Cidades

Antônio João

Após acordo de R$ 27 milhões, fazendeiros têm 15 dias para deixar terra indígena em MS

Presidente Lula é esperado no local já no próximo dia 25, data prevista para a assinatura de homologação da terra

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Após pagamento de R$ 27,8 milhões junto à União, fazendeiros de Antônio João, cidade distante 280 km de Campo Grande, têm duas semanas para deixarem a Terra Indígena (TI) Ñande Ru Marangatu no interior de MS, local que o presidente Lula já no próximo dia 25, data prevista para a assinatura de homologação da terra.

A saída dos fazendeiros acontece após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar que a área é território ancestral, em acordo indenizatório histórico realizado em setembro último, imbróglio iniciado em 2005, disputa que envolvia 9.317,216 hectares de terras situadas no Município de Antônio João, na área de fronteira com o Paraguai, situada na faixa dos 150 quilômetros paralela à linha divisória do território nacional.

A União deverá pagar aos proprietários o valor de R$ 27.887.718,98  a título das benfeitorias apontadas em avaliação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em 2005, valores  corrigidos pela inflação e a Taxa Selic.  

Diante do acordo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é esperado na Terra Indígena no próximo dia 25 para homologar o território, presença confirmada pelo secretário-executivo do MPI, Eloy Terena, ao Correio do Estado neste mês.

Na ocasião, Eloy Terena, falou sobre a tramitação e a prioridade da União de finalizar a homologação do território em Antônio João. “Esse caso é complexo, porque essa terra indígena já foi homologada em 2005, pelo próprio presidente Lula, porém, a área foi judicializada com uma liminar do Ministro Nelson Jobim, e desde então, existia essa liminar do Supremo impedindo a conclusão da demarcação”, explicou Eloy Terena.

Os proprietários também devem receber indenização, pela União, no valor de R$ 101 milhões pela terra nua. O Estado deverá efetuar, em depósito judicial, o montante de R$ 16 milhões, também a serem pagos aos proprietários, previstos para janeiro de 2025. 

O acordo prevê a extinção de todos os processos em tramitação no Judiciário envolvendo a disputa da TI, processos a serem extintos sem resolução de mérito.

No dia 18 de setembro, após o assassinato do indígena Neri Guarani Kaiowá, de 23 anos, a última etapa do processo demarcatório do território indígena do povo guarani-kaiowá, que estava paralisada há 19 anos, voltou a ser revista por meio de uma petição do MPI.

Firmado em audiência convocada pelo ministro Gilmar Mendes, relator do processo, participaram do encontro representantes dos proprietários, lideranças indígenas, integrantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Advocacia-Geral da União, do Ministério dos Povos Indígenas e do governo do Estado de Mato Grosso do Sul.

Atualizado às 17h47

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JUSTIÇA

TRT condena empresa de frutas por trabalho análogo à escravidão em MS

A empresa e seu sócio terão que pagar R$ 3,5 mil para cada trabalhador resgatado, por danos morais individuais

01/07/2026 09h00

Juíza rejeitou os pedidos da defesa para exclusão dos envolvidos da chamada

Juíza rejeitou os pedidos da defesa para exclusão dos envolvidos da chamada "lista suja" Divulgação: TRT

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O Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT-MS) condenou a empresa Peru Comercial Exportadora de Frutas Ltda e seu sócio Valdinei Aparecido Roque, por reconhecer trabalho análogo a escravidão. O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) moveu uma ação após a constatação de que 20 trabalhadores eram submetidos a condições semelhantes à escravidão durante atividades de colheita de limão.  

A empresa e seu sócio foram condenados ao pagamento de indenização de natureza gravíssima por danos morais individuais, no valor de R$ 3,5 mil para cada trabalhador resgatado, totalizando R$ 70 mil.

Além disso, a juíza Hella de Fátima Maeda, da Vara do Trabalho de Paranaíba, fixou o pagamento de R$ 20 mil a título de indenização pelo dano moral experimentado pela coletividade, com reversão do valor a fundos públicos ou projetos sociais.

Todas as preliminares levantadas pela defesa foram rejeitadas, incluindo alegações de incompetência territorial, ilegitimidade ativa do Ministério Público do Trabalho e ausência de interesse de agir.

Ainda na sentença, Maeda ratificou a existência de trabalho em condições degradantes, como alojamentos inadequados, ausência de instalações sanitárias, falta de registro em carteira dos trabalhadores, exposição a riscos ocupacionais e deficiência nas condições de higiene e segurança.

A juíza Hella Maeda também rejeitou os pedidos da defesa para exclusão dos envolvidos da denominada "lista suja" do trabalho escravo e de realização de perícias.

Extrema vulnerabilidade

A investigação que deu origem ao processo judicial teve início a partir de graves irregularidades constatadas durante uma diligência da Fiscalização do Trabalho na fazenda Pedra Negra, localizada na zona rural de Aparecida do Taboado e voltada para a produção de limão.

O episódio ocorreu em fevereiro de 2024 e resultou na lavratura de 22 autos de infração, que apontaram ausência de registro formal dos empregados, alojamentos precários sem condições mínimas de higiene, falta de equipamentos de proteção individual, inexistência de exames médicos admissionais e transporte irregular dos trabalhadores, dentre outras ilicitudes.

Além disso, relatos de trabalhadores confirmaram as situações de extrema vulnerabilidade identificadas pelos auditores-fiscais, como banhos a u céaberto, alimentação em condições insalubres, ausência de sanitários nas frentes de trabalho e jornadas exaustivas sem descanso semanal.

Embora os empregadores tenham firmado dois Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) para a quitação de verbas rescisórias e obrigações trabalhistas, em uma audiência realizada no dia 16 de fevereiro de 2024, não houve acordo quanto à compensação por danos morais, o que ensejou o ajuizamento da ação civil pública.

Buraco sem fim

Empresa da máfia do tapa-buraco troca de nome

Após a operação do Ministério Público, a Construtora Rial virou Força Engenharia Ltda.; o nome consta em todos os contratos que empreiteira tem com a Prefeitura de Campo Grande, porém sob o mesmo CNPJ

01/07/2026 08h00

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Construtora Rial, empresa suspeita de estar no centro de esquema de corrupção nos contratos de tapa-buraco em Campo Grande, mudou de nome quase dois meses depois de operação do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) revelar o desvio na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

Na segunda-feira, a equipe de reportagem do Correio do Estado acessou o Portal de Transparência da Prefeitura Municipal de Campo Grande para visualizar os contratos firmados entre a empresa investigada e o Executivo municipal, e o nome costumeiro ainda aparecia normalmente no site, sem qualquer alteração.

Porém, no dia seguinte, ao acessar novamente o Portal de Transparência, uma mudança chamou a atenção: a Construtora Rial virou Força Engenharia Ltda.

Segundo pesquisa feita pela reportagem, a mudança é apenas nominal, sem que o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sofresse modificações para que os contratos não precisassem ser substituídos.

No dia 12 de maio, a empresa foi o principal alvo da Operação Buraco Sem Fim, que descobriu um esquema milionário que agia nos contratos de tapa-buracos da Sisep.

De acordo com nota oficial do MPMS na época da ação, a então Construtora Rial teria faturado, de 2018 a 2025, entre contratos e aditivos, o montante de R$ 113.702.491,02.

Vale lembrar que, conforme matéria veiculada pelo Correio do Estado ontem, a empresa pediu para que o serviço de tapa-buraco nas Regiões Anhanduizinho, Segredo, Imbirussu e Bandeira, onde é responsável pela manutenção, fosse paralisado em razão dos desdobramentos da investigação do mês passado.

“A Construtora Rial solicitou a paralisação dos serviços de tapa-buracos após a deflagração da Operação Buraco Sem Fim. Na mesma ocasião, a Controladoria-Geral do Município (CGM) encaminhou ofício à Sisep recomendando a suspensão dos serviços para fins de auditoria instaurada sobre os contratos, incluindo a suspensão de pagamentos de medições recentes até a conclusão das análises técnicas”, disse a Sisep, em nota.

“A medida tem caráter cautelar e preventivo, com o objetivo de resguardar o interesse público, assegurar a regularidade dos processos administrativos e garantir a adequada verificação dos procedimentos de execução contratual, conforme diretrizes encaminhadas pela CGM à Sisep”, completou a Pasta.

Empreiteira era responsável pelo tapa-buraco em quatro regiões - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

SEGUE NO MERCADO

Mesmo diante de todos esses fatos, a empresa não parou de tentar entrar em licitações. Desde o início deste mês, o governo do Estado, por meio da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), lançou cinco licitações que preveem investimento de até R$ 1,9 bilhão em 18 lotes diferentes em praticamente todas as regiões do Estado.

Conforme consta na ata de licitação dos lotes, a agora Força Engenharia está interessada nos pedaços dois, seis e 15, que correspondem aos municípios de Ribas do Rio Pardo, Camapuã e Jardim, somando R$ 315.585.395,59.

Importante destacar que a empresa já tem contratos com a administração estadual para serviços de tapa-buracos em Costa Rica e Três Lagoas.

Durante a operação do MPMS, Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono da Força Engenharia Ltda., teve sua prisão preventiva revogada pelo juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal de Campo Grande, depois de permanecer preso por quase 30 dias.

O pai do empreiteiro, o pecuarista e sócio da empresa, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, também foi preso na operação, mas conseguiu reverter a prisão preventiva em domiciliar, e será monitorado por tornozeleira eletrônica até o fim deste ano.

*SAIBA

Doze dias depois de Rudi Fiorese – que também foi preso na Operação do MPMS – assumir o comando da Agesul, o diretor renovou o contrato com a Construtora Rial para fazer, por mais um ano, a manutenção de rodovias em Camapuã e Três Lagoas, o que garantiu mais R$ 20 milhões para a empresa. 

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