O arcebispo de Campo Grande, Dom Dimas, lamenta que o monumento Memorial do Papa João Paulo II, esteja vandalizado e abadonado em Campo Grande. Segundo ele, São João Paulo II, assim canonizado para os católicos, foi uma das maiores personalidades da virada do século XX para o século XXI.
“Já faz um bom tempo que o monumento e também aquela galeria de imagens construídos ali na Praça do Papa, como uma iniciativa do povo de Campo Grande e das autoridades na época, para homenagear o Papa João Paulo II e também para perpetuar a memória da sua passagem entre nós, vêm se deteriorando”, afirma Dom Dimas.
Conforme noticiado anteriormente pelo Correio do Estado, o Memorial do Papa João Paulo II, é um dos principais monumentos e cartão postal de Campo Grande. Localizado na Vila Sobrinho, o local virou ponto de pichação, vandalismo e de uso de drogas.
“Infelizmente, pichações e outros atos de vandalismo não são raros na nossa cidade e em boa parte das capitais. É uma desvalorização da cultura muito sintomática do nosso povo. Sem dúvida que acho que esse evento agora é uma motivação para que essa restauração aconteça o quanto antes. Faço aqui um apelo às autoridades para que juntos possamos realmente pensar no que fazer para aquele espaço ter a dignidade que merece", pede Dom Dimas.
O Memorial recebeu esse nome porque em 1991, o Papa João Paulo II celebrou ali uma missa campal durante visita ao Estado de Mato Grosso do Sul. Mas, hoje em dia, ao circular o monumento, é possível ver diversas pichações com mensagens e desenhos de profanação ao santo da Igreja Católica.
“Ele protagonizou eventos fundamentais na história da humanidade naquele período. E a sua vinda a Campo Grande marcou a vida de muitas pessoas naquela ocasião. Ainda hoje, quando a gente se encontra com pessoas que participaram daquela visita, que puderam ver o Papa um pouquinho mais perto e receberam a comunhão diretamente dele. Relatam aquele momento com grande carinho, com muita piedade, com muita gratidão”, relembra Dom Dimas.
O aspecto é de total abandono e com forte mau cheiro, já que o local abriga muita sujeira por todo o lado. Nossa equipe de reportagem flagrou nesta semana, o mato alto, bancos destruídos e objetos que servem para a proliferação do mosquito aedes aegypti. Confira as imagens:
Outro problema que também chama a atenção, são as placas arracandas. O Memorial do Papa trazia uma galeria em linha do tempo, com 265 placas de papas e santos da Igreja Católica.
Mesmo diante da situação, a Prefeitura de Campo Grande informou em nota que irá fazer apenas a manutenção da limpeza no local, como o corte de grama e a substituição de lâmpadas quebradas.
"Equipes da Prefeitura irão fazer uma manutenção do espaço e não revitalização/reforma. A Praça passará por limpeza, poda de grama e troca de iluminação que estiver danificada. O serviço será realizado para melhor receber as escolas de samba e espectadores do desfile.".
Cabe destacar que nos dias 12 e 13 de fevereiro, a Praça do Papa, será palco do desfile das escolas de samba de Campo Grande. O evento ocorre tradicionalmente todos os anos.
População lamenta
A professora e católica apostólica romana, Tâmara Almeida, lamenta que um monumento histórico, que representa um marco para Campo Grande e principalmente para quem é católico, esteja abandonado.
"É uma falta de zelo com a igreja católica, com os nossos representantes da igreja. As autoridades deveriam reformar esse espaço público, para as pessoas da própria cidade, de outros estados e até mesmo países, possam estar conhecendo o local", afirma Tâmara.
Para a moradora da região, a professora de dança, Larissa de Deus, a Praça do Papa não faz jus ao nome. A falta de infraestrutura faz com que as pessoas não tenham o interesse ou a confiança de frequentarem o local, que teria tudo para ser um belo espaço de lazer.
"Realmente quando se passa por lá percebemos o abandono. Virou uma grande espaço de cimento, onde as pessoas camimham em volta. Acredito que em primeiro lugar deveriam pensar em arborizar o lugar. Com certeza ficaria bem melhor. Porque quando penso em praça, eu penso em verde e não em cimento", relata Larissa.
Por sua vez, o vereador Ronilço Guerreiro, que também faz parte da Comissão de Cultura, disse que já pediu que a prefeitura tomasse algumas medidas para melhorar a segurança e a infraestrutura da praça que abriga inúmeros eventos.
"Uma tristeza. Já estivemos na Praça do Papa várias vezes, tirei foto, fiz um vídeo, mandamos para a secretaria municipal, porque ali é um lugar que lembra tanta fé. Quase todas as fotos dos papas sumiram. Precisa ser revitalizado urgente, ter um projeto para levar pessoas. Já encaminhamos várias vezes solicitações ao Executivo para resolver o problema. É um espaço que abriga eventos e feiras culturais aos finais de semana", analisa o vereador.
Sobre o Memorial do Papa (2007)
O Memorial do Papa foi construído em homenagem ao Papa João Paulo II, falecido em 2005 e está localizado na Avenida dos Crisântemos, na Vila Sobrinho.
O local onde está a estátua do pontífice e também uma praça serviu de palco para a celebração de uma missa campal em 1991, quando João Paulo II reuniu milhares de fiéis na Capital de Mato Grosso do Sul.
16 anos após a visita do papa João Paulo 2º a Campo Grande (MS), a prefeitura da cidade construiu uma praça, no valor de R$ 1,02 milhão, em homenagem ao sato da Igreja Católica.
Já o monumento 'Memorial do Papa' foi construído no local onde ele rezou uma missa na cidade, em 1991.
O Memorial do Papa conta com uma estátua de 3,60 metros de altura do papa João Paulo 2º, sobre um pedestal com 1,5 metro.
Na área de 11 mil metros quadrados de concreto, também foram desenhados um cálice e uma hóstia. Nas bordas, foi erguido um mural de três metros de altura onde estão acomodadas 265 placas.
Inicialmente a ideia era usar o espaço para a celebração de missas, encontros religiosos no local e um espaço de lazer para confraternização de toda a família e turistas.
Histórico - A área do papa, como ficou conhecido o local da missa, tinha se transformado em um lixão. Em 2003, a prefeitura desativou o depósito de lixo. O entulho retirado do local dava para encher 16 mil caminhões.
Baseada em lei municipal de 2000, a prefeitura dividiu a área de 520 mil metros quadrados, reservando 60,2 mil metros quadrados ao memorial.
Os 450,8 mil metros quadrados restantes ficaram com a empresa Financial Construtora, interessada na construção e venda de casas no local.
No entanto, desde 2005, uma ação na Justiça questiona a prefeitura pela entrega da área à iniciativa privada. Alega-se que o município teve prejuízo.
Por sua vez, a Financial Construtora argumenta que recebeu a área por ter investido R$ 12 milhões em obras da prefeitura.
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