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Crianças longe das telas: atividades práticas para as férias

Quando a tela deixa de ser a principal opção, a criança volta a explorar o ambiente, a movimentar o corpo, a criar, imaginar e conviver

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As férias escolares são uma chance valiosa de desacelerar e abrir espaço para experiências mais ricas do que as telas costumam oferecer. Reduzir o tempo de exposição digital neste período ajuda a melhorar o sono, a ampliar a atenção, a favorecer o humor e a recuperar o interesse por brincadeiras que desenvolvem habilidades essenciais.

Quando a tela deixa de ser a principal opção, a criança volta a explorar o ambiente, a movimentar o corpo, a criar, imaginar e conviver.

Atividades off-line favorecem o desenvolvimento integral porque envolvem corpo, linguagem, emoções e interação social. Brincadeiras simples, contato com a natureza, uso de materiais variados e experiências reais estimulam coordenação motora, criatividade, autonomia e empatia.

Também ajudam na regulação emocional e tornam o dia mais equilibrado. Sinais como irritação ao desligar o aparelho, mudanças de humor, dificuldade de concentração, cansaço visual e desinteresse por outras atividades indicam a importância de reorganizar hábitos.

Ao mesmo tempo, é fundamental reconhecer a realidade de muitas famílias, marcadas por rotinas intensas e pouco tempo disponível para acompanhar cada momento da criança. Isso é compreensível. Ainda assim, pequenas mudanças consistentes já fazem a diferença.

Para crianças de 8 anos a 11 anos, é possível propor atividades que exigem pouca supervisão, como cadernos de desafios com desenhos, histórias e charadas, jogos de lógica, leitura livre, pequenas tarefas de organização, criação de objetos com materiais recicláveis, e propostas artísticas simples.

Essas alternativas estimulam a autonomia e evitam que o tempo ocioso seja automaticamente preenchido por telas.

Brincadeiras ao ar livre também enriquecem o período de férias, seja com jogos tradicionais, circuitos motores, bicicleta, construção de cabanas ou pequenas explorações na natureza. Organizar o dia em blocos leves – movimento, leitura, arte e brincadeira livre – ajuda a manter equilíbrio sem rigidez.

A leitura e as atividades artísticas ampliam repertório, fortalecem vínculos e oferecem formas saudáveis de expressão. O tédio, muitas vezes visto como problema, pode se tornar aliado: quando não há soluções imediatas, a criança aprende a inventar, a negociar e a imaginar.

Momentos compartilhados, mesmo que breves, fazem diferença: jogos de tabuleiro, caminhadas, preparo de pequenas receitas, cultivo de plantas ou a leitura de um livro em capítulos criam memórias afetivas e substituem o tempo de tela com qualidade.

O essencial é a constância, não a perfeição. Ao fim das férias, manter combinados simples – limites claros, ambientes livres de telas em alguns períodos e acompanhamento do conteúdo – contribui para um uso mais saudável ao longo do ano.

Assim, a tecnologia deixa de ser a única opção e passa a ocupar um lugar mais adequado na infância.

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Colapso teocrático

O que vemos hoje é o esgotamento de um modelo que nasceu em 1979 e que vive seu epílogo

16/01/2026 07h45

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Em janeiro de 2026, o Irã vive um momento de ruptura definitiva. As ruas de Teerã e das principais províncias não clamam mais por reformas graduais, mas pelo fim de um sistema que se tornou anacrônico.

O regime, que por décadas utilizou o fervor religioso e o nacionalismo para se sustentar, enfrenta hoje uma combinação letal: o colapso econômico interno e a sucessão de derrotas no cenário externo. O que vemos hoje é o esgotamento de um modelo que nasceu em 1979 e que vive seu epílogo.

Compreender a crise contemporânea exige revisitar o colapso de Mohammad Reza Pahlavi. Ao tentar converter o país em uma potência ocidentalizada, o xá negligenciou as bases tradicionais e o clero xiita, enquanto a repressão da Savak, sua polícia política, alienava a elite intelectual.

Esse cenário culminou na Revolução de 1979 – uma coalizão heterogênea em que emergiu a liderança de Ruhollah Khomeini, que ascendeu após a queda da monarquia. O vácuo de poder foi preenchido pela “velayat-e faqih”, doutrina que submeteu a nação à tutela política e espiritual de um clérigo supremo, consolidando a teocracia moderna.

Quase meio século depois, o contrato social da República Islâmica ruiu. O sistema que prometia justiça social entregou uma economia de espoliação, controlada por fundações opacas e pelo braço empresarial da Guarda Revolucionária, que opera em moldes mais cruéis que a antiga Savak.

A crise atual é o ápice de uma década de má gestão e expansionismo baseado no terror, agravada pelas sanções e pelo impacto da Guerra dos 12 Dias, em 2025, que degradou a infraestrutura nuclear e militar do país.

Diferentemente de 2022, as manifestações atuais têm caráter existencial. O coração do levante bate no Bazar, o termômetro da estabilidade política persa. Quando mercadores fecham as portas e se unem aos jovens e às minorias étnicas, o regime perde sua última âncora de legitimidade. Ao mesmo tempo, a repressão mostra sinais de fadiga, com relatos de deserções e a incapacidade de conter focos simultâneos em todas as 31 províncias.

A análise de risco político nos obriga a desenhar caminhos para este desenlace. O Irã de amanhã não será o mesmo de ontem, e sua transição é um debate com reflexos globais.

Um cenário provável é a solução pretoriana: diante da queda iminente, a Guarda Revolucionária poderia desferir um golpe interno, afastando os aiatolás em troca de uma abertura econômica nacionalista e pragmática, aos moldes do Egito.

Outro caminho é a restauração de uma democracia parlamentarista laica, com Reza Pahlavi como símbolo de unidade transicional, assemelhando-se ao modelo espanhol pós-Franco.

Contudo, não se deve subestimar a resiliência ideológica de uma teocracia acuada e o recrudescimento do regime ainda é uma opção, o que poderia transformar o país em uma “Coreia do Norte do Oriente Médio”, mantendo o poder pelo terror e o isolamento absoluto.

Por fim, existe o risco latente de fragmentação e “balcanização”, em que o colapso fomentaria movimentos separatistas e uma guerra civil devastadora.

Os sinais são de que o experimento teocrático chega ao seu epílogo. A questão não é mais se o regime mudará, mas quem estará no controle quando a poeira baixar. O mundo deve estar preparado para o que emergirá das cinzas da teocracia.

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Hasta cuando

Quem de fato é o ditador diante do autocrata?

16/01/2026 07h30

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No início de 2026, não só os venezuelanos, como nós mesmos fomos surpreendidos na madrugada pelos acontecimentos militares envolvendo ataques, invasões, bombardeios, sequestro, rapto, desrespeito à soberania de um país e das leis internacionais, com a morte de 40 pessoas, realizados pelo Exército americano contra um país andino, nosso vizinho e detentor da maior reserva de petróleo mundial.

Historicamente, a Venezuela foi símbolo da luta da independência e inspiração para toda a América Latina nas ações realizadas por Simón Bolívar, então intitulado “o Libertador”, sendo fundamental na libertação de diversas nações, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, incluindo a Venezuela (1811).

Uma ideologia foi revivida e reverenciada a Bolívar, posteriormente, por Hugo Chaves (1999), ao estabelecer a “República Bolivariana da Venezuela”, baseando-se nas ideias de unidade latino-americana e independência de potências estrangeiras (Espanha e França) e, especialmente, contra o dito imperialismo americano, entendido como a prática de exercer influência política, militar, cultural e, especialmente, econômica sobre outros países, na tentativa de expandir seu controle hegemônico e estratégico mundial, justificando suas ações com o combate ao comunismo (passado), a liberdade e, atualmente, o narcotráfico.

E, assim, o imperialismo assume a crença de que tem o direito de expandir seus territórios e ameaçar intervenção militar, garantindo seus interesses na busca por matérias-primas (petróleo, terras raras, metais preciosos), novos mercados e investimentos, controle econômico e político, com ajuda militar direta para os países alinhados, sempre justificando a garantia da liberdade pela força, mantendo práticas neoliberais na manutenção da liderança do dólar, substituindo em parte o estereótipo do comunismo, de vez em quando revisitado pela democracia, pelo narcoterrorismo.

Todas essas atitudes são reprováveis pelo Direito Internacional, mas tem sido aceitas por inúmeras pessoas, incluindo comentaristas, jornalistas, âncoras, influenciadores, especialistas em política internacional, professores conservadores, que emitem opiniões de aprovação desde que “não sendo comigo, nada atinge meu umbigo”, inclusive, ao interpretar os fatos e dizer que não houve sequestro de um presidente, e sim captura de ditador, chefe da narco-organização Cartel de Los Soles, até então inexistente, conforme a própria Justiça americana.

As notícias são incapazes de estabelecer a principal diferença entre um ditador e um autocrata de acordo com a conceituação sobre o exercício do poder.

O ditador se caracteriza pelo exercício de poder de forma absoluta, descontrolada, desproporcional e assimétrica, ao passo que o autocrata se identifica como aquele que se julga legítimo representante ao exercer o poder de modo arbitrário e concentrado.

Julga-se com poder ilimitado, independendo de justificativas para o exercício de sua autoridade, desrespeitando as instituições da administração, desconsiderando as leis, normas e regras, agindo sempre de forma opressiva, jactando-se de sua capacidade e ostentação de força opressiva.

Quem de fato é o ditador diante do autocrata?

O “ditador” encontra-se preso, incomunicável, aguardando um julgamento faccioso com um processo “lawfare”, ao se utilizar afirmativas fictícias com leis nacionais contra cidadãos estrangeiros, acusando-os volatilmente, sendo politicamente incriminados sob uma grave violação e desprezo às leis e aos organismos internacionais, ferindo um princípio fundamental da Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a soberania e a independência política de Estados.

Enquanto isso, o “autocrata” continua histrionicamente, com suas bravatas, a assustar seus próprios apoiadores e aliados subservientes, distribuindo em todas as direções ameaças econômicas e militares, dirigindo no momento a atenção e o desejo de administrar o petróleo da Venezuela, de abocanhar as matérias-primas da Groenlândia, promover a mudança de regime do Irã e sufocar o governo de Cuba. “Hasta cuándo el mundo aceptará esto?”

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