Artigos e Opinião

ARTIGOS

A transformação silenciosa da economia de MS

Ao contrário de outras regiões fortemente dependentes da simples expansão da área plantada ou do aumento do número de trabalhadores, o crescimento sul-mato-grossense tem sido impulsionado por ganhos de eficiência produtiva

Continue lendo...

Quando se pensa no elevado crescimento da economia de Mato Grosso do Sul, a explicação costuma ser automática: agronegócio forte, commodities competitivas e demanda global.

Embora essa análise esteja correta, ela é insuficiente para explicar por que o estado tem apresentado um desempenho econômico tão superior à média brasileira nos últimos anos. O diferencial menos percebido de MS não está apenas no que se produz, mas em como se produz.

Para se ter uma ideia da pujança econômica de MS, no último dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísitica (IBGE), no ano passado, a economia estadual cresceu 13,4%, cerca de quatro vezes acima da média nacional (3,2%), no Produto Interno Bruto (PIB) de 2023, uma taxa compatível com o crescimento chinês observado nas últimas décadas.

Entretanto, ao contrário de outras regiões fortemente dependentes da simples expansão da área plantada ou do aumento do número de trabalhadores, o crescimento sul-mato-grossense tem sido impulsionado por ganhos de eficiência produtiva, derivados de três fatores estruturais: agroindustrialização, integração produtiva e adoção intensiva de tecnologia.

O Estado deixou, na margem, de ser apenas um exportador de produtos primários e passou a consolidar um complexo agroindustrial moderno, com destaque para os setores de celulose, bioenergia, processamento de proteínas e cadeias industriais integradas ao campo.

Esse movimento gera maior valor agregado local, reduz custos logísticos e cria efeitos multiplicadores mais robustos sobre renda, emprego e arrecadação. Em outras palavras, o crescimento agroindustrial permite produzir mais riqueza com a mesma quantidade de insumos.

O Vale da Celulose, por exemplo, expandiu-se de forma notável em áreas anteriormente reconhecidas como de baixíssima produtividade e degradadas. Isso resulta em uma dupla eficiência: expansão produtiva sem abertura de novas áreas e aumento da produtividade decorrente de inovações tecnológicas.

Nesse contexto produtivo, portanto, não se trata de plantar mais hectares ou empregar mais trabalhadores, mas de gerar mais valor por hectare, por trabalhador e por real investido. É justamente esse tipo de crescimento que diferencia economias resilientes de economias meramente cíclicas.

Há ainda um terceiro elemento silencioso: a previsibilidade institucional. Investimentos de grande porte, como os observados recentemente no Estado, não se sustentam apenas em preços favoráveis das commodities.

Eles exigem estabilidade regulatória, coordenação logística e capacidade de planejamento público. Esses fatores, embora muitas vezes pouco visíveis ao leitor comum, são decisivos para explicar por que MS vem atraindo projetos produtivos de longo prazo.

Isso não significa ignorar os desafios. É importante destacar dois deles. O primeiro se refere à infraestrutura logística. O paradoxo atual é claro: uma economia que cresce com ganhos de eficiência, mas ainda enfrenta gargalos que encarecem o escoamento da produção.

A superação desse desafio certamente definirá se o Estado continuará crescendo de forma rápida e sustentada e se dará um salto estrutural de competitividade, formando uma base ainda mais robusta para o desenvolvimento.

O segundo desafio diz respeito à diversificação dos parceiros comerciais. Atualmente, aproximadamente metade das exportações de MS destina-se à China, o que gera uma vulnerabilidade potencial caso aquele país enfrente uma crise econômica relevante.

Portanto, ao mitigar esses dois desafios, a economia do Estado tende a manter uma trajetória de crescimento consistente, com desenvolvimento sustentado de longo prazo.

O diferencial da economia sul-mato-grossense não está apenas na força do campo, mas na transformação de seu modelo produtivo: um crescimento menos baseado na expansão dos fatores tradicionais e mais ancorado em produtividade, integração e valor agregado.

EDITORIAL

É preciso "luz" sobre a iluminação pública

Quando o cidadão aceita pagar uma taxa específica vinculada a um serviço essencial, o mínimo que se exige do poder público é transparência absoluta

06/01/2026 07h15

Continue Lendo...

O que se pode esperar de uma cidade como Campo Grande, que arrecada R$ 196,8 milhões por ano com a Contribuição Social para o Custeio da Iluminação Pública (Cosip)? A pergunta é quase retórica, mas nem por isso menos necessária.

Quando o cidadão aceita pagar uma taxa específica vinculada a um serviço essencial, o mínimo que se exige do poder público é transparência absoluta: quanto se arrecada, como se gasta, com quem se contrata e quais resultados são entregues à população.

É justamente aí que o discurso começa a falhar. A sensação crescente é de que a gestão da iluminação pública na Capital ocorre em uma zona cinzenta, distante do escrutínio público que cifras dessa magnitude exigem.

Não por acaso, uma das evidências mais contundentes dessa falta de transparência veio no mês passado, com a operação deflagrada pelo Grupo Especializado de Combate à Corrupção (Gecoc) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que colocou sob investigação contratos ligados ao setor.

Nesta edição, seguimos tratando do tema porque ele é central para a boa governança da cidade. Os valores dos contratos sob investigação impressionam e reforçam a necessidade de respostas claras.

Há empresas na mira do MPMS que, além de serem remuneradas com recursos da Cosip, também mantêm contratos paralelos e igualmente rentáveis de locação de máquinas para o Município.

A sobreposição de interesses e fontes de receita levanta questionamentos que vão além da legalidade formal e alcançam o campo da moralidade administrativa.

Talvez alugar bens ao poder público seja, de fato, um dos negócios mais seguros e lucrativos que existem. Prefeituras raramente investem em patrimônio próprio, e a locação surge como solução rápida, prática e aparentemente eficiente.

Mas a experiência brasileira mostra que, em muitos casos, alugar também se tornou um caminho fácil para distorções, sobrepreços e esquemas que alimentam caixas paralelos. Não é um juízo definitivo, mas é um alerta que a história recente recomenda não ignorar.

No caso específico da iluminação pública, a pergunta que ecoa é simples e incômoda: o que Campo Grande faz com tanto dinheiro? Os quase R$ 197 milhões arrecadados superam os R$ 154 milhões de Curitiba, cidade com o dobro da população, e representam cerca de três vezes o montante arrecadado por Porto Alegre.

A discrepância, por si só, não prova irregularidade, mas exige explicações técnicas, detalhadas e acessíveis ao cidadão comum.

Até agora, essas explicações não vieram com a clareza necessária. Diante desse silêncio, é o MPMS que parece buscar as respostas que a administração ainda não ofereceu. Transparência não é favor, é obrigação. E quando ela falta, a desconfiança ocupa o espaço.

Em um tema tão sensível quanto a gestão de quase R$ 200 milhões anuais, Campo Grande deve mais do que iluminação nas ruas: deve luz sobre seus próprios contratos.

ARTIGOS

Efeito Venezuela: O risco eleitoral 2026

Embora previsível no plano geopolítico, o episódio cria um dilema político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva

05/01/2026 07h45

Continue Lendo...

O ataque dos Estados Unidos a Caracas, com o objetivo de capturar Nicolás Maduro, acrescentou um fator de instabilidade a já complexa sucessão presidencial brasileira de 2026.

Embora previsível no plano geopolítico, o episódio cria um dilema político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A defesa da soberania nacional havia se mostrado um ativo recente do governo, especialmente após o tarifaço imposto por Donald Trump. A crise venezuelana, porém, muda o cenário.

O tema envolve um histórico sensível: a relação do PT e de Lula com o chavismo tende a ser explorada pela oposição, em um país majoritariamente crítico ao regime de Maduro.

Nos bastidores do Planalto, aliados reconhecem que, apesar de correta do ponto de vista institucional, a condenação brasileira à ação militar americana não gera o mesmo dividendo político de episódios anteriores.

Pesquisas mostram que cerca de 90% dos brasileiros têm visão negativa do governo venezuelano, associado ao autoritarismo, repressão e colapso social.

O governo brasileiro não reconheceu a reeleição de Maduro, mas retomou as relações diplomáticas. A linha adotada é de equilíbrio: defesa da soberania, sem respaldo político ao regime venezuelano.

A crise soma-se a outros desafios internos – governabilidade no Congresso, segurança pública, tensões institucionais e polarização extrema.

O resultado é um cenário de elevada imprevisibilidade eleitoral. Em 2026, o fator Venezuela pode não decidir a eleição, mas certamente acrescenta ingredientes de tensão no caminho do presidente Lula.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).