho do município ou da distância em relação aos grandes centros.

Para enfrentar essa realidade, o DPI tem investido fortemente na integração de sistemas, na modernização dos procedimentos e na padronização das rotinas policiais.

Isso permite otimizar equipes, viabilizar modelos como o plantão policial integrado e assegurar que as delegacias atuem de forma coordenada, com maior eficiência e qualidade no serviço prestado à população.

Fale sobre o novo sistema que está em implantação e que promete levar atendimento da Delegacia da Mulher a mais municípios.

A DAM Virtual nasce justamente para ampliar o acesso das mulheres ao atendimento especializado da Polícia Civil. A proposta é utilizar a tecnologia para garantir que meninas e mulheres vítimas de violência doméstica, mesmo em municípios pequenos ou distritos mais distantes, possam ser atendidas por uma equipe preparada, composta por mulheres e coordenada por uma Delegada de Polícia.

Esse atendimento será feito por videochamada, com acolhimento humanizado e especializado. A vítima poderá registrar o boletim de ocorrência, prestar suas declarações, apresentar documentos e, quando necessário, ter o pedido de medida protetiva encaminhado ao Poder Judiciário.

O objetivo é simples e muito importante: fazer com que a proteção chegue onde a vítima está. A tecnologia, nesse caso, não substitui o atendimento humano; ela aproxima a Polícia Civil da mulher que precisa de ajuda, especialmente nos locais onde ainda não há uma Delegacia da Mulher instalada fisicamente.

Considerando os altos índices de violência contra a mulher, em que MS é o segundo Estado com mais feminicídios do País, qual é a importância da implantação desse sistema para a segurança pública?

A principal importância é a universalização do atendimento especializado. A DAM Virtual permitirá que mulheres de todos os municípios tenham acesso a um serviço qualificado, acolhedor e direcionado às situações de violência doméstica e familiar.

É possível, inclusive, que a melhoria do atendimento gere um aumento inicial nos registros. Mas isso não deve ser interpretado, necessariamente, como aumento da violência.

Muitas vezes, significa que mais mulheres passaram a confiar no serviço público, conseguiram pedir ajuda e deixaram de permanecer invisíveis para o sistema de proteção.

Esse é um ponto muito relevante. A violência doméstica ainda possui muitas cifras ocultas, ou seja, muitos casos que acontecem, mas não chegam ao conhecimento da Polícia.

Quando ampliamos o acesso ao atendimento, conseguimos proteger mais mulheres, produzir dados mais fiéis à realidade e subsidiar políticas públicas mais eficazes.

Portanto, a DAM Virtual tem dupla importância: protege a vítima no caso concreto e, ao mesmo tempo, melhora a capacidade do Estado de compreender e enfrentar o fenômeno da violência contra a mulher.

O Garras realizou recentemente uma operação em Coxim para tentar conter conflitos entre facções criminosas. Essa é uma das principais preocupações para as delegacias de fronteira e do interior?

O combate aos crimes violentos e à atuação de grupos criminosos está entre as prioridades da segurança pública no interior do Estado. Essa não é uma preocupação restrita às regiões de fronteira; é uma pauta que exige atenção permanente em todas as regiões onde há sinais de expansão ou reorganização de grupos criminosos.

A Polícia Civil, em conjunto com a Polícia Militar e outras forças de segurança, tem acompanhado de perto esse cenário. As ações não são isoladas. Elas envolvem inteligência, troca de informações, investigações qualificadas e operações integradas.

Recentemente, além da atuação em Coxim, também foram desencadeadas ações em outras regiões do Estado, com participação de unidades da Polícia Civil do interior, da Capital, da Polícia Militar, da Polícia Rodoviária e de outros órgãos do sistema de segurança pública.

O ponto central é que o Estado está atento e atuante. A resposta passa por investigação, integração e atuação coordenada, sempre com foco na prevenção de novos crimes, na prisão de envolvidos e na desarticulação desses grupos.

Como a Polícia Civil tem atuado para combater a atuação dessas facções no interior de MS?

A principal ferramenta é a inteligência policial. O enfrentamento a grupos criminosos exige informação qualificada, integração entre instituições e capacidade de agir de forma rápida e coordenada.

As forças de segurança têm trabalhado em grupos integrados, com troca constante de informações e planejamento conjunto de ações preventivas e repressivas. Isso permite identificar lideranças, mapear rotas, compreender a movimentação de criminosos e antecipar conflitos.

Mato Grosso do Sul possui uma posição geográfica estratégica. O Estado faz fronteira com países que são rotas conhecidas do tráfico de drogas e também enfrenta a entrada ilegal de armas pelo mercado clandestino. Essa condição exige atenção redobrada.

Além disso, a consolidação da Rota Bioceânica representa uma transformação logística importante para o Estado. Ela trará desenvolvimento, integração e novas oportunidades econômicas, mas também exigirá das forças de segurança uma preparação ainda maior para prevenir possíveis novas rotas de circulação de ilícitos.

Por isso, a Polícia Civil tem trabalhado com planejamento, tecnologia, integração com a Polícia Militar, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, enfim, coordenada com os demais órgãos do sistema de segurança pública, e fortalecimento das estruturas investigativas no interior.

Quais projetos o senhor pretende implantar ou consolidar ao longo da gestão das delegacias do interior? 

Alguns projetos importantes já estão em execução e vêm mudando a forma de atuação da Polícia Civil no interior. O Inquérito Policial Digital e o IntegraJus Mulher, por exemplo, já são realidade e representam avanços importantes na modernização dos procedimentos, na redução de burocracias e na maior rapidez na tramitação das medidas protetivas.

A DAM Virtual é outro projeto estratégico. O piloto deve ser iniciado ainda este mês, com expectativa de consolidação como serviço permanente ao longo do segundo semestre. É uma iniciativa que amplia o alcance da Polícia Civil e melhora o atendimento às mulheres em situação de violência.

Ainda no campo do enfrentamento à violência doméstica, a Polícia Civil avança para, neste ano, assegurar atendimento especializado e humanizado a 100% da população por meio das Salas Lilás. Atualmente, já são 63 unidades instaladas no Estado, com cobertura estimada de 98% da população.

Esses espaços foram estruturados para oferecer acolhimento adequado, reservado e sensível às vítimas de violência doméstica e familiar, constituindo uma ferramenta essencial para qualificar o primeiro atendimento. Além disso, as Salas Lilás também serão empregadas como pontos de apoio para o acolhimento das vítimas atendidas pela DAM Virtual, integrando tecnologia, presença territorial e atendimento humanizado.

Também estamos trabalhando no fortalecimento das Seções de Investigações Gerais, as SIGs, nas cidades-sede das Delegacias Regionais. A ideia é ampliar a capacidade investigativa e operacional do interior, com equipes padronizadas, integradas e preparadas para atuar em crimes violentos, crimes complexos e investigações que exigem técnicas mais especializadas.

Outro ponto relevante é que a Polícia Civil receberá, em breve, um importante reforço estrutural, com a chegada de novos servidores que estão concluindo o curso de formação na Academia de Polícia, além de novas viaturas policiais e pistolas Glock, calibre 9 milímetros.

Trata-se de um aporte expressivo de pessoal, equipamentos e tecnologia, resultado de um esforço institucional conduzido pelo delegado-geral da Polícia Civil, dr. Lupersio Degerone Lúcio, com o objetivo de fortalecer a capacidade operacional, investigativa e de atendimento da instituição em todo o Estado.

Em resumo, a gestão do Departamento de Polícia do Interior tem buscado modernizar procedimentos, integrar unidades, fortalecer a investigação e garantir que a população do interior receba um serviço cada vez mais eficiente, humano e qualificado. 

{ PERFIL }

Jairo Carlos Mendes 

Ingressou na Polícia Civil do Estado no ano de 1990. Desempenhou atividades em várias delegacias como 4ªDP, Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), Grupo de Operações Especiais (GOE), Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), destacando-se sua passagem pela 5ª Delegacia de Polícia de Campo Grande-MS, onde atuou por 8 anos.

Também exerceu funções de corregedor geral de Polícia. Atuou ainda como diretor do Departamento de Recursos e Apoio Policial (Drap). Atualmente é diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI).

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