Cidades

MATO GROSSO DO SUL

Área de retomada vira zona de conflito de 72 horas entre PM e indígenas

Espaço às margens da rodovia que liga aos distrito de Itahum é local de tensão violenta entre policiais militares e povos da Comunidade Aratikuty

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Na região de Dourados, município distante aproximadamente 230 quilômetros da Capital do mato Grosso do Sul, uma área de tomada às margens da rodovia que liga aos distrito de Itahum se tornou uma zona de conflito entre a Polícia Militar e indígenas da Comunidade Aratikuty, tensão violenta com resultado de presos e feridos que já se estende por cerca de 72 horas.

Ainda na segunda-feira (17) os povos originários da Terra Indígena (T.I) Aratikuty denunciaram uma avançada que, por volta de 17h, segundo a Assembleia Geral do povo Kaiowá e Guarani (Aty Guasu), teria sido começada por pistoleiros a mando de um indivíduo identificado como "Alemão", junto de agentes policiais militares. 

Segundo os indígenas, nesta primeira ocasião caixas d'água e garrafões chegaram a ser destruídos e casas foram queimadas. Até às 22h18 da última segunda (17) esses povos não haviam conseguido ajuda da Força Nacional. 

Já na manhã de ontem (19) houve um novo ataque contra a comunidade, ocasião em que vários indígenas saíram com ferimentos. Em repúdio, a Aty Guasu publicou uma nota e o secretário executivo da Grande Assembleia, Jânio Kaiowá, saiu em defesa dos povos da Retomada Aratikuty. 

“Não podemos aceitar que nossas comunidades continuem vivendo sob ameaça e violência. O Tekoha Arakutity não está sozinho. A Aty Guasu está junto com as famílias e lideranças na defesa da vida, do território e dos direitos do povo Guarani e Kaiowá", citam. 

Presos e feridos

Imagens que circulam nas redes sociais ilustram a violência na região às margens da , com maquinários derrubando estruturas, filas de agentes uniformizados e registros de indígenas feridos supostamente feridos em confronto.

Como bem destaca o secretário executivo da Aty Guasu, as ações violentas na região de Dourados teriam acontecido sem ordens judiciais. 

"Uma onda de violência que indígenas vêm sofrendo em Mato Grosso do Sul. Atacam nossos territórios. Em retomadas há crianças, jovens e também várias casas foram destruídas por tratores. É a realidade que o povo passa e há mais de 30 anos espera a demarcação do território indígena", cita Jânio Kaiowá. 

Na outra ponta dessa zona de conflito, há indivíduos que se dizem proprietários de uma fazenda no local. Esse suposto proprietário teria procurado a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) ainda na terça-feira (18), relatando que cerca de seis indígenas teriam invadido sua propriedade e danificado suas posses. 

No dia seguinte, pelo menos cinco indígenas, com idades entre 19 e 47 anos, foram detidos por agentes. Ainda ontem (19) o policiamento comunitário indígena teria informado um ataque e solicitado apoio policial das forças Patrulha, Tática e do Grupamento Especializado Tático Motorizado (Getam). 

Segundo consta em boletim de ocorrência, munições de impacto controlado teriam sido empregadas após as equipes serem alvo de pedras arremessadas. Dois envolvidos foram atingidos pelo ataque dos policiais que, em seguida, tentaram prender os supostos suspeitos. 

Durante essas abordagens, policiais teriam sido atingidos com pedaços de ferro e madeira. A polícia confirma, como bem tratado no portal local Ligado Na Notícia, que indivíduos precisaram receber atendimentos médicos graças à lesões que foram causadas durante a ocorrência. 

Teriam sido presos: 

  • Rizziele Chimenes Gauto, 19 anos 
  • Jaciele Gonçalvez, 27;
  • Maila Brites, 32;
  • Lucila Chimenes, 33; 
  • Sérgio Gauto, 47. 

Também o Conselho do Povo Terena publicou nota de repúdio, assinada por sua coordenadora, Erciléia Terena, contra a ação da Polícia Militar, considerada violenta contra os presentes na Retomada Aratikuty, em Dourados. 

"Mais uma vez povos indígenas são submetidos à violência, à intimidação e à violação de direitos humanos enquanto lutam pelo direito fundamental ao território tradicional e pela garantia de uma vida digna e segura para suas comunidades. 

A violência contra uma comunidade indígena em processo de retomada representa uma grave ameaça à vida, à integridade física e à dignidade das famílias que resistem e defendem seus territórios ancestrais. 

O Conselho do Povo Terena exige respeito aos direitos dos povos indígenas, segurança e garantia da vida e da integridade de todas as famílias da Retomada Aratikuty. 

Exigimos também a apuração imediata e independente dos fatos, com a devida responsabilização dos agentes envolvidos em eventuais abusos e violações cometidos durante a ação policial. 

Não aceitaremos que a violência seja utilizada como instrumento de repressão contra os povos indígenas que lutam por seus direitos", 

 

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Impasse judicial

Prefeitura de Campo Grande tem dificuldade para recuperar dinheiro aplicado no Banco Master

Na mira da PF e acusada de burlar fila de credores, Instituto de Previdência e município ainda não levantaram dinheiro dos aposentados investido em banco de Daniel Vorcaro

10/09/2026 04h00

Polícia Federal esteve no IMPCG no dia 25 de agosto

Polícia Federal esteve no IMPCG no dia 25 de agosto Divulgação

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O Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) e a Prefeitura Municipal de Campo Grande têm enfrentado dificuldade para recuperar os R$ 1,4 milhão que a previdência da Capital investiu no Banco Master. Além de ser alvo de uma investigação criminal conduzida pela Polícia Federal (PF), o liquidante do banco de Daniel Vorcaro também disputa na Justiça o direito de retenção dos valores dos empréstimos consignados ainda não quitados.

A batalha jurídica é travada na Justiça Comum, mas também há uma investigação da PF em andamento. No dia 25 de agosto, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em vários endereços de Campo Grande em busca de documentos sobre a operação de investimento feita em 2024, quando o IMPCG, na época presidido pela atual vice-prefeita Camila Nascimento, investiu R$ 1,2 milhão em letras de crédito do banco de Daniel Vorcaro.

No dia da operação, o atual presidente do IMPCG, o ex-vereador e sindicalista Marcos Tabosa, disse acreditar que o dinheiro investido seria recuperado. Antes da operação, por conta de uma liminar da Justiça Comum, o valor corrigido dos repasses consignados que o município e o IMPCG teriam de fazer ao banco foi retido pela mesma.

É essa retenção que é objeto da nova batalha judicial, travada na 3ª Vara de Registros Públicos.
Na manifestação mais recente para compensar os descontos consignados e reaver o dinheiro investido no banco de Daniel Vorcaro, o município de Campo Grande e o IMPCG focam em desconstruir a tese central da defesa do banco, que alegava ter “deixado de existir” ou estar imune a execuções e compensações diretas após a intervenção da autoridade monetária.

Segundo o município, que também defende o IMPCG – embora sejam pessoas jurídicas distintas –, a decretação da liquidação extrajudicial pelo Banco Central do Brasil (BCB) “não opera a extinção da personalidade jurídica” da instituição financeira. Para os procuradores do município, o banco permanece existindo no mundo jurídico, ocorrendo tão somente a alteração de sua representação legal, que passou a ser exercida pela empresa liquidante nomeada EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda., mantendo-se intacta a sua legitimidade passiva para responder à ação e assumir suas obrigações judiciais.

Já o liquidante do Banco Master argumenta que a intenção do município de compensar a dívida do Banco Master, retendo valores descontados da folha de aposentados e servidores públicos e repassando-os ao município, é uma tentativa ilegal de burlar o concurso geral de credores e atropelar o rito estabelecido pela legislação que rege liquidações no sistema financeiro nacional.

O liquidante alegava que a competência para verificar, classificar e decidir sobre a legitimidade de qualquer crédito pertence exclusivamente ao liquidante e ao Banco Central, devendo qualquer credor submeter-se obrigatoriamente à fila de habilitação no Quadro Geral de Credores.

Além do impedimento procedimental, a defesa do Banco Master sustenta a ausência dos requisitos essenciais para a compensação no âmbito civil. Em sua ótica, não haveria simultaneidade nem identidade entre as figuras de credor e devedor, uma vez que os verdadeiros tomadores dos empréstimos consignados são os servidores municipais – titulares dos contratos –, atuando o IMPCG apenas como intermediário operacional do recolhimento.

O banco invoca ainda a tese de “dano reverso”, alegando que a retenção dos repasses subtrairia milhões de reais do ativo arrecadado para o pagamento isonômico de todo o passivo da massa, além de advertir que a interrupção das transferências poderia expor os servidores ao acúmulo futuro de encargo moratório sobre as suas dívidas.

Polícia Federal

A investigação criminal teve início a partir de um relatório de auditoria direta elaborado pela Coordenação-Geral de Auditoria do Departamento dos Regimes Próprios de Previdência Social (DRPPS), vinculado ao Ministério da Previdência Social.

O documento apontou indícios de que servidores envolvidos no processo decisório teriam deixado de observar procedimentos técnicos e administrativos aplicáveis ao autorizarem a aplicação de R$ 1,2 milhão do Fundo Previdenciário municipal em Letras Financeiras emitidas pela instituição privada, expondo o patrimônio público a riscos.

No dia 25 de agosto, a PF cumpriu seis mandados de busca e apreensão na sede do IMPCG e no gabinete da atual vice-prefeita de Campo Grande, Camila Nascimento – que presidia a autarquia previdenciária na época da aplicação –, além de determinar o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados por ordem da 3ª Vara Federal de Campo Grande. 

O impasse

Na origem do impasse está o colapso financeiro da instituição privada, deflagrado quando o BCB decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, no dia 18 de novembro de 2025. Naquele mesmo dia, Daniel Vorcaro, dono do banco, foi preso pela primeira vez.

O decreto de intervenção provocou o vencimento antecipado de todas as obrigações da casa bancária, entre as quais uma Letra Financeira adquirida em abril de 2024 pelo IMPCG com recursos do Fundo Previdenciário municipal, cujo saldo líquido somava R$ 1.427.697,59 no dia 31 de outubro de 2025. De lá para cá, não houve novos cálculos da Letra Financeira.

Antevendo o calote e visando compensar esse valor com o repasse das consignações em folha do mês de novembro de 2025 – que totalizava R$ 1.431.315,32 –, o município e a autarquia acionaram o Judiciário.

Em dezembro de 2025, o juiz Marcelo Andrade Campos Silva, da 3ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos de Campo Grande, acolheu o pedido liminar e autorizou o depósito judicial da quantia sob custódia do tribunal, proibindo o Banco Master de negativar ou efetuar cobranças contra os servidores municipais.

Atualmente, o processo está sob a condução do juiz Claudio Müller Pareja, avançando para a fase de saneamento e especificação de provas.

A recuperação do dinheiro, contudo, esbarra na natureza do ativo financeiro escolhido: as Letras Financeiras adquiridas não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). 

Sem a garantia de ressarcimento automático oferecida pelo fundo, o município depende de decisões da Justiça Comum ou da submissão à fila geral de credores do processo de liquidação extrajudicial. 
 

aulas práticas

Nova CNH: STF arquiva ação e permite uso de carro particular para exame de direção

Com a decisão, a regra estabelecida pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) segue válida em todo o território nacional

09/09/2026 21h00

Veículos particulares podem ser usados para em aulas práticas no exame de direção para obter CNH

Veículos particulares podem ser usados para em aulas práticas no exame de direção para obter CNH Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou a ação que questionava a possibilidade de usar carros particulares em aulas práticas e no exame de direção para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

A ministra decidiu, desta segunda-feira, 7, por "não conhecer" o recurso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL) da Central Única dos Trabalhadores.

No Direito Processual, "não conhecer" um recurso, ação ou pedido significa que o tribunal sequer analisou o mérito do pedido porque o pedido não preencheu os requisitos formais de admissibilidade.

Com a decisão, a regra estabelecida pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) segue válida em todo o território nacional.

O pedido da confederação questionava o uso de veículos particulares, sem adaptações ou modificações, nas aulas e provas práticas. Segundo a entidade, a resolução seria incompatível com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Ao analisar o caso, a ministra entendeu que a questão exigiria, primeiro, a análise da relação entre a resolução do Contran e a legislação infraconstitucional. Por isso, o STF não analisou o mérito da ação.

O Ministério dos Transportes ressalta que "a Resolução nº 1.020 prevê que podem ser utilizados veículos destinados à formação de condutores ou eventualmente empregados na aprendizagem, independentemente de quem seja o proprietário. A norma também dispensa adaptações ou modificações nos veículos para essas atividades".

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