Cidades

ENTREVISTA

"Apelo às famílias para nos ajudarem monitorando as redes sociais dos filhos"

Secretário de Educação de Campo Grande fala sobre o crime ocorrido em escola municipal na quinta, as medidas que foram tomadas e pede ajuda dos pais para a segurança nas instituições

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Após o atentado ocorrido no início da tarde de quinta-feira, na Escola Municipal Bernardo Franco Baís, o titular da Secretaria Municipal de Educação (Semed), Lucas Bitencourt, falou com o Correio do Estado sobre a situação. Além das medidas que já foram tomadas pela Pasta, o secretário pediu uma atenção maior dos pais, para que eles também possam colaborar na segurança dos filhos e da comunidade escolar.

“Aqui eu deixo um apelo às famílias, para que possam nos ajudar monitorando as mochilas, as redes sociais dos filhos, verificando o celular, verificando o ciclo de amigos que essa criança tem também. Nós precisamos, nesse momento, dar as mãos para termos uma sociedade cada vez melhor”, afirmou o secretário.

Na quinta-feira, um adolescente de 15 anos, ex-aluno da Escola Bernardo Franco Baís, conseguiu entrar na instituição segurando duas facas, uma em cada mão, e chegou à secretaria, onde esfaqueou a mãe de uma criança de 10 anos, estudante do local.

Ao tentar ingressar no local onde as crianças estavam, o jovem foi barrado por um agente patrimonial, que o impediu de chegar aos alunos. Sobre o fato, o secretário relatou quais medidas já foram tomadas e quais ainda serão. Confira a entrevista.

Como foi a vida escolar do adolescente que esfaqueou a mãe de outro aluno na quinta-feira? Ele teve algum problema com outro aluno em algum momento? Ou com algum professor da Escola Municipal Bernardo Franco Baís?

Vale ressaltar que a vida escolar dele não teve situações que foram acentuadas. Realmente não tinham atas registradas de situações de brigas ou de violência dentro da unidade escolar. Todas as atas estão sendo levantadas, todo procedimento está sendo levantado, mas realmente não houve isso, de acordo com a coordenação da escola e a direção também. Agora, o caso está sendo investigado pela polícia, e em cima do que está sendo investigado estaremos, então, fazendo as verificações, as análises. Nós temos um grupo do psicossocioemocional também, um grupo de psicólogos acompanhando todo o procedimento, uma equipe técnica, o secretário de Segurança e Defesa Social prontamente esteve conosco fazendo acompanhamento, o agente patrimonial fez a ação que era necessária, seguindo todos os protocolos.
 
Tivemos relato de que em sua escola atual o adolescente já registrou alguns incidentes relacionados a comportamento. Em uma das situações, ele teria sido flagrado com uma faca. Mais nada parecido aconteceu no município? Desde quando até quando o adolescente estudou na Bernardo Franco Baís?

Ele foi aluno até o ano passado. Até o ano passado, não houve. Ele foi aluno regular aqui [Bernardo Franco Baís] até o ano passado [desde a 1ª série], então, não houve nenhum fato realmente acentuado. Porém, para com o Estado, aí realmente a polícia está investigando para saber o que é do Estado, como está a vida regular dele hoje. Mas realmente, até o momento, enquanto ele esteve no município, não tivemos nenhuma ata acentuada para isso.

Ele alega que foi até a escola porque teria sido abusado por alguns alunos que ainda estão estudando na instituição e que teria ido se vingar desses alunos. Não teve registro de nenhum fato sobre isso ou semelhante durante os anos em que ele estudou na instituição?

Não teve uma manifestação dele para com isso, mas acredito que agora psicólogos e a própria polícia estão investigando para a gente identificar o que o motivou a isso.

O que vocês vão fazer agora, que lições desse caso vocês levam para aumentarem a segurança nas escolas e evitar que esse tipo de situação se repita nas escolas municipais?

Já estamos fazendo, e aqui fica realmente que a principal palavra é a conscientização. A Secretaria Municipal de Educação e a Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social estão tomando uma série de ações. A nível de Semed, são palestras de conscientização, e aqui eu deixo um apelo às famílias, para que possam nos ajudar monitorando as mochilas, as redes sociais dos filhos, verificando o celular, verificando o ciclo de amigos que essa criança tem também. Nós precisamos nesse momento dar as mãos para termos uma sociedade cada vez melhor. Nas nossas escolas estão o futuro do nosso país, e nós precisamos acreditar que teremos bons cidadãos, críticos, pensantes, mas que também estão em formação, e precisamos nós sermos os direcionadores, os mediadores, desse processo todo.
 
Sobre a questão de segurança, em abril, período que foi delicado, com várias ameaças de atentados, houve um reforço na segurança das escolas municipais. Porém, depois foi reduzido para o número normal de agentes patrimoniais. Depois desse caso, haverá algum tipo de reforço na segurança das escolas como um todo, não só na Bernardo Franco Baís [na sexta-feira, havia vários agentes da Guarda Municipal na escola]?

Nós já estamos, como aqui nesse caso já tinha agente patrimonial. Mas eu acredito que o secretário de Segurança poderá explicar um pouquinho mais sobre esse procedimento. 

Vale ressaltar que nós trouxemos, nesse último chamamento, 109 guardas, então tivemos essa amplitude também para sanarmos as escolas municipais.

E agora que instalamos travas, sistema de alarme no período noturno, a ideia é trazer esse agente patrimonial para o diurno e deixar essa pessoa realmente cuidando do nosso principal e maior bem, que são as vidas, são os nossos alunos. Patrimônio a gente vai conseguir recuperar, mas realmente as vidas nós precisamos cuidar e cuidar bem. 

E a partir de amanhã [sábado] já vai entrar em funcionamento o aplicativo. A prefeita oficializará também. Nós já temos um canal antipânico e estamos ampliando isso, para que outros servidores tenham acesso a esse aplicativo. A prefeita vai oficializar na próxima semana.

Como vai funcionar exatamente esse aplicativo?

Como será oficializado pela prefeita na semana que vem, aí teremos todos os detalhes na íntegra, com a equipe que está construindo.

O senhor falou de palestras para as crianças, e queria que detalhasse como vocês vão tratar esse assunto, até para que elas não saibam o que ocorreu na quinta-feira por outros meios e tenham a orientação correta sobre o tema da violência nas escolas. Como evitar que tenham contato com esse tipo de assunto e que possam reproduzir a violência?

Temos que tomar muito cuidado para que nós não sejamos os provocadores dos gatilhos, essa não é a ideia. Então, a minha maior preocupação hoje, com a Secretaria Municipal de Educação, é prezar por essa integridade dessas crianças e trabalhar de uma forma muito exequível para que elas saibam que a sociedade tem problemas, mas saibam lidar com os problemas, com os conflitos. Procurar sempre um adulto, procurar a equipe psicológica, procurar um adulto que saiba direcionar a sua dificuldade. Em cima disso, um protocolo foi elaborado pela Superintendência de Gestão e Normas para ter, então, essa execução efetiva, da conscientização, para realização do procedimento correto.
 
E quando deve começar essa orientação?

Isso já está acontecendo por esse grupo em várias escolas e agora estamos ampliando cada vez mais.

Os servidores que presenciaram o fato vão receber algum tipo de acompanhamento psicológico?

Já estão recebendo. Hoje [sexta-feira] nós tínhamos aproximadamente 65 técnicas de educação, como psicólogos, apoiando, conversando, conscientizando e trazendo essa tranquilidade para a escola.

O senhor, em nome da secretaria, entrou em contato com a vítima de alguma forma?

Sim, a vítima esteve aqui conosco, conversou conosco, ela está de alta e realmente essa era nossa preocupação. Ela confia na escola, parabenizou a gestão da escola pelos protocolos também, e a gente louva a Deus por isso [pela recuperação dela].
 
Ela vai manter o filho na escola?

Sim, vai manter o filho, é uma parceira da escola, estamos orando para que as coisas continuem caminhando bem.

Mudando de assunto e falando da Rede Municipal de Educação (Reme) como um todo. Todo ano um dos principais problemas enfrentados pela Reme é a falta de vagas para os alunos que precisam ingressar nas Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis). Tem alguma previsão para que a fila seja reduzida? Para que haja um aumento na quantidade de vagas ofertadas?

Sim, há um estudo de ampliação, há um estudo para retomarmos as obras paradas que tem também no município de Campo Grande. Iremos a Brasília para verificar como está esse processo todo, mas queremos, sim, ampliar as vagas e prezar por essas crianças na escola.

E já tem uma data para que isso ocorra?

O decreto, a especificidade, a intencionalidade, é que seja este ano ainda.

Perfil

Lucas Henrique Bitencourt, casado e pai de uma filha, ele é natural de São Paulo (SP) e formado em História e em Pedagogia, com pós-graduação em Didática para o Ensino Superior, Inclusão e Psicopedagogia. Tem MBA em Gestão de Negócios Aplicada à Educação e é mestre em Educação com ênfase em Gestão Escolar. Exerceu a função de assistente educacional no Ensino Superior do Unasp/SP. Posteriormente, foi gerente de ensino da Secretaria de Educação no estado de São Paulo. Também atuou como conselheiro tutelar. Foi coordenador educacional para a região Centro-Oeste do País, com sede em Brasília (DF), para uma rede de ensino privada. Em Mato Grosso do Sul, atuou como coordenador pedagógico, diretor acadêmico e diretor administrativo da mesma rede, onde, posteriormente, assumiu a direção-geral do Estado. É membro atuante do Conselho Estadual de Educação de Mato Grosso do Sul. Atualmente, é titular da Secretaria Municipal de Educação (Semed).

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Sobreaviso

Com mais de mil denúncias Conselho Tutelar Norte suspende atendimento

Responsável por região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes fechou as portas ao público para tentar reduzir demanda acumulada por falta de servidores

24/08/2026 17h40

Conselho Tutelar região Norte

Conselho Tutelar região Norte Foto: Paulo Ribas

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Uma região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes, cinco conselheiros tutelares e, atualmente, apenas uma servidora administrativa trabalhando seis horas por dia. O resultado dessa conta é uma fila de 1.581 denúncias e relatórios ainda sem atendimento no Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande.

Diante do acúmulo, os conselheiros decidiram suspender temporariamente o atendimento ao público para concentrar esforços na demanda represada. A medida, segundo as conselheiras, foi tomada após quase dois meses de quadro administrativo incompleto e semanas de espera pela reposição de funcionários.

“Hoje nós fizemos um levantamento e vimos que temos, em média, 1.581 denúncias e relatórios que ainda não receberam atendimento por conta da falta da equipe administrativa”, afirmou a conselheira Suellen Gomes, em entrevista ao jornal Correio do Estado. 

A situação é considerada crítica porque as demandas recebidas pelo Conselho Tutelar passam primeiro pela equipe administrativa. São os servidores que fazem a triagem, registram as denúncias, verificam documentos e localizam os históricos das famílias antes de os casos chegarem aos conselheiros.

Sem essa estrutura, o atendimento praticamente trava.“Tudo que chega dentro do Conselho Tutelar primeiro passa pela equipe administrativa. Quando chega à mesa do conselheiro, já deveria estar tudo certo para a gente notificar a família, fazer o atendimento e aplicar as medidas de proteção”, explicou Suellen.

O número, inclusive, não para de crescer. Poucos minutos depois de concluído o levantamento das 1.581 denúncias e relatórios pendentes, uma escola chegou ao Conselho com mais 60 fichas escolares, ampliando imediatamente a demanda.

A área atendida pelo Conselho Norte é uma das maiores de Campo Grande e se estende do fim da região do Nova Lima até o José Abrão. Segundo levantamento citado pelas conselheiras, realizado pela Planurb em 2023 para a divisão das áreas dos conselhos tutelares, a região concentra cerca de 58 mil crianças e adolescentes.

Portões fechados 

A suspensão do atendimento ao público, segundo as conselheiras, não significa a interrupção completa do serviço. Casos emergenciais continuam sendo atendidos, assim como as ocorrências acionadas pelo plantão, que permanece disponível 24 horas.Conselho Tutelar região Norte

A decisão, porém, expõe um problema mais profundo: para tentar dar conta das denúncias já acumuladas, o Conselho precisou fechar temporariamente as portas para novas demandas presenciais.

Administrativamente, a unidade é vinculada à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). De acordo com o relato das conselheiras, houve solicitação para reposição dos servidores e a situação também foi levada ao Ministério Público, responsável pela fiscalização dos Conselhos Tutelares.

A expectativa era de que funcionários fossem encaminhados para a unidade, o que não ocorreu até o momento. Conforme informado durante a entrevista, a prefeitura teria indicado a possibilidade de envio de servidores, mas, até a decisão pela suspensão do atendimento, a equipe não havia sido recomposta.

Para a conselheira Eliane Diniz, a medida é extrema, mas foi considerada necessária diante da dimensão da demanda e da natureza dos casos atendidos pela unidade.

“Isso é muito ruim, tanto para nós quanto para a população. A gente atende pessoas em situação de vulnerabilidade, que às vezes não têm nem dinheiro para uma passagem de ônibus e chegam aqui com o portão fechado. Isso, para a gente, é frustrante. Não é o que queremos”, afirmou.

Ela ressalta que o acúmulo não representa apenas números ou procedimentos burocráticos, mas casos envolvendo crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. “A gente trabalha com vidas. Às vezes é preciso tomar medidas drásticas para as pessoas acordarem. Do jeito que está, precisamos de socorro”, declarou Eliane.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para questionar a falta de servidores, a previsão de reposição e quais medidas serão adotadas diante das mais de 1,5 mil denúncias e relatórios pendentes. O espaço permanece aberto para manifestação.

Acidente Fatal

Estudante de medicina de Campo Grande morre após acidente no Paraguai

Jovem de 26 anos sofreu fratura na perna e trauma no tórax e aguardava transferência para Campo Grande ou Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

24/08/2026 17h25

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero.

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero. Foto: Reprodução.

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O estudante de medicina Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu na noite deste domingo (23), após permanecer internado em estado grave em decorrência de um acidente de trânsito ocorrido no sábado (22), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. O jovem era de Campo Grande.

Segundo informações policiais, Lucas conduzia uma motocicleta Kenton Blitz, de cor preta, quando se envolveu em uma colisão com uma caminhonete Toyota Hilux. As circunstâncias que provocaram o acidente ainda são apuradas pelas autoridades paraguaias.

Com o impacto, o estudante sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrido. Ele foi encaminhado inicialmente ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde a equipe médica constatou fratura na perna direita, diversas escoriações nos membros inferiores e trauma no tórax.

Diante da gravidade do quadro clínico, Lucas foi posteriormente transferido para o Hospital Regional de Ponta Porã, já em território brasileiro. Ele permaneceu internado na unidade enquanto era articulada uma nova transferência para um centro com maior estrutura hospitalar.

Transferência não pôde ser realizada

A previsão era de que o estudante fosse levado para Campo Grande ou Dourados por meio de uma “vaga zero”, mecanismo utilizado em situações de urgência e emergência para garantir atendimento mesmo quando não há leito previamente disponível na unidade de referência.

No entanto, o estado de saúde de Lucas se agravou antes que a remoção pudesse ser realizada. Sem condições clínicas para enfrentar o deslocamento, ele permaneceu em Ponta Porã e morreu na noite de domingo.

O motorista da Toyota Hilux foi identificado como Lucas Ariel Agüero Soria, de 25 anos. Ele também precisou receber atendimento hospitalar em razão do acidente, mas teve alta médica ainda na tarde de sábado.

A motocicleta e a caminhonete envolvidas na colisão foram apreendidas. Equipes do Departamento de Criminalística realizaram levantamentos no local do acidente para reunir elementos que possam esclarecer a dinâmica da batida e as circunstâncias que levaram à colisão.

Após a confirmação da morte, o corpo de Lucas foi levado para Campo Grande. O sepultamento estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira (24).

A investigação deverá apontar, a partir das perícias e demais elementos reunidos, como ocorreu o acidente e se houve responsabilidade de algum dos envolvidos.

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