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A parceria entre Japão e Mato Grosso do Sul

A declaração do sobá como patrimônio cultural imaterial pelo município de Campo Grande simboliza o quanto a cultura japonesa

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É com grande satisfação que escrevo este artigo por ocasião de minha visita a Campo Grande. Durante meu período como cônsul-geral do Japão em São Paulo, entre 2017 e 2020, tive o privilégio de visitar esta bela cidade por diversas vezes. Em cada visita, fiquei impressionado com a expressiva presença da comunidade japonesa, especialmente de origem okinawawa.

Fiquei muito feliz ao saber que o sobá, prato muito apreciado pela comunidade de Okinawa do Japão, é, hoje, uma das especialidades mais populares de Campo Grande.

A declaração do sobá como patrimônio cultural imaterial pelo município de Campo Grande simboliza o quanto a cultura japonesa, a começar pela sua culinária, foi acolhida e incorporada à vida dos campo-grandenses.

Gostaria de expressar meu profundo respeito e agradecimento aos imigrantes japoneses e seus descendentes, cujos esforços contribuíram significativamente para difundir a cultura japonesa e fortalecer os laços de amizade entre nossos povos.

Nesta visita a Campo Grande, tenho também a grande satisfação de participar do Festival do Japão de Mato Grosso do Sul, uma importante celebração da cultura japonesa e da amizade entre o Japão e o Brasil.

Nesta edição, será também realizada uma iniciativa de capacitação e networking para mulheres empreendedoras, com o apoio do governo japonês.

Um dos marcos mais significativos dessa amizade são as visitas de membros da Família Imperial do Japão a Mato Grosso do Sul. Em 2015, por ocasião das comemorações dos 120 anos das relações diplomáticas, suas altezas imperiais o príncipe e a princesa Akishino visitaram o Brasil, incluindo o Pantanal.

Em 2025, ano em que celebramos os 130 anos dessas relações, sua alteza imperial a princesa Kako visitou o Brasil, inclusive Campo Grande.

Estamos profundamente gratos pela calorosa hospitalidade com que a população e as autoridades sul-mato-grossenses receberam os membros da família imperial.

A cooperação entre Japão e Mato Grosso do Sul também avança em áreas essenciais para o desenvolvimento sustentável.

Em 2025, a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) decidiu disponibilizar financiamento de até US$ 70 milhões para um projeto de melhoria das condições hídricas no Estado.

Essa iniciativa representa uma importante contribuição para a gestão dos recursos hídricos e para a promoção de um desenvolvimento mais sustentável.

Gostaria, ainda, de compartilhar algumas perspectivas promissoras para o aprofundamento das relações econômicas. Em primeiro lugar, as negociações de um Acordo de Parceria Econômica (APE) entre o Japão e o Mercosul.

Espero que esse acordo contribua para ampliar e facilitar o comércio, os investimentos e as oportunidades de cooperação entre o Japão e os países do Mercosul.

Em segundo lugar, a Rota Bioceânica. Esse corredor logístico representa uma oportunidade estratégica para o Estado.

Ao facilitar o acesso à Região da Ásia-Pacífico, incluindo o Japão, a rota poderá fortalecer a competitividade dos produtos sul-mato-grossenses, ampliar as oportunidades de exportação e atrair novos investimentos.

O Japão e Mato Grosso do Sul compartilham uma história de amizade construída ao longo de décadas, sustentada pelo intercâmbio cultural, pela cooperação e pelo empenho de pessoas que acreditam no potencial dessa parceria.

Estou determinado a continuar trabalhando incansavelmente, contando também com a valiosa colaboração do sr. Sérgio Longen, cônsul honorário do Japão em Campo Grande, para aprofundar estes laços e transformar as oportunidades que temos pela frente em benefícios concretos para nossos povos.

Que a amizade entre Japão e Mato Grosso do Sul se fortaleça cada vez mais e que perdure por muitas gerações!
 

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As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

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Seiscentas oliveiras chegaram à Justiça francesa na forma de queixa judicial. Árvores libanesas, plantadas ao norte do Litani. Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações. A família as cultivava havia 250 anos. Dois séculos e meio.

De oito a dez gerações. Tataravós e seus antepassados colheram, podaram, acompanharam. Contudo, entre 29 de junho e 20 de julho, imagens de satélite denunciam que elas foram arrancadas dos seus berços seculares, inclusive com as raízes. Crime de guerra. Mais um.

O Pnat, Ministério Público Nacional Antiterrorista francês, em Paris, recebeu a denúncia. A instituição, que começou a funcionar em 2019, tem competência também para crimes de guerra e crimes contra a humanidade. É um órgão da Justiça francesa, encarregado da investigação e da acusação perante os tribunais competentes.

O denunciante, franco-libanês, pediu anonimato e atribuiu ao Exército israelense o arrancamento das oliveiras familiares no distrito de Nabatiyé.

A AFP informa ter consultado a queixa. A suspeita de que as árvores tenham sido levadas para Israel ainda não está comprovada, mas as 600 árvores não estão em solo libanês. Onde estariam?

Como se descreve a perda de uma árvore que já estava de pé quando os avós dos nossos avós ainda não tinham nome?

Uma contabilidade pode avaliar a produção, a madeira, o custo de reposição. A memória familiar precisa de outras medidas. Precisa contar quem plantou, quem podou, quem esperou a primeira colheita.

Precisa reconhecer o trabalho que um homem deixou para outro continuar. Uma árvore antiga oferece à família algo que poucos bens conseguem oferecer: a presença material de quem já morreu.

No Líbano, a oliveira participa da vida real. Dá azeitonas e azeite; seu óleo entra na fabricação tradicional de sabão. O aproveitamento alcança o que permanece depois da prensagem: o bagaço, chamado jift, pode ser seco e utilizado como combustível para o aquecimento doméstico. As famílias armazenam esse material para enfrentar o inverno, que é rigoroso.

A mesma colheita pode, portanto, alimentar a casa e ajudar a aquecê-la. Quando o olival desaparece, essa cadeia cotidiana se rompe. O prejuízo entra pela cozinha, pelo trabalho, pela preparação do inverno. E permanece no lugar vazio onde a família reconhecia sua história.

Além da Bíblia, o Talmud judaico e o Alcorão valorizam sobremaneira a oliveira. Portanto, a árvore extrapola o símbolo religioso, posto que pertence às três correntes mais significativas da região, constituindo um patrimônio civilizacional.

Arranadas. As 600.

No Brasil, que abriga a maior diáspora libanesa do mundo, com ditos mais de oito milhões de libaneses e descendentes, essa situação merece profunda reflexão.

Quem manifesta simpatia por práticas atribuídas às forças israelenses deveria examinar concretamente o que está disposto a defender. O apoio a um Estado exige discernimento diante dos atos de seus governantes e de seus militares.

A quem invoca a Bíblia como fundamento de suas escolhas públicas, cabe ler também suas advertências sobre as árvores. Cabe lembrar o estrangeiro, o órfão e a viúva, a quem Deuteronômio 24:20 deixa os frutos restantes da oliveira.

Cabe reconhecer que o sofrimento de uma família libanesa tem valor próprio, independentemente da bandeira que o eleitor brasileiro prefira.

Menciono as árvores para não falar das gentes, das mulheres e jovens, dos sonhos, todos oriundos da mesma raiz de que provenho.

Como posso olhar com simpatia um grupo político que acena para a bandeira de um inimigo meu? Que enaltece as práticas genocidas condenadas pelo mundo inteiro? Como é possível um libanês bater no peito com orgulho de sua origem e apoiar no Brasil um governo que é conivente com a destruição dos seus patrícios?

Agora, mais do que nunca, compreendo Gibran Khalil Gibran quando sentenciou: “Vós tendes o vosso Líbano, e eu tenho o meu”.

Mas, voltando às árvores, se a investigação confirmar o arrancamento denunciado, terá de identificar seus autores e examinar sua responsabilidade. A família, porém, já colocou diante de nós uma questão que ultrapassa o processo: como reparar o tempo?

Uma muda pode ser plantada. Cinco séculos não podem ser replantados.

Ao mencionar as seiscentas oliveiras, que o artigo, o tribunal e o eleitor brasileiro consigam enxergar também as mãos que as cuidaram. A justiça começa pela disposição de olhar, em qualquer lugar do mundo.

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

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As eleições passaram, mas os desafios continuam. E um dos mais importantes, tanto para o Brasil quanto para Mato Grosso do Sul, é encontrar soluções para os problemas de segurança pública antes que eles assumam proporções ainda maiores. Não podemos esperar que a criminalidade avance para, somente depois, tentar recuperar o terreno perdido.

Em Mato Grosso do Sul, os sinais de preocupação são evidentes. Nos últimos tempos, temos observado o agravamento das disputas entre facções criminosas, especialmente com o avanço do Comando Vermelho (CV) pelo norte do Estado.

Historicamente, nosso território sempre foi uma das fortalezas do Primeiro Comando da Capital (PCC). A entrada de um grupo rival e a disputa por espaços não podem ser tratadas como um problema distante, tampouco como algo inevitável.

O enfrentamento policial é indispensável e vem sendo realizado pelas forças de segurança. Mas já não basta.

É preciso investir muito mais em inteligência, antecipação e capacidade de identificar os movimentos dessas organizações antes que eles se transformem em confrontos, mortes e expansão territorial. A segurança pública não pode depender apenas da reação aos crimes depois que acontecem.

Por isso, também chegou a hora de superar os atritos políticos e institucionais que marcaram os últimos anos. Sobretudo quando parte dessas divergências foi alimentada por interesses de grupos e disputas eleitorais.

As eleições terminaram. É necessário voltar as atenções para um problema que deveria estar acima de qualquer partido ou projeto político: proteger a população e impedir que a criminalidade organizada amplie seu poder.

Essa mudança de postura precisa vir acompanhada de investimentos. Em uma sociedade cada vez mais digitalizada, na qual até o dinheiro circula predominantemente por meios eletrônicos, não faz sentido manter estruturas policiais analógicas.

As organizações criminosas já compreenderam essa transformação. Aplicam golpes em plataformas digitais, movimentam recursos por meios eletrônicos e utilizam redes sociais para recrutar integrantes e ampliar suas atividades.

As forças de segurança precisam acompanhar essa realidade. Isso significa capacitar policiais, modernizar equipamentos, adquirir bons softwares e desenvolver sistemas capazes de cruzar informações, identificar padrões e antecipar ações criminosas. Inteligência também se faz com tecnologia e profissionais preparados para utilizá-la. 

O desafio não é apenas estadual. O Brasil precisa avançar na construção de um Sistema Único de Segurança Pública efetivamente integrado, com coordenação nacional, compartilhamento de informações e cooperação entre as diferentes forças policiais.

A proposta de organização e integração prevista na PEC da Segurança Pública aponta para uma discussão necessária, que não pode ficar refém de disputas políticas.

O crime organizado não respeita fronteiras estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento também não pode ficar limitado a iniciativas isoladas. Precisamos de planejamento, inteligência, tecnologia e integração. 

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