A descoberta da polilaminina por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro é um daqueles acontecimentos que extrapolam os limites do laboratório. Mais do que um avanço científico específico, trata-se de um indicativo claro de que investir em ciência é fundamental para o desenvolvimento da sociedade.
Quando uma universidade pública brasileira alcança um resultado com potencial transformador, reafirma-se a importância de políticas contínuas de financiamento, estrutura e valorização da pesquisa.
Desde a pandemia de Covid-19, o debate público passou a conviver de forma mais intensa com manifestações anticiência. Questionamentos infundados, descrédito às instituições de pesquisa e desinformação ganharam espaço em diferentes setores da sociedade.
É um cenário preocupante, especialmente em um país que depende historicamente do conhecimento produzido em suas universidades para enfrentar desafios sanitários, tecnológicos e sociais.
Ao mesmo tempo, são justamente os resultados concretos da ciência que ajudam a reequilibrar essa narrativa.
Os “milagres” proporcionados pelo método científico – ainda que construídos com rigor, tempo e validação – mostram que a pesquisa não é um luxo acadêmico, mas um instrumento prático de transformação da realidade.
Vacinas desenvolvidas em tempo recorde, tratamentos inovadores, tecnologias que ampliam a qualidade de vida: tudo isso nasce de investimento consistente e planejamento de longo prazo.
No caso da polilaminina, os testes ainda precisam ser confirmados em todas as etapas necessárias. Mas a possibilidade de que tetraplégicos e paraplégicos possam voltar a andar representa um horizonte que até pouco tempo atrás parecia distante.
Trata-se de uma perspectiva que mobiliza esperança, mas também reforça a responsabilidade de garantir condições para que a pesquisa avance com segurança e seriedade.
Investir em ciência é evoluir. Não apenas no sentido de encontrar soluções para a saúde, para a automação ou para tornar o cotidiano mais confortável, é evoluir também como sociedade, ao aprender a pensar de forma crítica, a valorizar evidências e a compreender a complexidade do mundo.
A cultura científica amplia horizontes e fortalece a capacidade coletiva de tomar decisões mais conscientes.
Investir em ciência é se desenvolver. É se sofisticar, não em um sentido arrogante ou excludente, mas como processo natural de amadurecimento social. Uma nação que aposta em pesquisa demonstra confiança em seu próprio potencial e na capacidade de seus profissionais.
Que a descoberta da polilaminina sirva de inspiração para aqueles que tomam decisões sobre orçamento, prioridades e políticas públicas. O futuro não se constrói com descrédito ao conhecimento, mas com compromisso contínuo com ele.

