O amanhecer de 2026 marca um ponto de inflexão decisivo para a Venezuela. A queda de Nicolás Maduro e sua transferência sob custódia para Nova Iorque simbolizam o colapso de um sistema que exauriu o Estado, convertendo instituições em engrenagens do crime transnacional.
No entanto, o vácuo deixado por décadas de autoritarismo exige prudência absoluta. A transição demanda cautela na estabilização interna e na recuperação de uma indústria petrolífera dilapidada por quase 30 anos de uma gestão que priorizou o saque sistemático e a repressão em parceria com máfias estrangeiras.
A realidade atual ratifica as denúncias de María Corina Machado: a PDVSA foi, na prática, privatizada por máfias e potências revisionistas.
Sob o manto da Lei Antibloqueio, o regime operou a transferência clandestina de ativos para figuras como Alex Saab e conglomerados sem expertise, como o Consórcio Petroluxe e a Tridente Servicios Petroleros.
A teia estendeu-se a empresas de fachada ligadas ao Irã, China e Rússia, incluindo a Sinohydro Corporation e as obscuras Anhui Guangda e Beijing Huasheng Rongcheng – cujos objetos sociais originais, como processamento de dados, mascaravam a exploração de hidrocarbonetos.
Até a entidade turca Kase Finansal, de natureza financeira, tornou-se operadora petrolífera, evidenciando uma prioridade na engenharia financeira para lavagem de capitais em detrimento da técnica industrial.
Sob o domínio de Pequim, Teerã e Moscou, o patrimônio nacional foi desidratado para financiar a repressão interna e máquinas de guerra globais. Essa pilhagem reduziu a produção a níveis inferiores a 30% de sua capacidade histórica – um deficit de 70% causado por corrupção e negligência.
Reerguer este setor vital exigirá agora o aporte tecnológico e a transparência que apenas os Estados Unidos e o mercado global legítimo podem oferecer.
Esta reconstrução é indissociável de um resgate ético. Não há soberania legítima quando o Estado submete o povo a uma ditadura brutal e invoca o Direito Internacional para proteger um tirano que converteu o país em santuário da tortura situa-se em um absoluto vácuo moral.
Aqueles que evocam a “não-ingerência” silenciaram enquanto o terror era institucionalizado nos porões do Sebin e da DGCIM. A intervenção liderada pelos EUA deve ser vista como um ato de responsabilidade internacional necessário para desmantelar um Estado narcomafioso que ameaçava a segurança hemisférica.
Contudo, remover Maduro é apenas o primeiro passo. O desafio hercúleo reside na rede sistêmica de controle militar. Permanecem no território centenas de generais vinculados ao narcotráfico, como Vladimir Padrino López, Domingo Hernández Lárez e Diosdado Cabello, responsáveis por pilhar o erário.
É impossível reconstruir o país removendo apenas a “cabeça” do regime e a sobrevivência da democracia exige uma limpeza institucional cirúrgica nas raízes dessa narcocorrupção. Sem desmantelar essa casta militar, qualquer mudança será apenas cosmética.
O êxito desta nova era depende da coragem em erradicar as estruturas que ainda infestam o Estado, devolvendo, finalmente, a verdadeira soberania ao povo venezuelano.

