Cidades

El Niño

Apesar das chuvas acima da média, Bombeiros monitoram cenário de incêndios em MS

A influência do El Niño deve exigir ações preventivas, devido às previsões de calor intenso

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O nível dos rios e a previsão de temperaturas acima da média histórica preocupam o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul para a próxima temporada de incêndios florestais, entre novembro deste ano e janeiro de 2027. Segundo a corporação, neste ano foram registrados 166 eventos de fogo na região pantaneira, com mais de 124,4 mil hectares de área queimada.

Na avaliação do Estado, a combinação entre a influência do El Niño e as medidas de preparação e prevenção contribuiu para que fossem registrados poucos casos de grandes incêndios florestais, mantendo os indicadores dentro da normalidade.

Segundo o subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental (DPA) do Corpo de Bombeiros, major Eduardo Teixeira, o El Niño contribuiu para a ocorrência de chuvas acima da média neste ano, distribuídas ao longo dos meses, o que ajudou a amenizar a preocupação com os incêndios florestais.

Para 2027, no entanto, a preocupação é maior em relação ao nível dos rios, que se aproxima de mínimas históricas. A depender do volume e da distribuição das chuvas nos próximos meses, a temporada de incêndios florestais pode começar mais cedo. 

Calor e chuvas intensas

Por outro lado, a previsão do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) indica chuvas com acumulados acima da média histórica no próximo trimestre. Esse cenário deve contribuir para manter a umidade do solo e reduzir a probabilidade de fogo na maior parte do Estado. Ao mesmo tempo, são esperadas temperaturas acima da média e maior probabilidade de ondas de calor, além de tempestades com chuvas intensas, vendavais, raios e queda de granizo.

A meteorologista e coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, explicou que os efeitos do El Niño sobre os incêndios florestais variam conforme as características de cada evento climático. “A análise integrada dos dados meteorológicos e do histórico climático demonstra que a ocorrência de incêndios florestais e o impacto do El Niño em Mato Grosso do Sul não seguem uma resposta linear ou padronizada, uma vez que cada evento do fenômeno possui características distintas”, afirmou.

Mesmo com a previsão de chuva, o Corpo de Bombeiros manterá equipes avançadas em campo e nas bases diante da perspectiva de temperaturas elevadas e da possibilidade de antecipação da temporada de incêndios em 2027. O prognóstico sobre incêndios é do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Monitoramento

Depois de chuvas intensas, Governo de MS cria grupo para monitorar El Niño

Será função da equipe acompanhar temperatura, chuvas, umidade do ar, focos de calor e incêndios florestais

26/10/2026 08h45

Tempo em Campo Grande; imagem ilustrativa.

Tempo em Campo Grande; imagem ilustrativa. Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O Governo de Mato Grosso do Sul criou um grupo de trabalho para acompanhar os efeitos do El Niño e articular medidas diante dos possíveis impactos do fenômeno. Conforme o decreto publicado no Diário Oficial do Estado desta segunda-feira (26), o objetivo é monitorar sistematicamente os prognósticos meteorológicos e climáticos relacionados ao fenômeno.

Entre as atribuições do grupo estão alinhar estratégias de comunicação de risco, elaborar relatórios sobre a evolução do cenário climático e acompanhar as medidas adotadas pelo Estado. A iniciativa ocorre em meio às condições climáticas em Mato Grosso do Sul, que registra volume de chuvas acima da média para o período.

Segundo dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec-MS), o acumulado de chuva na metade de outubro já se aproximava de 300 milímetros em algumas regiões. As chuvas acima da média já eram uma tendência prevista para este mês, em razão da atuação de alta intensidade do El Niño no segundo semestre deste ano.

Também será função da equipe acompanhar os indicadores relativos à temperatura, às chuvas, à umidade relativa do ar, à quantidade de água doce disponível, aos focos de calor e aos incêndios florestais.

Ainda de acordo com o documento, o grupo será formado por 11 representantes de secretarias estaduais, órgãos públicos, instituições de ensino e entidades municipais.

Grupo técnico

Participarão do grupo representantes das secretarias estaduais de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc); de Governo e Gestão Estratégica (Segov); de Saúde (SES); de Justiça e Segurança Pública (Sejusp); e de Infraestrutura e Logística (Seilog).

Também integram o grupo o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), o Corpo de Bombeiros Militar, a Polícia Militar, a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems) e a Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul).

Campo grande

Monopólio dos Constantino no ônibus pode chegar ao fim após cinco décadas

Família entrou no transporte público da Capital em 1975, quando comprou a Viação Cidade Morena, e hoje tem todas as empresas da concessionária, que está em processo de venda para a HP Mobilidade

26/10/2026 08h20

Viação Cidade Morena foi a primeira comprada pelos Constantino

Viação Cidade Morena foi a primeira comprada pelos Constantino Foto: Arquivo Pessoal

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Desde 1975, a família Constantino é dona de parte das empresas que operam no transporte coletivo de Campo Grande, mas este monopólio pode estar perto do fim, caso a prefeitura aceite a venda do Consórcio Guaicurus para a empresa Maas Administração e Participações Ltda., do grupo HP Mobilidade, de Goiânia (GO).

A primeira empresa adquirida pelos grupos da família Constantino no transporte da Capital foi a Viação Cidade Morena, que, segundo informações repassadas ao Correio do Estado, foi vendida em 1975.

Desde então, os Constantino vêm ampliando o monopólio, que chegou às quatro empresas integrantes do Consórcio Guaicurus, criado em 2012 para participar da licitação do transporte coletivo.

DADOS DO CNPJ

Oficialmente, pelos dados do CNPJ das empresas, a Viação Cidade Morena é apenas dos Constantino desde 2008, quando foram criados dois grupos, a SIC – Administração e Participações Ltda. e a UAI – Administração e Participações Ltda.

Ambas são controladas pelas mesmas pessoas: Ana Lucia Constantino Bongiovanni, Deise Constantino, Iris Marta Constantino Meneghin, Luciene Constantino Di Colla, Lucimara Constantino, Maraluce Constantino, Maria Fernanda Constantino Oishi Pires, Paulo Constantino de Carvalho e Thiago Constantino Di Colla.

As duas holdings, com sede em Presidente Prudente (SP), foram criadas em 2008, poucos meses antes da oficialização da compra da Cidade Morena (por ambas) e da Jaguar Transportes (pela SIC).

As outras duas empresas pertencentes ao Consórcio Guaicurus, Viação Campo Grande e Viação São Francisco, foram compradas depois pelo grupo dos Constantino. Na época da licitação de 2012, eles adquiriram parte das empresas por força da junção do consórcio. Tempos depois, passaram a controlar metade das empresas, dividindo com a Rm-Participacoes Ltda.

Quem administra o Consórcio Guaicurus é Paulo Constantino de Carvalho, que, além de ter participação nas duas holdings da família, também aparece como proprietário de parte das quatro empresas.

VENDA

Essa costura entre os familiares deve chegar ao fim caso a Prefeitura de Campo Grande autorize a venda de 100% do Consórcio Guaicurus para o Grupo HP Mobilidade, negócio que, conforme apurado pelo Correio do Estado, seria de cerca de R$ 200 milhões.

O município alega que aguarda a apresentação de propostas concretas para melhorar o serviço, como a renovação da frota, ônibus com ar-condicionado e melhorias nos terminais.

O anúncio do acordo entre a família Constantino e o grupo de Goiás, que já atua no transporte coletivo de Goiânia, ocorreu no dia 21 de julho deste ano.

Além dos veículos e dos imóveis, a venda também engloba os seis anos de contrato para administrar o transporte público de Campo Grande, tempo que pode ser estendido por mais 10 anos, conforme o acordo firmado em outubro de 2012 e que ontem completou 14 anos.

INTERVENÇÃO

Matéria do Correio do Estado mostrou que a intervenção municipal no serviço de transporte coletivo de Campo Grande pode estar em seus últimos momentos caso a venda seja aprovada. 

A informação é do interventor, o advogado Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, que está à frente da concessão desde o dia 16 de junho deste ano, quando a Prefeitura de Campo Grande anunciou a decisão de tomar conta do transporte coletivo da Capital por um período de 180 dias.

A medida de intervir no serviço não foi tomada por conta própria, mas respeitou uma decisão de dezembro de 2025 do juiz Eduardo Lacerda Trevisan, titular da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande. 

Antes da prefeitura decidir, no dia 8 de outubro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já havia aprovado a venda do Consórcio Guaicurus para o grupo HP Mobilidade.

* Saiba 

Após a aprovação do Cade para a venda das empresas que fazem o transporte público de Campo Grande, um advogado tentou reverter a decisão, alegando que as empresas estavam sob intervenção, porém, o Conselho não acatou o pedido.

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