Cidades

meio ambiente

Após Pantanal, Bonito entra na mira do Ministério Público

Desmatamento de 81 hectares no principal ponto turístico de Mato Grosso do Sul motivou abertura de inquérito civil

Continue lendo...

Depois de investigar propriedades no Pantanal que estariam desmatando o bioma além do permitido, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) agora mira o município de Bonito, principal destino de turismo ecológico do Estado. A 2ª Promotoria de Justiça da cidade investiga a supressão de 81,3 hectares de vegetação nativa na Fazenda Bom Jesus.

O inquérito civil foi instaurado pelo promotor Alexandre Estuqui Júnior, que relata no documento que o desmatamento da vegetação nativa não teve autorização da autoridade ambiental competente.

De acordo com o inquérito, instaurado em agosto deste ano, a ação vai contra a Constituição Federal, que determina, no artigo 225, que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida”.

Além disso, o investigado também pode responder por crime previsto nos artigos 38 e 60 da Lei Federal n° 9.605/1998, que estabelecem como infração a destruição ou danificação de floresta considerada de preservação permanente.

“Construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer parte do território nacional, estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e regulamentares pertinentes”, prevê como crime o artigo 60 da Lei Federal nº 9.605/1998.

O proprietário da fazenda, A. A. C., tem um prazo para prestar as informações ao MPMS e aderir às normas de supressão vegetal. 

No entanto, essa não é a primeira vez que o fazendeiro é alvo de um inquérito civil por atuação sem licença ambiental em Bonito.

Em 2019, ele foi identificado como um dos proprietários da Fazenda Rio Formoso, também em Bonito, e investigado pela tentativa de construção de um açude na propriedade rural, que, além de estar aparentemente em área de proteção especial, seria abastecido pelo Rio Formoso.

Na ocasião, a investigação começou a partir da constatação da construção do açude, que teria mais de 15 hectares e estava prestes a ser liberado pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). 

O instituto esclareceu ao MPMS que o dono da propriedade teria solicitado a captação superficial de 130 litros de água por segundo, 24 horas por dia, durante período de 30 dias, o que foi deferido pelo órgão.

Antes da instauração do inquérito, a fazenda também tinha sido autuada, em fevereiro de 2014, em razão de supressão vegetal sem licença em uma pequena área, onde seria escavado o açude.

Já em 2019, o instituto relatou que “o açude seria de dimensão superior ao que constatava no comunicado protocolado no Imasul, daí, então, o cancelamento naquela época do comunicado e, consequentemente, da construção”.

O proprietário não construiu o açude, o que levou ao arquivamento do inquérito civil em maio de 2020. Mesmo assim, a tentativa de construção é apontada como uma das causas para o turvamento das águas do Rio Formoso, registrado por turistas em janeiro de 2019, data em que as obras na fazenda estariam em andamento. 

O advogado e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS), Arlindo Muniz, relata que, se o inquérito não tivesse sido arquivado, isso poderia gerar uma reincidência para o fazendeiro, mesmo que as ações tenham natureza jurídica distinta.

Em relação ao desmatamento, atual procedimento instaurado pelo MPMS contra o fazendeiro, a pena é de multa e de 2 a 4 anos de prisão.

INVESTIGAÇÕES

Além do inquérito instaurado para apurar o desmatamento na Fazenda Bom Jesus, outras investigações também foram abertas pelo MPMS, entre elas, a de supressão de 223,06 hectares de vegetação nativa em fazenda no Pantanal, cuja a propriedade é de André Luiz dos Santos, conhecido como André Patrola, investigado por contratos suspeitos com o poder público.

Entre as áreas desmatadas na Fazenda Alegria, de Patrola, 89,34 hectares estão em Área de Preservação Permanente (APP), 29,48 hectares em área de Reserva Legal e 102,66 hectares em área de Remanescente de Vegetação Nativa.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que noticiou o desmatamento na Fazenda Alegria. 

Entretanto, essa não é a primeira vez que André Patrola é processado pelo órgão, que também relatou a abertura de estradas sem autorização ambiental na sub-região do Pantanal de Paiaguás, em Corumbá, entre dezembro de 2021 e outubro de 2022.

No inquérito civil, aberto pela promotora Ana Rachel Borges de Figueiredo Nina, André Patrola terá de prestar esclarecimentos pelas duas ações, de supressão vegetal, executada entre março e novembro do ano passado, e de abertura da estrada, que dá acesso à Ponte do Taquari e ocorreu sem licença ambiental.

Campo Grande

Prefeitura moderniza licenças para tornar táxi atrativo

Para melhorar a adesão ao tradicional serviço de táxi, que sucumbiu aos aplicativos de transporte, prefeitura de Campo Grande liberou picapes e criou categoria Black

22/09/2026 08h05

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

A Prefeitura de Campo Grande impôs novas regras para o serviço de táxi, que perdeu força depois da popularização dos motoristas de aplicativos, especialmente depois da pandemia da Covid-19, e busca retomar parte da força que teve no passado nas ruas da Capital. As mudanças flexibilizam o serviço e têm objetivo de, em tese, torná-lo mais atrativo à população.

No decreto assinado pela prefeita Adriane Lopes (PP), publicado pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), há, entre outras mudanças, a criação de novas categorias de serviço, a liberação de caminhonetes, entre outras novas regras. 

“A categoria tem enfrentado dificuldades desde a chegada dos transportes por aplicativos, e essas novas medidas são incentivos para os taxistas. Nós estamos atualizando e modernizando as legislações que envolvem a categoria”, disse a chefe do Executivo municipal durante o evento.

Uma das principais adições é a criação do Táxi Black, nome dado a um serviço mais exclusivo dos taxistas, que oferece mais conforto aos passageiros. Ao mesmo tempo, ele será mais caro do que o táxi padrão. Em conversa com Flávio Panissa, presidente do Sindicato de Taxistas de Mato Grosso do Sul (Sintaxi-MS), ele revelou que esta é uma reivindicação da classe há muito tempo.

“É um pleito antigo dos taxistas campo-grandenses, acho que todas as capitais já têm esse serviço. Hoje a gente entende que o taxista é um vendedor, então não é só vender, ele precisa de um produto, e quem quiser ter um táxi executivo, esse taxista poderá vender esse tipo de serviço, aqui em Campo Grande, de forma que o taxista possa escolher e aderir a essa modalidade”, relatou à reportagem.

Além disso, a partir de agora, caminhonetes também poderão ser credenciadas como táxis, uma demanda que atende, principalmente, passageiros da zona rural que precisam transportar volumes que não comportam em veículos convencionais. Porém, não serão todas as caminhonetes que poderão circular como táxis, havendo um limite de tamanho.

O presidente do Sintaxi-MS disse que a ideia é que as caminhonetes terão que ser “quatro portas” – as famosas cabines duplas. Ele evitou especificar o tamanho limite que será permitido, mas citou exemplos de veículos, como a Volkswagen Saveiro e a Chevrolet Montana, e deixou de lado tipos maiores, como a Dodge Ram.

As alterações não se restringem aos tipos de novos veículos que passam a rodar como táxis, mas também os taxistas estão liberados a rodarem nas faixas exclusivamente destinadas ao transporte público, sem que isso se caracterize infração de trânsito.

Menos burocracia

Serviço de táxi em Campo Grande terá regras mais flexíveis - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Outra mudança que foi publicada é a permissão que condutores permissionários atuem como condutores auxiliares, em situações específicas. Em suma, o taxista está autorizado a dirigir um veículo regulamentado em parceria com o titular da permissão ou alvará (o permissionário), ajudando na prestação do serviço.

“A medida busca evitar que o profissional fique sem renda quando o veículo estiver temporariamente indisponível para manutenção ou reparos. Para evitar irregularidades, a possibilidade será condicionada ao cumprimento de critérios e procedimentos de fiscalização”, explica a Prefeitura, em nota.

Com o decreto também foi prorrogado por seis meses o prazo para substituição de veículos da frota que atingiriam a idade máxima permitida no fim deste ano, passando o prazo final para junho de 2027. Atualmente, a idade máxima permitida para os veículos de táxi rodarem é de 10 anos de fabricação.

Cenário atual

Em nota enviada ao Correio do Estado, a Agetran informou que Campo Grande possui 516 taxistas cadastrados. Desse total, 318 estão com cadastro renovado e ativo. Os outros 198 cadastros “permanecem registrados no sistema, mas não estão atualmente ativos ou renovados”.

Em setembro do ano passado, a tarifa cobrada pelos taxistas campo-grandenses aumentou em 15%, saltando o preço do quilômetro rodado de R$ 3,36 para R$ 3,86 na bandeira 1 (válida para horários normais) e de R$ 3,83 para R$ 4,41 na bandeira 2 (válida para horários especiais). 

O preço da taxa de saída (bandeirada) está fixada em R$ 5,00, com exceção na região do Aeroporto, que está em R$ 9,00.

Houve a tentativa de conseguir o levantamento da evolução do número de taxistas dos últimos 10 anos em Campo Grande, a fim de poder comparar a situação atual com a da época antes da popularização dos motoristas de aplicativo. Porém, até o fechamento desta edição, a Agetran não forneceu a relação.

Justiça

AGU reitera ação para obrigar Discord a proteger usuários

Medidas propostas pela plataforma foram consideradas genéricas

21/09/2026 21h00

Discord é uma plataforma social de mensagens instantâneas e VoIP que permite a comunicação por meio de chamadas de voz, videochamadas, mensagens de texto e mídias

Discord é uma plataforma social de mensagens instantâneas e VoIP que permite a comunicação por meio de chamadas de voz, videochamadas, mensagens de texto e mídias Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Continue Lendo...

A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou nesta segunda-feira (21) novo pedido à Justiça Federal, em Brasília, para que a plataforma Discord seja obrigada a efetivar medidas para proteger mulheres, crianças e adolescentes na internet.

Na petição, a AGU diz que a empresa apresentou uma proposta de conciliação genérica e insuficiente para resolver as falhas apontadas pelo governo federal.

"Dotada de caráter genérico, com exceções e condicionantes dos mais diversos, [a proposta] não é apta a debelar a gravidade dos problemas associados, com a urgência e extensão que a demanda exige", afirmou a AGU no novo pedido.

No início deste mês, o juízo da 14ª Vara Federal Cível da Justiça Federal do Distrito Federal deu prazo de dez dias para o Discord apresentar a proposta.

A decisão foi proferida após o governo federal entrar com a ação judicial para obrigar a adoção das medidas. Na ação civil pública, a AGU também pede a condenação da empresa por dano moral coletivo no valor de R$ 500 milhões. 

O Discord passou a ser cobrado pelo governo após a repercussão do caso de uma adolescente que foi induzida a tirar a própria vida durante uma live transmitida pela plataforma. O episódio ocorreu em julho.

A plataforma foi consultada. O espaço está aberto para manifestação.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).