Cidades

Entrevista

"Quando ampliamos o acesso, conseguimos proteger mais mulheres"

Delegado responsável pelo interior de MS falou sobre implantação da Delegacia de Atendimento à Mulher Virtual, que será lançada no Estado e promete levar atendimento a locais mais distantes

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Com o objetivo de levar atendimentos a todas as localidades de Mato Grosso do Sul, o governo do Estado pretende colocar em funcionamento a partir deste mês o projeto da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) Virtual. Para falar sobre a ferramenta, o delegado Jairo Carlos Mendes, diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI)da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) é o entrevistado da semana.

Segundo o delegado, a ferramenta deve ser iniciada ainda neste mês, com expectativa de consolidação como serviço permanente ao longo do segundo semestre.

O diretor também falou sobre os desafios das fronteiras de Mato Grosso do Sul e de outros projetos futuros. Confira a entrevista.

Quais são hoje os principais desafios das delegacias do interior de Mato Grosso do Sul?

O Departamento de Polícia do Interior tem desafios bastante particulares. Mato Grosso do Sul possui uma extensa faixa de fronteira com o Paraguai e a Bolívia, superior a 1.500 quilômetros, o que impõe uma dinâmica muito complexa para a segurança pública.

Essa realidade favorece o trânsito de criminosos, o escoamento de drogas, armas e outros ilícitos, exigindo da Polícia Civil uma atuação permanente, integrada e muito bem planejada.

Além da fronteira, temos o desafio territorial. O interior do Estado é formado por municípios muito distantes entre si, com realidades distintas e demandas próprias.

Nosso compromisso é garantir que a população receba um atendimento policial eficiente, presente e padronizado, independentemente do tamanho do município ou da distância em relação aos grandes centros.

Para enfrentar essa realidade, o DPI tem investido fortemente na integração de sistemas, na modernização dos procedimentos e na padronização das rotinas policiais.

Isso permite otimizar equipes, viabilizar modelos como o plantão policial integrado e assegurar que as delegacias atuem de forma coordenada, com maior eficiência e qualidade no serviço prestado à população.

Fale sobre o novo sistema que está em implantação e que promete levar atendimento da Delegacia da Mulher a mais municípios.

A DAM Virtual nasce justamente para ampliar o acesso das mulheres ao atendimento especializado da Polícia Civil. A proposta é utilizar a tecnologia para garantir que meninas e mulheres vítimas de violência doméstica, mesmo em municípios pequenos ou distritos mais distantes, possam ser atendidas por uma equipe preparada, composta por mulheres e coordenada por uma Delegada de Polícia.

Esse atendimento será feito por videochamada, com acolhimento humanizado e especializado. A vítima poderá registrar o boletim de ocorrência, prestar suas declarações, apresentar documentos e, quando necessário, ter o pedido de medida protetiva encaminhado ao Poder Judiciário.

O objetivo é simples e muito importante: fazer com que a proteção chegue onde a vítima está. A tecnologia, nesse caso, não substitui o atendimento humano; ela aproxima a Polícia Civil da mulher que precisa de ajuda, especialmente nos locais onde ainda não há uma Delegacia da Mulher instalada fisicamente.

Considerando os altos índices de violência contra a mulher, em que MS é o segundo Estado com mais feminicídios do País, qual é a importância da implantação desse sistema para a segurança pública?

A principal importância é a universalização do atendimento especializado. A DAM Virtual permitirá que mulheres de todos os municípios tenham acesso a um serviço qualificado, acolhedor e direcionado às situações de violência doméstica e familiar.

É possível, inclusive, que a melhoria do atendimento gere um aumento inicial nos registros. Mas isso não deve ser interpretado, necessariamente, como aumento da violência.

Muitas vezes, significa que mais mulheres passaram a confiar no serviço público, conseguiram pedir ajuda e deixaram de permanecer invisíveis para o sistema de proteção.

Esse é um ponto muito relevante. A violência doméstica ainda possui muitas cifras ocultas, ou seja, muitos casos que acontecem, mas não chegam ao conhecimento da Polícia.

Quando ampliamos o acesso ao atendimento, conseguimos proteger mais mulheres, produzir dados mais fiéis à realidade e subsidiar políticas públicas mais eficazes.

Portanto, a DAM Virtual tem dupla importância: protege a vítima no caso concreto e, ao mesmo tempo, melhora a capacidade do Estado de compreender e enfrentar o fenômeno da violência contra a mulher.

O Garras realizou recentemente uma operação em Coxim para tentar conter conflitos entre facções criminosas. Essa é uma das principais preocupações para as delegacias de fronteira e do interior?

O combate aos crimes violentos e à atuação de grupos criminosos está entre as prioridades da segurança pública no interior do Estado. Essa não é uma preocupação restrita às regiões de fronteira; é uma pauta que exige atenção permanente em todas as regiões onde há sinais de expansão ou reorganização de grupos criminosos.

A Polícia Civil, em conjunto com a Polícia Militar e outras forças de segurança, tem acompanhado de perto esse cenário. As ações não são isoladas. Elas envolvem inteligência, troca de informações, investigações qualificadas e operações integradas.

Recentemente, além da atuação em Coxim, também foram desencadeadas ações em outras regiões do Estado, com participação de unidades da Polícia Civil do interior, da Capital, da Polícia Militar, da Polícia Rodoviária e de outros órgãos do sistema de segurança pública.

O ponto central é que o Estado está atento e atuante. A resposta passa por investigação, integração e atuação coordenada, sempre com foco na prevenção de novos crimes, na prisão de envolvidos e na desarticulação desses grupos.

Como a Polícia Civil tem atuado para combater a atuação dessas facções no interior de MS?

A principal ferramenta é a inteligência policial. O enfrentamento a grupos criminosos exige informação qualificada, integração entre instituições e capacidade de agir de forma rápida e coordenada.

As forças de segurança têm trabalhado em grupos integrados, com troca constante de informações e planejamento conjunto de ações preventivas e repressivas. Isso permite identificar lideranças, mapear rotas, compreender a movimentação de criminosos e antecipar conflitos.

Mato Grosso do Sul possui uma posição geográfica estratégica. O Estado faz fronteira com países que são rotas conhecidas do tráfico de drogas e também enfrenta a entrada ilegal de armas pelo mercado clandestino. Essa condição exige atenção redobrada.

Além disso, a consolidação da Rota Bioceânica representa uma transformação logística importante para o Estado. Ela trará desenvolvimento, integração e novas oportunidades econômicas, mas também exigirá das forças de segurança uma preparação ainda maior para prevenir possíveis novas rotas de circulação de ilícitos.

Por isso, a Polícia Civil tem trabalhado com planejamento, tecnologia, integração com a Polícia Militar, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, enfim, coordenada com os demais órgãos do sistema de segurança pública, e fortalecimento das estruturas investigativas no interior.

Quais projetos o senhor pretende implantar ou consolidar ao longo da gestão das delegacias do interior? 

Alguns projetos importantes já estão em execução e vêm mudando a forma de atuação da Polícia Civil no interior. O Inquérito Policial Digital e o IntegraJus Mulher, por exemplo, já são realidade e representam avanços importantes na modernização dos procedimentos, na redução de burocracias e na maior rapidez na tramitação das medidas protetivas.

A DAM Virtual é outro projeto estratégico. O piloto deve ser iniciado ainda este mês, com expectativa de consolidação como serviço permanente ao longo do segundo semestre. É uma iniciativa que amplia o alcance da Polícia Civil e melhora o atendimento às mulheres em situação de violência.

Ainda no campo do enfrentamento à violência doméstica, a Polícia Civil avança para, neste ano, assegurar atendimento especializado e humanizado a 100% da população por meio das Salas Lilás. Atualmente, já são 63 unidades instaladas no Estado, com cobertura estimada de 98% da população.

Esses espaços foram estruturados para oferecer acolhimento adequado, reservado e sensível às vítimas de violência doméstica e familiar, constituindo uma ferramenta essencial para qualificar o primeiro atendimento. Além disso, as Salas Lilás também serão empregadas como pontos de apoio para o acolhimento das vítimas atendidas pela DAM Virtual, integrando tecnologia, presença territorial e atendimento humanizado.

Também estamos trabalhando no fortalecimento das Seções de Investigações Gerais, as SIGs, nas cidades-sede das Delegacias Regionais. A ideia é ampliar a capacidade investigativa e operacional do interior, com equipes padronizadas, integradas e preparadas para atuar em crimes violentos, crimes complexos e investigações que exigem técnicas mais especializadas.

Outro ponto relevante é que a Polícia Civil receberá, em breve, um importante reforço estrutural, com a chegada de novos servidores que estão concluindo o curso de formação na Academia de Polícia, além de novas viaturas policiais e pistolas Glock, calibre 9 milímetros.

Trata-se de um aporte expressivo de pessoal, equipamentos e tecnologia, resultado de um esforço institucional conduzido pelo delegado-geral da Polícia Civil, dr. Lupersio Degerone Lúcio, com o objetivo de fortalecer a capacidade operacional, investigativa e de atendimento da instituição em todo o Estado.

Em resumo, a gestão do Departamento de Polícia do Interior tem buscado modernizar procedimentos, integrar unidades, fortalecer a investigação e garantir que a população do interior receba um serviço cada vez mais eficiente, humano e qualificado. 

{ PERFIL }

Jairo Carlos Mendes 

Ingressou na Polícia Civil do Estado no ano de 1990. Desempenhou atividades em várias delegacias como 4ªDP, Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), Grupo de Operações Especiais (GOE), Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), destacando-se sua passagem pela 5ª Delegacia de Polícia de Campo Grande-MS, onde atuou por 8 anos.

Também exerceu funções de corregedor geral de Polícia. Atuou ainda como diretor do Departamento de Recursos e Apoio Policial (Drap). Atualmente é diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI).

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MATO GROSSO DO SUL

Estado destina R$ 130 mil para grupo de pagode em "Feijoada Solidária"

Contratação da banda Atitude 67 foi feita por inexigibilidade de licitação para apresentação durante evento beneficente em Ponta Porã; arrecadação será revertida para a Campanha do Agasalho 2026

19/06/2026 12h00

Grupo sul-mato-grossense Atitude 67 será a principal atração da 4ª edição da Feijoada Solidária, em Ponta Porã

Grupo sul-mato-grossense Atitude 67 será a principal atração da 4ª edição da Feijoada Solidária, em Ponta Porã Divulgação

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O Governo de Mato Grosso do Sul vai desembolsar R$ 130 mil para a contratação do grupo de pagode Atitude 67, principal atração musical da 4ª edição da Feijoada Solidária, que será realizada no próximo dia 27 de junho, em Ponta Porã.

A contratação foi oficializada por meio de ratificação de inexigibilidade de licitação, publicada no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (19). Conforme o documento, o valor será pago à empresa Live Talentos Agenciamento, Produção e Publicidade Ltda., detentora da exclusividade na representação artística da banda.

O processo foi fundamentado no artigo 74, inciso II, da Lei Federal nº 14.133/2021, que permite a contratação direta de artistas consagrados por intermédio de empresário exclusivo. O contrato prevê uma apresentação de uma hora e meia de duração, com início às 16h30, no Majestic Hall Eventos.

Segundo o extrato, o show integra o projeto “Ações Culturais para o Fortalecimento de Mato Grosso do Sul”.

A Feijoada Solidária é promovida pela Prefeitura de Ponta Porã, por meio da Secretaria Municipal de Cidadania e Inclusão Social, e teve sua realização anunciada durante o lançamento oficial da Campanha do Agasalho 2026, ocorrido na última semana no Parque Tecnológico Internacional (PTIn).

Além do Atitude 67, a programação musical contará com apresentações dos grupos Samba Pop e Estranjeras, da cantora Karla Coronel e da Escola de Samba Igrejinha.

A arrecadação obtida com o evento será destinada ao fortalecimento da Campanha do Agasalho, iniciativa voltada ao atendimento de famílias em situação de vulnerabilidade durante o período de inverno.

Em 2025, a Campanha do Agasalho arrecadou mais de 13 mil peças de roupa, quantidade suficiente para atender toda a rede municipal. Para este ano, a expectativa da administração municipal é superar o resultado alcançado na edição anterior.

Os ingressos para a Feijoada Solidária estão à venda. O setor “Batuque da Galera” custa R$ 170, além da taxa de serviço da plataforma de vendas no valor de R$ 25,50. Já o espaço “Samba no Pé”, composto por mesas para dez pessoas ao valor de R$ 2 mil, encontra-se esgotado.

O evento terá início às 12h no Majestic Hall Eventos, em Ponta Porã.

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Setor Gospel

Marcha para Jesus já consumiu R$ 1,3 milhão neste ano em MS

Em novas publicações, cidades como Água Clara, Jardim e Bela Vista também receberão a celebração

19/06/2026 11h45

 Marcha para Jesus atrai público infantil e adolescentes

Marcha para Jesus atrai público infantil e adolescentes Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A Marcha para Jesus em Mato Grosso do Sul de 2026 já movimentou cerca de R$ 1.330.000,00 em fechamentos de contratos para contratação de artistas para se apresentarem nos eventos. 

Na mais recente publicação feita no Diário Oficial do Governo do Estado, os municípios de Jardim e Bela Vista aparecem beneficiados pela verba disponibilizada. Recebendo respectivamente R$ 100 mil e R$ 120 mil, para realizar a celebração. 

Na ocasião, os contratos firmados foram com os artistas Theo Rubia, que se apresentará em Bela Vista e Soraya Moraes, que fará uma apresentação na cidade de Jardim. 

CONTRATOS ANTIGOS 

Em abril, o Correio do Estado reportou que, até aquele momento, já haviam sido fechados seis contratos, nas cidades  de Coxim, Nova Alvorada do Sul, Bonito, Bandeirantes, Iguatemi e Dourados. 

Os valores recebidos são padronizados, com todos os municípios recebendo R$ 120 mil, com exceção de Dourados, que recebeu R$ 270 mil, para contratação da Banda Morada. 

E além das cidades que foram anunciadas hoje por meio do Diário Oficial, no mês de maio cidades como Água Clara e Chapadão do Sul, também receberam verba para a realização da Marcha para Jesus. Os contratos eram nos valores de R$ 120 mil. 
 

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