Cidades

CAMPO GRANDE

Após vigência do subsídio, gratuidades quase dobram no transporte coletivo

Variação dos dados da Agereg entre 2022 e de 2023 mostra um crescimento de 87% das viagens com benefício

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No segundo ano da vigência do subsídio para o transporte público de Campo Grande, as gratuidades no sistema quase dobraram. O custo dos passageiros que não pagam a tarifa, como estudantes, idosos e deficientes, entre outros, foi a justificativa usada para a implantação da ajuda financeira em 2022. 

O aumento nas gratuidades no ano passado foi de 87%, conforme indicam os dados obtidos pelo Correio do Estado por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). O mecanismo foi utilizado para ter acesso aos números, em razão das contradições e das dificuldades de acesso ao sistema. Os dados foram fornecidos pela Agência de Regulação de Serviços Públicos (Agereg). 

Em 2022, de acordo com a análise feita pela agência reguladora, 4.766.650 de viagens gratuitas ocorreram no transporte coletivo de Campo Grande. Já no ano passado esse montante quase dobrou, foram 8.942.414 de viagens gratuitas.

A justificativa para a implantação dos subsídios foi evitar aumento expressivo do valor da tarifa pública do transporte coletivo.

No ano passado, eles foram bancados pela Prefeitura de Campo Grande, o governo do Estado e a União, e o valor repassado para o Consórcio Guaicurus ultrapassou os R$ 30 milhões. 

O primeiro socorro por parte do poder público começou no início de 2022, quando a Câmara Municipal de Campo Grande aprovou o projeto do Poder Executivo para isentar o Consórcio Guaicurus de pagar o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), além do subsídio mensal de até R$ 1 milhão para o pagamento de gratuidades concedidas pelo município, ou seja, aos estudantes da Rede Municipal de Ensino (Reme) e a pessoas com deficiência ou doenças crônicas.

Além disso, em dezembro de 2022, o consórcio recebeu um repasse de R$ 14,7 milhões do governo federal para custear as gratuidades de idosos.

O governo do Estado também contribuiu com as gratuidades, pagando R$ 10 milhões por ano ao Consórcio Guaicurus como forma de arcar com os custos do transporte público coletivo dos alunos da Rede Estadual de Ensino (REE).

Desde o ano passado, o subsídio da prefeitura aumentou para até R$ 1,3 milhão por mês. No ano passado, além do pagamento mensal, foram “perdoados” R$ 9,7 milhões referentes ao pagamento do ISSQN.

EVITAR IMPACTO

Após atraso no anúncio do reajuste tarifário, no mês em que se completa um ano desde quando a última mudança no preço da tarifa foi realizada, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), informou que hoje haverá novidades a respeito do reajuste na tarifa do transporte público.

O valor da tarifa atual é de R$ 4,65, mas deverá ser reajustado para cumprir com o contrato que prevê aumento inflacionário todo ano. 

“Ontem tivemos uma reunião em que pautamos todas as tratativas técnicas para que, nesta sexta-feira, tenhamos uma resposta para trazer aos campo-grandenses, sabendo e tendo o entendimento de que o quanto menos for possível impactar a vida dos usuários, a gente vai fazer”, disse a prefeita, nesta quinta-feira. 

Adriane vem se pronunciando sobre o tema sempre enfatizando que o município pretende diminuir o impacto que o reajuste tarifário poderá causar, mas sem citar valores.

Perguntada durante esta semana sobre subsídios ao transporte coletivo, a prefeita informou que o governo do Estado garantiu o pagamento das gratuidades para os alunos da REE e que a prefeitura também seguirá com o aporte financeiro. 

“Nós temos um cálculo sendo realizado, mas ainda não temos um valor exato, estamos trabalhando para diminuir o impacto [do reajuste tarifário]. O subsídio entra na construção deste cálculo para onerar o quanto menos o usuário”, explicou. 

Também questionado sobre o assunto, o presidente da Câmara Municipal, vereador Carlão (PSB), declarou ao Correio do Estado que, para buscar um valor tarifário que atenda a sociedade, é preciso que a prefeitura pague a diferença entre o valor técnico da tarifa e o valor do passe que será reajustado. A nova tarifa técnica será de R$ 5,95.

“A prefeitura paga apenas as gratuidades, e esta diferença [da tarifa técnica para a convencional] vai além do subsídio, dá em torno de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões. Eles têm que entrar em um acordo para pagar esta diferença. Queremos exigir a compra de novos ônibus para o consócio, mas, para exigir, a prefeitura tem que cumprir a sua parte”, declarou Carlão.

NA JUSTIÇA

Outro processo que tramita na Justiça é o impasse da Prefeitura de Campo Grande com o Consórcio Guaicurus referente à necessidade de uma revisão no contrato de concessão do transporte público.

A última decisão sobre o tema ocorreu no dia 22 de fevereiro, quando a presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Maria Thereza de Assis Moura, decidiu manter a revisão do contrato, que não foi realizada em 2019.

A decisão foi uma mudança de rumo dessa disputa judicial, pois, anteriormente, decisão do presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul (TJMS), Sérgio Martins, tinha suspendido a necessidade de revisão tarifária.

Ao Correio do Estado, o procurador-geral do município, Alexandre Ávalo, tinha explicado que a prefeitura vem defendendo a não revisão, em razão do impacto que poderá trazer a todos os usuários do transporte coletivo e a todo o comércio.

Ávalo disse que busca com o Judiciário meios para a defesa dos interesses da população campo-grandense.

Violência

Jovem de 20 anos é morto a tiros após casa ser arrombada em MS

Dupla invadiu a residência e disparou contra a vítima, que morreu no local. Polícia Civil investiga a motivação do homicídio e busca suspeitos.

22/09/2026 16h05

Polícia Militar isolou a residência onde Kauan Rodrigues de Matos foi morto a tiros nesta terça-feira (22), em Rio Brilhante.

Polícia Militar isolou a residência onde Kauan Rodrigues de Matos foi morto a tiros nesta terça-feira (22), em Rio Brilhante. Foto: Divulgação.

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Dois homens em uma motocicleta invadiram uma residência e mataram a tiros Kauan Rodrigues de Matos, de 20 anos, no início da tarde desta terça-feira (22), em Rio Brilhante, na região sul de Mato Grosso do Sul. Segundo informações preliminares, a dupla arrombou a porta do imóvel e efetuou diversos disparos contra o jovem antes de fugir.

O homicídio ocorreu em uma casa na Rua Geová Fonseca Barbosa, no Bairro Benedito Rondon. Kauan estava sozinho no imóvel quando os suspeitos chegaram ao endereço.

A dupla teria forçado a entrada e arrombado a porta da sala. Já dentro da residência, os homens efetuaram diversos disparos de pistola contra o jovem, que morreu no local.

Depois do ataque, os dois suspeitos retornaram à motocicleta e fugiram. Testemunhas relataram que eles teriam gritado algumas palavras enquanto deixavam a região, mas moradores próximos não conseguiram identificar com clareza o que foi dito.

Polícia Militar isolou a residência onde Kauan Rodrigues de Matos foi morto a tiros nesta terça-feira (22), em Rio Brilhante.Kauan Rodrigues de Matos, de 20 anos, foi morto a tiros dentro de uma residência em Rio Brilhante. Foto: Reprodução rede social.
 

A Polícia Militar foi acionada e realizou o isolamento da residência para preservar possíveis vestígios. Posteriormente, equipes da Polícia Civil e da Polícia Científica foram chamadas para realizar os levantamentos necessários à investigação.

Prisão dias antes

O assassinato ocorreu apenas cinco dias depois de Kauan ter sido preso pela Polícia Militar. Na quinta-feira (17), ele e outro homem, de 30 anos, foram detidos no mesmo bairro onde ocorreu o homicídio.

Na ocasião, segundo as informações divulgadas sobre a ocorrência, os policiais apreenderam uma pistola calibre 9 milímetros e 14 munições.

Kauan posteriormente deixou a prisão em liberdade provisória e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica, equipamento que utilizava quando foi morto nesta terça-feira.

Informações preliminares apontam que o jovem era suspeito de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Essa possível relação, assim como as circunstâncias da prisão ocorrida na semana passada, deverá fazer parte das informações analisadas pelos investigadores.

Possível ligação com disputa entre facções

Uma das linhas consideradas inicialmente é a possibilidade de o homicídio estar relacionado à disputa entre organizações criminosas em Mato Grosso do Sul, especialmente PCC e Comando Vermelho (CV).

Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que a execução tenha sido determinada por alguma facção nem de que a rivalidade entre os grupos tenha sido a motivação do assassinato. O fato de os autores terem gritado algo durante a fuga também deverá ser apurado. 

A Polícia Civil deverá agora buscar imagens de câmeras de segurança, ouvir testemunhas e levantar informações sobre os últimos dias da vítima para tentar reconstruir a dinâmica do crime e identificar os dois homens que chegaram de motocicleta.

Até o fechamento desta matéria, os autores do crime ainda não haviam sido identificados, e a motivação do homicídio permanecia sob investigação.

Transporte Público

Adriane diz que Consórcio Guaicurus poderia colapsar novamente sem intervenção

Prefeita recebeu relatório dos primeiros 90 dias da medida, que aponta problemas financeiros, frota envelhecida e falhas na gestão do sistema

22/09/2026 15h00

Intervenção nos ônibus

Intervenção nos ônibus Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, afirmou nesta terça-feira (22) que o sistema de transporte coletivo da Capital poderia voltar a colapsar caso a Prefeitura não tivesse decretado a intervenção no Consórcio Guaicurus. A declaração foi feita por meio de nota, após a apresentação do balanço dos primeiros 90 dias da medida, iniciada em junho para evitar a interrupção dos serviços.

O relatório aponta que o sistema foi encontrado em situação de fragilidade financeira, com frota envelhecida, manutenção preventiva insuficiente, falhas de gestão e problemas nos controles. Segundo o diagnóstico, o conjunto de dificuldades aumentava o risco de paralisação e comprometia a qualidade do serviço oferecido aos passageiros.

A intervenção começou em 16 de junho e teve como prioridade manter o transporte em funcionamento. Nesse período, o Município passou a acompanhar de forma mais direta despesas como folha de pagamento, diesel e aquisição de peças, além de reforçar os controles financeiros e de manutenção.

O balanço também aponta recuperação parcial da oferta de viagens nos meses de julho e agosto. Apesar disso, a situação estrutural do sistema ainda exige investimentos e medidas de longo prazo.

Entre os principais problemas identificados está a idade dos ônibus. A frota do transporte coletivo de Campo Grande tem idade média de 10,4 anos, segundo o relatório dos 90 dias.

A renovação dos veículos também é uma das principais cobranças da Câmara Municipal. Nesta terça-feira, o interventor jurídico do Consórcio Guaicurus, Alexandre Souza Moreira, entregou o relatório parcial ao vereador Dr. Lívio, presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana.

A entrega ocorreu uma semana após o presidente da Câmara, vereador Papy, cobrar publicamente informações sobre o andamento da intervenção e questionar a falta de novos levantamentos apresentados à Casa.

Ao receber o documento, Dr. Lívio afirmou que a continuidade do transporte não pode ser colocada em risco e destacou que a comissão manterá a renovação da frota entre as prioridades. O vereador também defendeu que todos os ônibus tenham ar-condicionado.

“Podemos afirmar, hoje, à população que não haverá interrupção dos serviços de transporte coletivo”, afirmou.

Futuro do consórcio

Além de avaliar os problemas encontrados durante a intervenção, o Município terá de definir o futuro do Consórcio Guaicurus. Uma das possibilidades em análise é a transferência do controle para um grupo empresarial de Goiás, negociação que ainda depende da avaliação e do aval da Prefeitura.

Adriane afirmou que uma eventual mudança no controle do consórcio dependerá da comprovação de capacidade técnica e financeira, além de compromissos com investimentos, renovação da frota e melhoria do serviço.

O relatório entregue à Câmara é parcial e corresponde aos primeiros 90 dias da intervenção. A comissão deverá analisar os dados apresentados pelos interventores e acompanhar os próximos encaminhamentos.

A Câmara também informou que pretende que o trabalho dos interventores seja concluído ainda em 2026, quando deverá ser

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