Cidades

CRIME

Após 3 anos do caso Sophia, polícia investiga nova morte de criança

Assim como no crime de janeiro de 2023, padrasto e mãe são suspeitos de estrupro de vulnerável e maus-tratos a um menino de 1 ano e 8 meses; caso é investigado pela DEPCA da Capital

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga a morte de uma criança de 1 ano e 8 meses, em que o padrasto e a mãe são os principais suspeitos, mesmo grau de parentesco e violência envolvidos no caso de Sophia, que chocou Campo Grande há mais de três anos e terminou na condenação de ambos a penas somadas de 52 anos.

Na manhã de terça-feira, a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) foi acionada após chegar ao conhecimento a possível morte do menino Kalebe Josué da Silva, na Vila Santa Luzia, em Campo Grande.

A chamada foi feita por uma motorista de aplicativo, chamada Sirlei Aparecida Costa Viegas, de 60 anos.

De acordo com o boletim de ocorrência, Sirlei chamou a polícia após uma mãe, identificada como Taynara Fernanda da Silva Campos, de 31 anos, entrar no veículo e falar que seu filho estava morto na casa dela. 

Ainda de acordo com a passageira, seu marido teria ligado avisando que o menino não conseguia respirar e ela estaria desesperada para conseguir mais informações sobre o estado de saúde da criança.

Chegando à residência, os policiais encontraram o padrasto, Mikael Alexandre Souza de Campos, de 21 anos, segurando Kalebe pelos braços, sendo preciso os próprios agentes realizarem manobras de reanimação cardiopulmonar até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Assim que chegaram ao local, os paramédicos assumiram a massagem cardíaca e conseguiram reanimar o menino, que foi encaminhado imediatamente para a Santa Casa de Campo Grande para atendimento médico especializado. Porém, durante o deslocamento até o hospital, um dos profissionais de saúde notou “diversos hematomas pelo corpo, bem como indícios de possível abuso sexual na região íntima”.

Diante disso, os agentes foram ouvir o relato dos dois responsáveis pela criança. A mãe disse que saiu de casa por volta das 6h e deixou o menino sob os cuidados do padrasto, que por sua vez afirmou que nos primeiros minutos Kalebe ficou mamando, mas, que às 6h40min, foi pegá-lo para dar banho e percebeu que ele estava sem os movimentos.

A partir deste momento, ele teria ligado para sua esposa para falar sobre o fato e acionado o Samu, que teria passado as orientações iniciais. Ainda durante o atendimento médico, foi constatado um hematoma na região da cabeça da criança, estendendo-se até a área ocular.

Sobre isso, o padrasto explicou que a criança teria sofrido uma queda no dia anterior, mas que não foi levada ao hospital e realizou apenas um tratamento conservador com gelo no local da lesão.

Na residência também foram encontrados 2,8 gramas de maconha na varanda, além de vestígios de sangue na coberta da criança e na cama do casal, o que levantou as suspeitas de violência sexual e resultou na chamada da perícia técnica.

Nas inspeções iniciais feitas no corpo do menino, foi constatado uma leve dilatação na região do ânus, hematomas nas costas não sendo da data do caso e de cores diferentes, na virilha, em ambas as pernas e na base do pênis.

Sobre as lesões, Taynara afirmou que só as percebeu no dia anterior, mas que não fez nada sobre.
Tanto o padrasto quanto a mãe foram conduzidos à DEPCA, onde continuam presos até o fechamento da matéria.

Durante a madrugada de ontem, o menino morreu depois de quase dois dias internado na Santa Casa. O corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) para análise das marcas e constatações das causas.

NOTA

Poucas horas depois da morte de Kalebe, o Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande se posicionou diante do caso. A instituição disse que não foram encontrados registros passados de denúncias, nem em nome da mãe, da criança ou nos endereços vinculados.

A própria mãe também afirmou não ter conhecimento da origem de quaisquer indícios de maus-tratos cometidos contra seu filho. Além disso, relatou ao órgão que o padrasto tratava o menino com carinho, como se fosse seu próprio filho, e que jamais cometeria qualquer ato de violência contra a criança.

“Diante da gravidade do caso, a genitora foi encaminhada à delegacia especializada para prestação de depoimento, tendo em vista a inconsistência entre as informações apresentadas e o quadro clínico da criança. Paralelamente, a criança foi acolhida institucionalmente, passando a permanecer sob a proteção do Estado, sendo o Ministério Público imediatamente comunicado”, pontua.

“Ademais, foi realizado levantamento de informações acerca de seu histórico, incluindo contato com o serviço de saúde da família da região, verificação do local onde permanecia durante o dia e articulação com familiares paternos responsáveis pelos demais filhos da genitora”, complementa a instituição.

Vale destacar que, no decorrer do boletim de ocorrência, o padrasto contou à polícia que a mãe do menino perdeu a guarda de seus outros três filhos. Na nota, o Conselho Tutelar confirmou que as três crian-ças encontram-se sob os cuidados de suas respectivas famílias paternas e que seguirá acompanhando a situação.

Ao Correio do Estado, a conselheira Eliane Diniz, do Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande, explicou que a criança estava na Capital desde dezembro, após morar um tempo com a avó materna no interior do Estado. Porém, disse que não pode entrar em mais detalhes, pois as investigações continuam.

SEMELHANÇAS

O caso é muito parecido com o de Sophia de Jesus Ocampo, de 2 anos, a criança morreu no dia 26 de janeiro de 2023. A morte foi constatada após Stephanie de Jesus da Silva, de 25 anos, levar a pequena para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Coronel Antonino, em Campo Grande.

As enfermeiras que realizaram o primeiro atendimento constataram que a menina já apresentava rigidez cadavérica quando chegou à Unidade de Saúde. 

Posteriormente, a perícia constatou que a criança havia morrido 7 horas antes de chegar à UPA. O laudo necroscópico do Imol indicou que Sophia morreu por um traumatismo na coluna causado por agressão física.

Além das diversas lesões no corpo, a criança apresentava, ainda, sinais de estupro, causado por Christian Campoçano Leitheim, o padrasto de Sophia.

Os primeiros hematomas percebidos pelo pai biológico datam do final de 2021, e tornaram-se recorrentes até o assassinato. A mãe falava que os machucados eram referentes a quedas sofridas pela criança.

A partir de então, Jean Carlos Ocampo da Rosa, pai biológico, e Igor de Andrade Silva Trindade, pai afetivo, buscaram inúmeras formas de fiscalizar a situação da criança, por meio do Conselho Tutelar e boletins de ocorrências na DEPCA. 

Contudo, nenhuma providência foi tomada pelos órgãos públicos competentes, municipais ou estaduais, para resguardar a integridade física de Sophia.

Quase dois anos depois do caso, em dezembro de 2024, Stephanie foi condenada a 20 anos de prisão por homicídio qualificado por omissão. Já Christian foi condenado a 33 anos de prisão, sendo 20 anos por homicídio qualificado pelo motivo torpe, meio cruel e contra menor de 14 anos, e a 12 anos anos de prisão por estupro.

Em outubro do ano passado, o juiz Marcelo Andrade Campos Silva, da 4ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos, condenou o Estado e o Município por danos morais e materiais aos pais da menina Sophia, que receberão indenizações pelo resto de suas vidas.

 

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MUNDO NOVO

Mulher é encontrada morta com cabelos arrancados e marido é preso por feminicídio

Com este caso, Mato Grosso do Sul chega ao 12º feminicídio em 2026

01/05/2026 08h30

Suspeito relatou aos policiais que teria encontrado a companheira sem sinais vitais ao acordar

Suspeito relatou aos policiais que teria encontrado a companheira sem sinais vitais ao acordar Foto: Divulgação / Polícia Civil

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Na tarde desta quinta-feira (30), Vicente Asuncion Vidal Gonzalez, de 41 anos, foi preso em flagrante por ser suspeito de matar a esposa, Zelita Rodrigues de Souza, de 48 anos, na região do Porto Isabel, zona rural de Mundo Novo. Este é o 12º caso de feminícidio registrado em Mato Grosso do Sul.

A ocorrência chegou ao conhecimento da unidade policial após acionamento realizado pela Polícia Militar, que foi informada sobre a localização de uma mulher em óbito no interior de uma residência situada na Estrada do Cascalho.

No local, os policiais constataram que a vítima estava sobre uma cama e apresentava sinais evidentes de violência, incluindo lesões na região da nuca e cabelos arrancados, circunstâncias incompatíveis com morte natural.

O suspeito relatou aos policiais que teria encontrado a companheira sem sinais vitais ao acordar e alegou, inicialmente, que a morte poderia ter ocorrido em razão de causas naturais.

Contudo, diante das provas colhidas na cena do crime e da análise preliminar realizada pela perícia criminal, a hipótese foi descartada.

De acordo com as investigações, o casal mantinha um relacionamento conturbado, marcado por discussões frequentes, e ambos estariam ingerindo bebida alcoólica há alguns dias.

O homem foi preso em flagrante por feminicídio e conduzido à Delegacia de Polícia de Mundo Novo, onde permanece à disposição da Justiça.

A Polícia Civil segue com as investigações para o completo esclarecimento dos fatos.

Conteúdo Sensível

Perícia particular contesta laudo oficial e diz que PC Siqueira foi assassinado

O influenciador foi encontrado morto aos 37 anos, em dezembro de 2023, no apartamento onde morava, em Santo Amaro/SP

30/04/2026 22h00

Perícia conclui que youtuber não cometeu suicídio

Perícia conclui que youtuber não cometeu suicídio Divulgação

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Um parecer elaborado por um perito criminal particular contesta o laudo oficial sobre a morte do influenciador e youtuber Paulo Cezar Goulart Siqueira, o PC Siqueira, indicando que ele foi assassinado por estrangulamento. O influenciador foi encontrado morto aos 37 anos, em dezembro de 2023, no apartamento onde morava, em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. O laudo oficial apontava que ele teria tirado a própria vida por enforcamento.

O parecer, um documento de 48 páginas ao qual o Estadão teve acesso, foi elaborado pelo ex-perito da Polícia Técnico-Científica Francisco João Aparício La Regina, a pedido dos advogados da família do youtuber. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) informou que o parecer colabora com a investigação e será analisado junto com outros elementos e provas. O caso tramita em segredo de Justiça.

No documento, o perito afirma que PC Siqueira não morreu por enforcamento. Para isso, o principal argumento dele é a incompatibilidade do instrumento apreendido pela polícia no apartamento com a marca no corpo do influenciador. O parecer também indica "sinais fortes de alteração da cena do crime" e aponta "veementemente para o homicídio disfarçado de suicídio".

Conforme o boletim de ocorrência da morte do youtuber, em 27 de dezembro de 2023, a então companheira de PC, Maria Luiza Lopes Watanabe, também estava no apartamento no momento da morte e conversou com os policiais militares. Segundo o relato dela, o casal, que morava junto, havia terminado a relação dois dias antes e, após o rompimento, o influenciador aumentou o uso de medicamentos controlados e outras drogas.

Maria Luiza relatou ainda que PC estava agressivo e que ela tentou evitar a morte dele. A reportagem tenta contato com a defesa de Maria Luiza. Em outra oportunidade, a advogada dela, Clarissa Azevedo, afirmou que "não há elementos técnicos ou probatórios que sustentem a atribuição de responsabilidade à Sra Maria Luiza" e que os laudos oficiais apontam para morte por enforcamento.

A morte de PC foi constada por uma médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No registro, consta como "principal causa da morte o enforcamento da vítima junto a uma intoxicação por abuso de substâncias controladas e/ou proibidas", mesma conclusão dos laudos do Instituto Médico-Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC), da Polícia Técnico-Científica.

No fim de 2025, após um pedido do MP, a Justiça não autorizou o arquivamento do inquérito que tinha sido concluído e determinou a continuidade da investigação - ainda em andamento. A promotoria questionou os laudos e alegou contradições em depoimentos.

Procurada pelo Estadão, a Polícia Civil informou apenas que "as investigações do caso seguem sob segredo de Justiça, pelo 11º Distrito Policial (Santo Amaro)" e que "detalhes serão preservados para garantir o sigilo da investigação." Os advogados da família de PC Siqueira, Caio Muniz e Geraldo Bezerra da Silva Filho, e o perito particular foram procurados pela reportagem, mas não quiseram se manifestar em razão do sigilo do caso.

Quem é PC Siqueira?

Natural de Guarulhos, na Grande São Paulo, PC Siqueira fez parte da primeira geração de grandes influenciadores do YouTube no Brasil. Com mais de 2 milhões de inscritos, ele ficou famoso a partir de 2010 com o canal Mas Poxa Vida. Lá, publicava vídeos descontraídos com opiniões sobre cultura pop, games e temas variados.

Outro gosto de PC era a culinária. O youtuber teve o canal Rolê Gourmet, de receitas, que contou com mais de 970 mil inscritos. Ao lado de Cauê Moura e Rafinha Bastos, ele também comandou o canal Ilha de Barbados.

Após ficar conhecido no YouTube, ele se tornou apresentador de TV entre 2011 e 2013. Na MTV, apresentou PC Na TV, Nunca Verão, MTV Games e Furo MTV. Em 2019, PC participou do reality show O Aprendiz, na Record TV, com Roberto Justus.

O influenciador também fez carreira no cinema. Segundo o IMDb, entre 2016 e 2017, ele participou de filmes como Internet - O Filme, Os Penetras 2 - Quem Dá Mais? e Going To Brazil.

Animais também eram presença constante na vida de PC Siqueira. No começo de seu canal no YouTube, o influenciador pediu para o público presenteá-lo com um cachorro. Ele então ganhou a Lola, um buldogue francês, que o acompanhou até 2017, quando morreu.

PC Siqueira também foi diagnosticado com uma doença degenerativa rara, a osteonecrose da cabeça femoral. Ele, inclusive, se submeteu a uma cirurgia no quadril para retirar um osso necrosado na cabeça do fêmur e mostrou a recuperação nas redes sociais.

Em 2020, PC foi investigado por pedofilia, mas a polícia não encontrou provas do crime. Ele teve seus dispositivos eletrônicos apreendidos para perícia, entre eles computador, HD externo, celular e até videogame.

No relatório da Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC) da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, ao qual o site Notícias da TV teve acesso com exclusividade, os peritos concluíram que o youtuber não armazenou ou compartilhou fotos, ou vídeos de conteúdo pornográfico de menores de idade. Além disso, também não tinha conversas do influenciador com outras pessoas sobre o tema e ele tampouco fez buscas em sites de pesquisas a respeito do assunto

PC Siqueira desativou seu canal no YouTube na época da investigação. Quando voltou a criar conteúdo para a plataforma, falou que passava por dificuldades financeiras e pediu doações. Ele também seguiu carreira como tatuador.

O youtuber sempre foi transparente com o público sobre sua saúde mental. No Natal de 2023, PC publicou uma mensagem comentando a data. "Feliz Natal para você que não tem família, não tem muitos amigos ou não tem grana para fazer festa. Você não está sozinho!", disse no Instagram.

Onde buscar ajuda

Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.

Canal Pode Falar

Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.

SUS

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuventis e é possível buscar os endereços das unidades nesta página.

Mapa da Saúde Mental

O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.
 

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