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MEIO AMBIENTE

Após embargo do TCE-MS, Estado paralisa mais 15 obras no Pantanal

Flexibilização em legislação estadual e entendimento da Agesul permitiam burlar estudos ambientais, avaliou o governo

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A falta de licença ambiental e o risco de danos ao Pantanal envolvendo obras de revestimento primário resultaram na paralisação de 15 contratos em Mato Grosso do Sul.

Um dos casos mais emblemáticos envolve a MS-228, a Estrada Parque. Além da execução da obra de aterro sem os devidos estudos de impacto, a via agora apresenta problemas como o início de assoreamento em alguns trechos e a interrupção de cursos d’água, efeitos negativos para o fluxo da fauna principalmente na região da Nhecolândia.

A erosão de trechos também pode exigir que etapas concluídas passem por novas obras, o que causará demora na entrega e possível aumento de custos.

“Atualmente, estão paralisados para análise da Seilog [Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística] 15 contratos de obras de revestimento primário em 9 estradas do Pantanal. Constatada a necessidade, a Agesul [Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos], por determinação da Seilog, já colocou em processo de licitação desde o mês passado 18 processos de licenciamento ambiental e retomará as obras o mais rápido possível, a fim de atender a justa demanda pelo fim do isolamento da população e das comunidades tradicionais pantaneiras”, explicou o governo estadual, em nota enviada ao Correio do Estado.

O governo confirmou que, na avaliação de contratos que foi realizada neste ano, com o início do mandato de Eduardo Riedel (PSDB), houve a identificação que o entendimento da legislação vigente e o conceito adotado pelos órgãos estaduais poderiam apresentar condições desfavoráveis e com impacto ambiental não mensurado, em detrimento da realização de obras de pavimentação primária, as quais não envolvem o asfaltamento.

O contrato de ampliação da MS-228 pelo Pantanal da Nhecolândia e sua ligação com 
a região do Paiaguás foi assinado no ano passado. Já as intervenções tiveram início em abril do mesmo ano. Os órgãos estaduais envolvidos diretamente nessa reestruturação são a Seilog e a Agesul.

CORREÇÕES

Apesar da recente repercussão sobre a interrupção das obras no Pantanal, que foi causada por medida cautelar do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) decretada no mês passado, por conta da falta de apresentação de licença ambiental, o governo do Estado ponderou que a identificação da necessidade de correções foi observada anteriormente às ações do órgão fiscalizador, que hoje tem em sua presidência o conselheiro Jerson Domingos.

“A Seilog informa que iniciou a suspensão das obras de revestimento primário na região [do Pantanal] em janeiro deste ano, muito antes, portanto, da medida cautelar do TCE-MS. Além de aproveitar a necessária paralisação no período chuvoso, a decisão teve como objetivo verificar os contratos e a validade da interpretação da legislação vigente por parte do órgão responsável, isto é, a Agesul”, detalhou em comunicado.

Até então, a agência havia permitido que alguns tipos de obras pudessem ser realizadas sem a necessidade de licenciamento ambiental, mesmo ocorrendo no Pantanal sul-mato-grossense.

Essa flexibilização estava prevista dentro de uma compreensão legal a qual entendia que, para recuperação, conservação, manutenção e implantação primária em estradas que já existiam, não era necessário estudo de impacto ambiental. Esse conceito, portanto, foi aplicado às obras realizadas no bioma.

No caso da MS-228, já existia um trajeto previsto na região da Nhecolândia constituído basicamente por areia e que era inundado em períodos de cheia. Não havia aterro formado, e o trajeto praticamente era um caminho aberto em meio a porteiras de fazendas.

As obras que foram iniciadas em 2022 passaram a retirar terra de trajetos da Estrada Parque e utilizar esses materiais para construir aterros de até 4 metros de altura. A Agesul não chegou a identificar ponderações em torno dessas intervenções até o fim do mesmo ano.

A agência estatal ainda passou por recente reorganização em sua estrutura básica, após publicação do decreto nº 16.223, de 3 de julho de 2023. Entre as adequações está uma diretoria específica de Meio Ambiente, que anteriormente dividia espaço com a da Segurança do Trabalho. Assim, a Agesul também tem agora um diretor de Meio Ambiente na estrutura da diretoria-executiva.

Compete a essa nova diretoria providenciar e acompanhar os processos de aprovação de estudos ambientais e de concessão de licenciamento ambiental; orientar e administrar as atividades de análise dos estudos de impactos ambientais e os respectivos relatórios, os projetos básicos ambientais e todos os demais estudos necessários aos procedimentos de licenciamento ambiental; e ainda acompanhar e orientar o cumprimento das condicionantes socioambientais, socioculturais e sociopolíticas impostas à Agesul.

Essas adequações dialogam com a proposta do Estado em alcançar o reconhecimento de ser carbono zero até 2030. Para tanto, estão envolvidas medidas de conservação ambiental, bem como elaboração de um inventário de gases de efeito estufa e ações que permitam a monetização desse sequestro de carbono e sua conversão em créditos a partir de políticas realizadas no Pantanal.

REUNIÃO

Diretamente afetados pelas intervenções, o setor produtivo no Pantanal já se manifestou favorável à construção de estradas, mas entende que é necessário o respeito às questões ambientais para que elas sejam construídas.

Em 27 de julho, houve uma reunião na sede do Sindicato Rural de Corumbá, promovida em parceria com o TCE-MS, para tratar do tema e haver um posicionamento oficial do segmento.

“Essa estrada, que na verdade são várias pequenas, tem cunho econômico, social e ecológico. Vai facilitar a entrada de suprimentos, permitir a saída da produção e viabilizar as viagens entre as fazendas e as cidades para os trabalhadores e o poder público. Isso melhora também a vida social das pessoas que trabalham na região”, opinou Gilson de Barros, presidente do sindicato corumbaense.

“Uma vez que você vai ter esse acesso, vai ser possível ter escolas rurais. Hoje, ninguém quer ir [pela dificuldade de acesso]. O apelo ambiental acontece porque vai agilizar a chegada de autoridades nos casos de incêndios florestais. A gente entende que ela [a estrada] vai permitir também uma fiscalização muito maior das polícias e dos órgãos de fiscalização”, concluiu.

Justiça

PGR repete pedido por acesso integral a dados de Vorcaro

Procuradoria reafirma que ministros devem conhecer íntegra do material

12/09/2026 19h00

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal Divulgação

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) reiterou neste sábado (12) o pedido para que todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham acesso integral aos dados extraídos pela Polícia Federal (PF) do celular do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A manifestação foi encaminhada ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, em meio à disputa sobre quais documentos devem ser disponibilizados antes do julgamento marcado para terça-feira (15).

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que os integrantes do STF tenham conhecimento prévio de todo o material necessário para formar entendimento sobre as questões em análise.

“Parece-nos relevante, sobretudo e especialmente dadas as peculiaridades da causa, que todos os ministros tenham conhecimento prévio da integralidade dos dados necessários para à formação de juízo sobre o tema posto em debate”, afirmou Gonet na manifestação deste sábado.

Dados do celular

Na sexta-feira (11), Fachin havia pedido a disponibilização integral das mensagens extraídas do aparelho de Vorcaro. O relator de parte do caso, ministro André Mendonça, afirmou, porém, que não estava com o celular e que os dados obtidos pela PF permaneciam em um envelope lacrado em seu gabinete.

Horas depois, Mendonça tornou públicas outras partes da investigação que ainda estavam sob sigilo, mas não liberou aos demais ministros o acesso às mensagens armazenadas no envelope.

Em nova manifestação, a PGR sustentou que a manutenção do conteúdo sob acesso restrito compromete a igualdade de condições entre os integrantes da Corte.

“Tal providência é necessária para que seja assegurado a todos os Ministros o conhecimento de todas as informações relevantes para o julgamento, já que a subsistência de acesso assimétrico ao acervo informativo compromete a paridade entre os integrantes da Corte e, em última análise, a própria colegialidade que deve presidir o julgamento”, escreveu Gonet.

Disputa no STF

O pedido ocorre em meio a uma série de manifestações de ministros sobre o acesso aos documentos que serão considerados pelo Plenário. Na sexta-feira, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin também defenderam que os colegas tenham acesso integral ao material relacionado ao julgamento. Neste sábado, o ministro Gilmar Mendes reiterou a posição.

O pedido deste sábado é assinado, além de Gonet e do vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho, pelos subprocuradores-gerais André de Carvalho Ramos e Antônio Edílio Magalhães Teixeira.

Julgamento na terça

Está marcada para terça-feira (15) uma sessão plenária extraordinária para analisar a Petição 16.662 e decidir sobre a abertura de uma possível investigação sobre supostas relações de Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Fachin também negou neste sábado o pedido de Moraes para que o processo relacionado a ele fosse julgado conjuntamente com outro procedimento que analisa a atuação de Mendonça como relator de parte do Caso Master.

Segundo o presidente do STF, o processo envolvendo Mendonça ainda está em fase preliminar de instrução e não reúne condições para ser levado ao plenário. A análise desse segundo caso foi marcada para 23 de setembro. 

Tempo

Campo Grande deve ter novo fim de semana de chuva e temporais

Instabilidade deve aumentar entre a noite deste sábado e o domingo, com possibilidade de chuva forte, ventos e trovoadas em quase todo o Estado

12/09/2026 18h30

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Campo Grande ainda contabiliza os estragos provocados pelo temporal de quinta-feira (10), mas o tempo instável deve continuar neste fim de semana. A previsão indica aumento das condições para chuva e tempestades entre a noite deste sábado (12) e o domingo (13), com possibilidade de trovoadas, rajadas de vento e chuva forte em pontos de Mato Grosso do Sul.

Para este sábado, o cenário permanece instável. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta a atuação de um sistema associado a um ciclone extratropical que mantém condições favoráveis à ocorrência de chuva e tempestades em partes do Centro-Oeste. O instituto também chama atenção para a possibilidade de granizo em áreas de MS.

Na Capital, a previsão indica muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas. O alerta da Defesa Civil reforça o risco justamente durante a noite, período em que podem ocorrer novas ocorrências relacionadas a vento, chuva intensa e descargas elétricas.

Domingo

Para domingo (13), o Inmet prevê em Campo Grande mínima de 18°C e máxima de 34°C, com muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas isoladas. A combinação de calor e umidade mantém a possibilidade de instabilidade ao longo do dia.

No interior, a instabilidade também deve atingir diferentes regiões do Estado, mas com variação nas temperaturas. Dourados, Ponta Porã, Três Lagoas, Corumbá e Aquidauana estão entre as cidades que devem ter mudança nas condições ao longo do domingo, com possibilidade de chuva associada à atuação da frente fria e das áreas de instabilidade.

Em Dourados, a estação meteorológica da Embrapa Agropecuária Oeste registrou 25 milímetros de chuva entre sexta-feira (11) e sábado, elevando o acumulado de setembro para mais de 72 milímetros.

 

 

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